Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Secos e molhados

02/06/2014 15:37

Antigamente, não havia supermercados. Nem lojas de departamentos. As pessoas se abasteciam nas casas de secos e molhados. Verdadeiros mercados persas, vendiam de tudo. Ali, comprava-se arroz, feijão, farinha e tudo o mais por quilo. Azeite, vinho, sabão, marmelada? Era só pedir. O local também servia de ponto de encontro. Os fregueses aproveitavam a saída de casa para pitar cigarros de palha e bater longos papos.

A vida moderna matou os armazéns de secos e molhados. Hoje, freguês virou cliente. A comida vem embalada e pesada. A conversa atrapalha. Do hábito dos tempos da vovó, ficou a expressão. Secos e molhados indica variedade. Vale o exemplo da coluna de hoje. Os leitores apresentaram mil sugestões. Selecionadas, algumas viraram o tema do dia. Bom proveito.

Porre
Esta é do João Rafael. Irrequieto, ele faz da vida um armazém de secos e molhados. Foi professor de inglês, tradutor e vocalista. No momento, dedica-se à publicidade e à escrita de contos e teatro. É dele a informação: "Piscina vem do latim. Piscis quer dizer peixe. Daí pisciano e piscicultura. Aí está o paradoxo. Tudo o que não há numa piscina é peixe. Peixe fica no aquário. E aquário vem do latim aqua. Logo, o aquário é um aguário, reservatório de água. O que significa que aquário é uma piscina e piscina é um aquário".

Aos quatro ventos
Carlos Marcelo, de Planaltina, tem um vizinho brigão. O homem bate boca com Deus e o mundo. Fala, Fala. Fala. Ao terminar o discurso, apregoa aos quatro ventos: "Gozo de boa reputação. Ninguém vai maculá-la".

De tanto ouvir o falastrão, uma dúvida pintou na cabeça do paciente Carlos. Existe boa e má reputação? Ou a palavra só pode ser usada na forma positiva e, assim, "boa" seria redundância?

Reputação, segundo o Houaiss, é o conceito que alguém ou algo goza num grupo humano. Na língua do povão, é a fama. Daí o dito "quem tem fama dorme na cama". A reputação, como a fama, pode ser boa ou má. O próprio Houaiss dá exemplo: Sua reputação era a pior possível.

Um pra lá, outro pra cá

O Clóvis Viana, do Tocantins, quer saber qual é a da palavra vaga-lume. O acende-apaga se escreve coladinho ou com hífen? Eis a resposta: separado. O plural: vaga-lumes.

Praga
As pragas chegam devagarinho. Como quem não quer nada, vão avançando. Ganham espaço no rádio e na TV. E, atrevidas, tomam ares de verdade. Uma delas é o "compro". O particípio do verbo comprar é comprado. Alguém resolveu inovar. Passou a usar o presente como particípio. Criou, então, este horror: eu tinha compro a casa antes da desvalorização do real.

Cruz-credo! Xô! É vez do particípio, não do presente: Eu tinha comprado a casa antes da desvalorização do real.

Datas

Maurício Barbosa escreve vários documentos. Petições, decretos, ofícios, memorandos lhe quebram a cabeça dia após dia. Em todos, tropeça num problema. Ao referir-se a datas, deve usar barra, ponto ou traço?

Use ponto ou barra. Você escolhe: 11.12.13 ou 11/12/13.

Obrigatório ou facultativo?

Liana Camargo quer saber: etc. tem ponto obrigatório? Ou é facultativo?

Liana, etc. exige — sempre — ponto no final. Se coincide com o ponto no fim da frase, fique com apenas um. Na língua como na vida, poupar é bom: Comprei laranja, maçã, pêssego, abacaxi etc. Na livraria, examinei dicionários, gramáticas, romances, etc.

Viu? A vírgula antes do etc. é facultativa. Usá-la ou não fica a gosto do freguês. No fim, não dá outra. É acertar ou acertar.

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