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Notícias em debate

16/07/2014 16:05

Duas notícias de segunda-feira chamaram a atenção de leitores. A primeira foi esta manchete do Correio Braziliense: "Acorda com eles, Brasil". Ao lê-la, Izabel Cristina se surpreendeu. Achou que houve erro na conjugação do imperativo afirmativo. Em vez de "aprende", a forma deveria ser "aprenda". Será?

O imperativo afirmativo dá nó nos miolos da moçada desde que nasceu. Sabe por quê? Ele joga em dois times. O tu e o vós se formam do presente do indicativo. Mas se livram do s final. As demais pessoas saem do presente do subjuntivo — sem tirar nem pôr. Assim:

Presente do indicativo: eu acordo, tu acordas, ele acorda, nós acordamos, vós acordais, eles acordam

Presente do subjuntivo: que eu acorde, tu acordes, ele acorde, nós acordemos, vós acordeis, eles acordem

Imperativo afirmativo: acorda tu, acorde você, acordemos nós, acordai vós, acordem eles

Decifrou a charada, Izabel Cristina? Ao dizer "Aprende com eles, Brasil", o jornal optou pelo tu (aprende tu). Ao propor "Aprenda com eles, Brasil, você escolheu o tratamento você (aprenda você). Um e outro merecem nota 10. É acertar ou acertar.

Por falar em imperativo…

O imperativo às vezes manda fazer. É o afirmativo. Às vezes manda não fazer. É o negativo. Formá-lo é fácil como andar pra frente. Ele sai inteirinho do presente do subjuntivo. Basta antecedê-lo de não. Quer ver?

Presente do subjuntivo: que eu acorde, tu acordes, ele acorde, nós acordemos, vós acordeis, eles acordem

Imperativo negativo: não acordes tu, não acorde você, não acordemos nós, não acordeis vós, não acordem vocês

Cadê?

Cadê o eu? Ele fica de fora? Fica. Quando damos ordem a nós mesmos, ocorre uma mágica. O eu vira você. Banque o São Tomé. Digamos que você se chame Maria. Mande você deixar a preguiça pra lá, tomar banho e escovar os dentes: Maria, deixe a preguiça pra lá. Tome banho e escove os dentes.

A segunda questão
O Estado de Minas também mereceu comentários. Chamada publicada na primeira página gerou polêmica. É esta: "Felipão fora". A notícia da demissão do técnico brasileiro ainda não tinha sido divulgada. Então, não deu outra. A atenção se voltou para o texto. A dúvida: os brasileiros estavam mandando Felipão pra casa? Ou ele tinha sido mandado pra casa?

A resposta está na pontuação. Compare:

Felipão, fora.

Com a vírgula, Felipão vira vocativo — o ser a quem nos dirigimos. No caso, dá-se uma ordem pra ele. Ele obedece. Ou não. A única certeza é o sinalzinho de pontuação. Esteja onde estiver, o nome vem isolado. Veja exemplos: Felipão, fora. Fora, Felipão. Pra frente, Brasil. Brasil, pra frente. Maria, volte logo. Volte logo, Maria. Aprende com eles, Brasil. Brasil, aprende com eles. Te adoro, garoto. Garoto, te adoro.

***

Felipão fora.

Sem a vírgula, subentende-se o verbo estar: Felipão (está) fora. Que diferença, hem? O jornal saiu na frente. Deu a notícia da queda do técnico da Seleção na frente dos concorrentes. Palmas pra ele.

Leitor pergunta


Gostaria que você me tirasse duas dúvidas:

1ª) Existe a forma feminina de boleto? É correto dizer, por exemplo: Já paguei a boleta?

2ª) E quanto ao cartão que recebemos em algumas boates. É comanda? Existe isso?

Myriam Henriques, lugar incerto

Boleto, Myriam, é substantivo masculino. Boleta joga em outro time. Trata-se de forma do verbo boletar: eu boleto, ele boleta, nós boletamos, eles boletam.

Que criatura é essa? Boletar, variante de aboletar, quer dizer aquartelar (soldados) em casas particulares; alojar, acomodar, instalar; alojar-se, acomodar-se, instalar-se: Os torcedores argentinos se aboletaram (ou se boletaram) em abrigos improvisados no Rio.

***

Comanda está nos dicionários. Em restaurantes, bares e boates, é a anotação de pedidos ou consumo feitos pelos clientes. Pode ser também o papel onde se anota o pedido.

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