Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Quem tem licença poética?

06/08/2014 17:17

Adeus, Copa! Vem, eleição. Em outubro, os brasileiros vão escolher presidente, governador, senador, deputado. Não é pouca coisa. Todos devem participar. O Tribunal Superior Eleitoral entrou na disputa. Quer mobilizar os eleitores para que votem. Um dos protagonistas da campanha é Carlinhos Brown. "Sou brasileiro e mando um beijo pra você. Vem pra urna", convoca o astro baiano.

Show! Mas um pormenor chama a atenção de telespectadores antenados. Trata-se da mistura de tratamentos. Ele fala em você. Mas usa o imperativo vem (tu). Terá se inspirado em propaganda da Caixa? Parece que sim. "Vem pra Caixa você também", convida o poderoso banco.

Publicidade tem licença poética. A gramática não pode funcionar como camisa de força para a criação. Mas nós, mortais, que escrevemos pra passar no concurso, tirar 10 na prova, conquistar amores e conseguir promoção no emprego, não temos autorização pra pisar a norma culta. O jeito? Só há um — desvendar o mistério do imperativo. Vamos lá?

O manda-desmanda

O imperativo manda, pede, suplica. Pode ser afirmativo ou negativo. A conjugação do afirmativo convoca dois tempos verbais. O tu e o vós saem do presente do indicativo menos o s final. As demais pessoas, do presente do subjuntivo. Assim:

Presente do indicativo: eu venho, tu vens, ele vem, nós vimos, vós vindes, eles vêm

Presente do subjuntivo: que eu venha, tu venhas, ele venha, nós venhamos, vós venhais, eles venham

Imperativo afirmativo: vem tu, venha você, venhamos nós, vinde vós, venham vocês.

Não, senhor

O imperativo negativo sai todinho do presente do subjuntivo. Assim: não venhas tu, não venha você, não venhamos nós, não venhais vós, não venham vocês.

E daí?

Sem a licença poética, o texto do TSE pode ter duas redações:

1. Sou brasileiro e mando um beijo pra ti. Vem pra urna.

2. Sou brasileiro e mando um beijo pra você. Venha pra urna.

Campanha eleitoral

Em época de campanha, candidato se vira. Está presente onde há eleitores. Sorri, dá santinho, pede votos. É o corpo a corpo — assim, sem hífen.

Cena de novela

"Maquiar? Ou seria maquilar?", pergunta o blogueiro afetado da novela Império. Sem resposta, deixou a questão pra lá. Mas a dúvida permaneceu. Consultado, o dicionário responde: existem as duas formas. É acertar ou acertar.

Por falar em maquiar...

Olho vivo, moçada! Maquiar se conjuga como premiar: premio (maquio), premia (maquia), premiamos (maquiamos), premiam (maquiam).

Festa caipira

A Copa impôs mudanças no calendário. As férias escolares foram antecipadas. As festas juninas, retardadas. Por isso, em agosto, Brasília se diverte com fogueiras, quentões, pés de moleque & cia. gostosa de evento pra lá de popular. Trata-se do São-João do Cerrado.

Mas nem tudo são alegrias. A grafia causa confusão. São João ou são-joão? Vamos por partes. O santo é São-João, nome próprio. A festa, são-joão, substantivo comum. O nome da festa joga no time dos substantivos próprios. É São-João do Cerrado.

Leitor pergunta


Outro dia, conversando com amigos, falei em "acordo amigável". Eles se entreolharam e sorriram. Depois, um deles, mais chegado, me disse que eu havia desperdiçado palavras. Verdade?
Jânio Coutinho, Guará

É isso, Jânio. Pra ser acordo, só pode ser amigável. O substantivo dá o recado. Dispensa companhias. Basta acordo.

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