Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Debate, pra que te quero?

03/09/2014 10:45

Pôr candidatos frente a frente é pedagógico. A gente aprende com eles. Alguns apresentam propostas. Outros fazem balanço do que fizeram. Todos, gastando sorrisos e palavras, esbanjam vocábulos sem economia. O confronto da CNBB, na segunda-feira, não foi diferente. De olho no governo do Distrito Federal, os louquinhos pelo Buriti corriam atrás de votos. Na disparada, pisaram a língua sem compaixão.

Luiz Pitimam
"É importante que construa-se alternativa de emprego", disse o homem todo-sorrisos. Esqueceu pormenor pra lá de importante. A gangue qu funciona como ímã. Atrai o pronome átono sem compaixão: É importante que se construa alternativa de emprego. Quem me telefonou? Quanto se pagou pelo carro? A obra a que Pedro se referiu está esgotada.

Rodrigo Rollemberg
"Cheguei em Brasília em 1960", disse Rodrigo Rollemberg ao se apresentar. Ops! Chegar em? Nem pensar. Melhor chegar a: Cheguei a Brasília. Chegamos ao clube. A que horas você chegou ao debate?

Toninho do Psol
"Se você vai em São Sebastião, verá que a área está sendo tomada por grileiros", acusou o eterno candidato. Ir em? Nunca. Há dois jeitos de ir:

Um deles: ir rapidinho e voltar. Aí, a preposição a pede passagem: Vou ao clube. Vamos ao cinema? Eles vão a São Paulo ver a exposição.

O outro: ir por período longo ou para ficar: Vou para Londres fazer minha pós-graduação. Foi para o Rio morar com o pai. Vou-me embora pra Pasárgada.

José Roberto Arruda

"Independente da cor ou do sexo, há que evitar conflitos", ensinou o ex-governador. Bobeou. Independente quer dizer livre. Ele quis dizer independentemente (sem levar em conta): Independentemente da cor ou do sexo, há que evitar conflitos.

Perci
"Seria necessário as novas mobilizações", disse a bendito o fruto entre os homens. Cadê a concordância? Basta pôr a oração em ordem direta pra ficar claro quem é quem: As novas mobilizações seriam necessárias.

Agnelo
"Muitos dos pontos fracos eles foram enfrentados pelo meu governo", frisou o governador. "Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii", gemeram os presentes. O modismo de repetir o sujeito machucou os ouvidos. O eles sobra: Muitos dos pontos fracos foram enfrentados pelo meu governo.

Leitor pergunta

Conserto ou concerto? Nunca sei.

Sandra Cavalcanti, BH

Depende. Ambas as grafias merecem nota 10. O xis da questão é empregá-las como manda a boa norma:

Conserto: assim, com s, a trissílaba quer dizer remendo, reparo. O carro pifou? Vai pro conserto. A estrada está cheia de buracos? Cadê conserto? O vestido se rasgou? A costureira conserta.

Concerto: com c, a palavra joga em time que todos amam, todos querem. Trata-se da equipe da harmonia: concerto da orquestra, concerto de violinos, conceerto das nações.
***
O rádio? A rádio? Como acertar sempre?

Luísa Cardoso, Pelotas

O aparelho é machinho da silva. A estação, feminina de carteirinha: Meu rádio não sintoniza a Rádio Tupi. Mas sintoniza a Rádio Clube. E o seu?
***
A maioria pede verbo no singular ou plural?

Marcelo Souza, Floripa


Ops! Trata-se do partitivo. No caso, o verbo fica em cima do muro. Ora olha pro núcleo do sujeito. Concorda com ele. Ora joga charme pro complemento. Flexiona-se como ele manda. Veja: A maioria dos candidatos falou bem. A maioria dos candidatos falaram bem. Metade das maçãs apodreceu. Metade das maçãs apodreceram. Um grupo de alunos saiu. Um grupo de alunos saíram. Parte dos eleitores se decidiu. Parte dos eleitores se decidiram.

Vale tudo? Nãooooooooooooooooo! O verbo concorda com o núcleo do sujeito ou com o complemento. Se os dois forem do mesmo número, a regra permanece. Assim: A maioria da população votou. A maioria da população votou. Parte da turma saiu. Parte da turma saiu. Metade da família viajou. Metade da família viajou.

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