Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Tesourada proibida

17/09/2014 14:32

A nota saiu na Vejinha . Chama-se "Tesourada do bem". Cabeleireiros da cidade se uniram com um objetivo: promover maratona que assanhasse Europa, França e Bahia. Puseram o talento em oferta a fim de arrecadar dinheiro pra tratamento de colega que luta contra o câncer. Corte, lavagem, escova — tudo por R$ 100. Oba! A moçada se assanhou. Entre as entusiasmadas, estava a vaidosa Carlota. Ela lia a notícia com interesse. Quase no fim, tropeçou nesta frase: "O corte solidário ocorrerá no salão de Ricardo Maia entre 10 e 18 horas".

Ops! Pensativa, a moça comentou: "Passaram a tesourada no objeto errado. Em vez do cabelo, cortaram os artigos". Acertou. A indicação de horas é sempre, sempre mesmo, acompanhada do pequenino: A maratona ocorrerá entre as 10h e as 18h. Trabalho das 14h às 20h. A aula começa ao meio-dia e termina às 15h. Estou aqui desde as 6h.

Sem hora, mas com acento
"Bons momentos não tem hora, mas tem o café certo", diz a propaganda do pretinho que deixa água na boca. Mas… cadê o acento? Muita gente anda fazendo confusão com o verbo ter. Pensa que ele perdeu o acento. Bobeia. Ter e vir se mantêm como dantes no quartel de Abrantes: ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm.

Por que o nó nos miolos?
A confusão tem tudo a ver com outros monossílabos. Trata-se de ver, ler, crer e dar. A reforma ortográfica passou a faca no acento do hiato eem. Sem o chapéu, os pequeninos ficam assim:

Ver — vejo, vê, vemos, veem

Ler — leio, lê, lemos, leem

Crer — creio, crê, cremos, creem

Dar — (que) eu dê, ele dê, nós demos, eles deem

O que é mesmo?
Mário Quintana costumava repetir: "O autor pensa uma coisa, escreve outra, o leitor entende outra, e a coisa propriamente dita desconfia que não foi dita". Verdade? Esta passagem confirma: "Celebrando a carreira e a vida, Eva Wilma estrela espetáculo latino-americano sobre o ofício de ator na capital federal". Interessados leram e releram. Com a pulga atrás da orelha, perguntaram: "O ofício de ator será diferente na capital federal?

Não. O texto permite a leitura equivocada. Trata-se de problema de colocação. No lugar onde está, o termo "na capital federal" parece se referir a "ofício de ator". Mas o alvo é outro. Como mandar a ambiguidade plantar batata no asfalto? Basta aproximar lé com lé e cré com cré. Assim: Celebrando a carreira e a vida, Eva Wilma estrela, na capital federal, espetáculo latino-americano sobre o ofício de ator. Simples assim.

Poupar é bom
"Mesmo que essas mentiras me reduzam a pó, elas não vão mudar minha história", tuitou Marina Silva. Seguidores da presidenciável levantaram a questão. "No miniblogue", escreveram, "a regra é poupar palavras. A candidata desperdiçou vocábulos, não?"

O período tem duas orações. A primeira: Mesmo que essas mentiras me reduzam a pó. A segunda: elas não vão mudar minha história. O sujeito de ambas é o mesmo — mentiras. Se é o mesmo, basta citá-lo uma vez. Onde? Na segunda oração. Veja: Mesmo que me reduzam a pó, essas mentiras não vão mudar minha história.

Leitor pergunta
Ora leio a à beça, ora à bessa. Procurei nos dicionários e só encontrei a primeira. O significado é o mesmo?

Leonardo Campos Pinto, BH

Na acepção de muito, dê passagem à forma com ç: Comi à beça. Correu à beça, mas não conseguiu pegar o ônibus. O vendedor falou à beça, mas não convenceu o cliente.

Em Brasília, há uma pizzaria muito popular que exibe o nome do proprietário — Pizzaria do Bessa. Uma das delícias do cardápio se chama pizza à Bessa, isto é. Pizza à moda do Bessa.

***

A palavra composta vale-tudo tem plural?

Marcos Aurélio de Melo, Petrolina

Não. Mantêm-se invariáveis os substantivos compostos por palavras invariáveis ou cujo plural não se forma com o auxílio de s: os vale-tudo, os leva e traz, os diz que diz, os bota-fora, os topa-tudo, os ganha e perde.

Também são invariáveis os nomes cujo último elemento já está no plural: os saca-rolhas, os salva-vidas.

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