Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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A festa das crianças

16/10/2014 12:37

Oba! É Dia da Criança. A meninada faz a festa. Além da folga que se emenda com o feriado do Dia do Professor, garotas e garotos ganham presentes. A oferta não tem fim. Bonecas, carrinhos, trens, bolas, super-heróis, jogos, bicicletas, celulares, tablets, computadores se oferecem sem cerimônia. Eta tentação!

E o livro? As livrarias exibem montões de títulos. Põem mesinhas baixas para que os pequenos folheiem as obras escolhidas nas estantes. Eles tocam o papel, olham as imagens, leem passagens aqui e ali. Se gostam, ficam com o livro. Se não, partem pra outra. Em casa, conjugam o verbo ler.

O monossílabo joga no time de outro pra lá de flexionado na leitura. É ver. A terceira pessoa do singular e do plural exige atenção plena. Observe: eu leio, ele lê, nós lemos, eles leem; eu vejo, ele vê, nós vemos, eles veem. Viu a semelhança? Ele vê, eles veem. Ele lê, eles leem.

Nova cara

Olho vivo! Antes da reforma ortográfica, o hiato e/em ganhava chapeuzinho. Agora vive livre e solto, sem lenço e sem documento: ele lê, eles leem; ele vê, eles veem; ele crê, eles creem, ele dê, eles deem.

Exercício de liberdade
Impor livros à criança é proibido. Ela é quem manda. Da escolha da obra à leitura, Sua Excelência faz e acontece. Pode tudo. Quem lhe traduz a força é Daniel Pennac. Ele escreveu os direitos imprecritíveis do leitor. Ei-los:

1. O direito de não ler.

2. O direito de pular páginas.

3. O direito de não terminar um livro.

4. O direito de reler.

5. O direito de ler qualquer coisa.

6. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).

7. O direito de ler em qualquer lugar.

8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.

9. O direito de ler em voz alta.

10. O direito de calar.

Ser generoso é…
Ler muitas histórias pras crianças. Dar emoção à voz. Deixá-las tocar as ilustrações. Dar-lhes tempo para sonhar, viver outras vidas, soltar a imaginação. Comentar. Assim nasce um leitor.

Eles disseram
"Deve-se o maior respeito à criança." (Juvenal)

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"A criança é o pai do homem." (Wordsworth)

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"Crianças, quando pequenas, enlouquecem os pais; quando grandes, endoidecem-nos." (John Ray)

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"Nunca houve criança amável a ponto que a própria mãe não ficasse satisfeita ao conseguir adormecê-la." (Emerson)

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"Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças." (Fernando Pessoa)

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"Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino dos céus." (Mateus)

Leitor pergunta
Sempre grafo com letra maiúscula os substantivos comuns quando vêm substituindo nomes próprios. "É um dos calcanhares de Aquiles do país"; "O diretor do Banco Central (BC) não acredita que as projeções da autarquia sejam otimistas". Pergunta: a palavra país, substituindo Brasil não deveria ser grafado com P maiúsculo? A mesma coisa a palavra autarquia substituindo Banco Central?

Deuszânia, lugar incerto

Nomes próprios, quando viram comuns, perdem a majestade. Grafam-se com a inicial pequenina: calcanhar de aquiles, castanha-do-pará, joão-de-barro, banho-maria, pau-brasil, malhação do judas.

País
e autarquia, no exemplo, são também nomes comuns. Vira-latas, dispensam a grandona.

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Muitas pessoas dizem e escrevem "o aluno reprovou" em lugar de "o aluno foi reprovado". Qual das formas é correta?

Amanda, lugar incerto

O aluno, Amanda, não pratica a ação de reprovar. Ele sofre a ação: O professor reprovou o aluno. O aluno foi reprovado.

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