Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Mestres dos mestres

17/10/2014 11:30

Mestres não nasceram hoje. Nem ontem. Nem anteontem. Mestres existem desde sempre. Todas as culturas os homenageiam. A mitologia grega, por exemplo, destaca o centauro Quíron. Ele tem cabeça, tronco e braços como nós. Mas, da cintura pra baixo, é cavalo — com quatro patas, rabo e pelos.

Quíron conhecia medicina como ninguém. Também sabia tudo sobre guerras e música. Muitos heróis foram educados por ele. Asclépio foi um deles. Motivado pelo mestre, o jovem estudou tanto que virou o deus da medicina. Até hoje os médicos o exaltam. Usam o símbolo dele — o bastão com a serpente enrolada.

Aquiles foi outro. O mestre lhe ensinou os mistérios, as artes e as artimanhas de lutas e batalhas. As lições valeram. Na Guerra de Troia, Aquiles ganhou os combates. Virou o maior herói grego de todos os tempos. Mas, numa brincadeira, feriu Quíron. O centauro sentiu tanta dor que suplicou a Zeus que o matasse.

Como atender o pedido? Imortal não morre. Mas mestre é mestre. Ofereceu a imortalidade a Prometeu. E partiu pro mundo dos mortos. O deus dos deuses transformou-o na constelação de Sagitário. Ela se parece com o voo de uma flecha. Sabe por quê? É louvor ao saber, que eleva a natureza animal em espiritual. Por isso, os sagitarianos adoram viajar, conhecer outras culturas e passar pra frente os conhecimentos. São mestres dos mestres.

Eu ensino, eu aprendo

O professor ensina. O aluno aprende. Certo? Certo. Mas, de vez em quando, os papéis se invertem. Numa ou noutra atribuição, o respeito à regência se impõe. Ensinar joga em quatro times. Quer ver?

Intransitivo: O professor ensina, o aluno aprende.
Transitivo direto: O professor ensina a lição.
Transitivo indireto: O professor ensina ao aluno.
Transitivo direto e indireto: O professor ensina a lição ao aluno.

Troca-troca
O português adora a elegância. Por isso adota a regra de ouro do estilo -- variar pra agradar. Em vez de repetir palavras, pede socorro aos pronomes. Um deles é o átono. Olho vivo! O objeto direto é o, a. O indireto, lhe. Veja exemplo da troca de seis por meia dúzia:

O professor ensina a lição ao aluno.


Ele ensina alguma coisa. O quê? A lição. A lição é o objeto direto. Vamos trocá-lo pelo pronome? O resultado fica assim: O professor a ensina ao aluno.

Podemos também substituir o objeto indireto. Aí, estendemos tapete vermelho e recebemos o lhe com banda de música: O professor lhe ensina a lição.

Eles disseram

"Não quero que ele invente e fale só. Quero que escute o seu discípulo falar por sua vez." (Montaigne)

"Magister dixit." ("Foi o mestre que disse", provérbio da Idade Média.)

"O mestre que não sabe se deixar ultrapassar por um aluno é um mestre ruim." (Elsner)

"Não poderás ser mestre na escrita e leitura sem ter sido antes aluno. Quanto menos na vida!" (Marco Aurélio)

"Aos professores fica o convite para que não descuidem da missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem águias, não apenas galinhas. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." (Paulo Freire)

Leitor pergunta
No Outubro Rosa, os prédios se vestem de rosa. Ficam mágicos. A beleza, porém, não consegue apagar dúvida que me assalta sempre que escrevo a cor considerada feminina. Afinal, cor-de-rosa tem hífen ou não tem?

Claudete Lima, Brasília

A reforma ortográfica cassou o hífen de palavras compostas com três ou mais vocábulos ligados por preposição, conjunção, pronome. Por isso, caipé de moleque, tomara que caia, mula sem cabeça, dor de cotovelo agora se escrevem livres e soltos.

Mas há exceções. Além dos compostos que nomeiam seres do reino animal e vegetal (castanha-do-pará, joão-de-barro), palavras citadas na lei. É o caso de cor-de-rosa, água-de-colônia e pé-de-meia. Por isso se diz que hífen é castigo de Deus.

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