Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Reta final

20/10/2014 13:34

Domingo, os brasileiros voltam às urnas. Aécio ou Dilma? O voto dirá. Marqueteiros, candidatos, repórteres fazem contagem regressiva. "A tantos dias da eleição" é estrutura pra lá de empregada. Aí, não dá outra. Muitos tropeçam ao escrevê-la. Substituem a preposição a pelo verbo há. Bobeiam.

Eles confundem os tempos. O há indica passado: O primeiro turno das eleições ocorreu há duas semanas. Dilma ocupa o Palácio do Planalto há quase quatro anos. Os candidatos chegaram há pouco para o debate na tevê. Há quanto tempo você está esperando? Estou esperando há poucos minutos.

A preposição a anuncia o porvir. Como ignoramos o que o futuro nos reserva, a leveza pede passagem. Uma letra pesa menos que duas: A uma semana do segundo turno, os candidatos estão tecnicamente empatados. Daqui a sete dias, o Brasil saberá quem recebeu o aval dos eleitores. Daqui a pouco as visitas vão chegar.

Sem desperdício
A língua é como o mineiro. Ao ver o filho se preparando pra dar uma saidinha à noite, o pai aconselha: "Meu filho, não saia. Se sair, não gaste. Se gastar, não pague. Se pagar, pague só a sua". É por aí. Nunca junte "há…atrás". A razão: o há indica tempo passado. O atrás também. Fique com um ou outro: O primeiro turno das eleições foi há duas semanas. Duas semanas atrás, houve o primeiro turno das eleições. Há duas horas cheguei a Brasília. Duas horas atrás cheguei a Brasília.

Pesquisa
A palavra mais ouvida nos últimos dias? É pesquisa. Ibope e Datafolha fazem mais sucesso que a novela Império. Pode? Pode. Tanta popularidade cobra preço alto. Ao escrever a trissílaba e respectiva filharada, muitos tropeçam na grafia. Dão a vez ao z em vez do s. Esquecem-se de pormenor pra lá de importante.

Na língua, impera uma regra: a família acima de tudo. Se o paizão se grafa com s, os descendentes não têm saída. Conservam a letrinha. É o caso de pesquisa, pesquisar, pesquisador, pesquisado, pesquisinha, pesquisona. É o caso também de camisa, camisaria, camiseiro, camisinha, camisola. É o caso ainda de país, paisinho, paisão, paiseco.

Sem exceção
A regra não é privilégio do s. Vale para as demais letras. Viajar, por exemplo, se escreve com j. Todas as formas do verbo serão fiéis a ele: viajo, viaja, viajamos, viajam; viaje, viajes, viajemos, viajem.

Nariz, rapaz, capuz, raiz, juiz e vez exibem z. A lanterninha do alfabeto permanece firme e forte nos derivados: narizinho, rapazinho, rapazote, capuzinho, encapuzar, raizinha, enraizar, enraizado, juízo, ajuizar, vezinha, vezeiro.

Ciladas
Olho vivo! As palavras adoram pegar o bobo na casca do ovo. Basta um descuido e… adeus, nota 10. Atenção plena se impõe. O sufixo -ar tem de se colar ao s ou ao z do radical. Se não for possível, ele precisará de ponte. Aí, cessa tudo o que a musa antiga canta. Compare:

pesquisa — pesquisar

camisa — encamisar

juiz — ajuizar

raiz — enraizar

Viu? O sufixo -ar se cola ao s do radical. Veja outro caso:

catequese — catequizar


O -ar não se cola ao radical. Caso se colasse, teríamos "catequesar". Nada feito. Entra em cartaz o sufixo -izar — escrito sempre, sempre mesmo, com z (canalizar, avalizar, civilizar).

Leitor pergunta
Gostaria da sua ajuda por causa do meu trabalho. Sou digitadora de laudos e agora estou sempre com dúvidas em relação à grafia destes termos: anteromedial, craniocaudal, posterossuperior, vasculoneural. Posso escrevê-los assim?

Márcia Alves, lugar incerto

Consultado, o Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp), papa da língua, não deixa dúvida. Diz que você merece nota 1.000. Vá em frente.

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