Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Você pergunta, nós respondemos

22/10/2014 15:48 | Atualização: 22/10/2014 15:50

Leitor e ouvinte contemporâneos estão longe do leitor e ouvinte de tempos idos e vividos. Antigamente, valia o que estava escrito. Valia, também, o que a autoridade dizia. Texto impresso era lei. Fala de excelências também. Hoje a história mudou de enredo. Quem lê e ouve interage, questiona, propõe mudanças. É coautor.

Os leitores da coluna jogam no time moderno. Críticos, duvidam do que ouvem ou do que oferecemos a eles. Se alguma passagem lhes soa estranha, vão atrás de confirmação. Procuram dicionários, gramáticas, especialistas. Nós, vassalos, os ouvimos e mudamos sempre que necessário. Exemplos não faltam. Quer ver?

É proibido
Hoje, quando li o título "É proibida venda de creme que promete reduzir gordura", fiquei chocada. Não com a notícia, mas com o português. Aprendi que, se o substantivo não vem acompanhado de artigo, o proibido não varia. Mas lá estava o feminino. Estou errada? (Moema)

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Você está certíssima, Moema. O jornal tinha duas possibilidades. Uma: É proibido entrada. A outra: É proibida a entrada. A regra vale para outros adjetivos: Água é bom pra saúde. A água é boa pra saúde. Dois quilos é suficiente pra preparar o prato. Os dois quilos são suficientes pra preparar o quarto. É necessário voluntários. São necessários os voluntários.

Calo da língua
Sempre soube que regência é calo da língua. Maltrata textos e reputações. Ontem vi esta pérola que não sacrifica. Mata: "Ele lhe abusou sexualmente". Bizarro, não? (Conceição Tasfrei)

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O Dicionário de verbos e regimes, de Francisco Fernandes, não deixa dúvidas: abusa-se de alguém ou de alguma coisa: O mau escritor abusa dos adjetivos. Abusamos das pessoas que amamos. Ele abusou sexualmente de menores.

Brigar com quem?
Dad, em coluna anterior, você disse que existem as grafias prerrequisito e pré-requisito. Quando entro com a coladinha no dicionário, vem a mensagem: "A forma prerrequisito não está atestada no Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp)". E daí? (Aquiles Moisés dos Santos)

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Estou com o Volp aberto na pág. 674. Firmes e fortes, aparecem as duas grafias — prerrequisito e pré-requisito. Será que faltam páginas no seu? Ás vezes acontece. Dê uma olhada. Se a resposta for positiva, a editora lhe dá um novinho em folha.

Socorra o STF
No texto da recente SV 34, encontrei esta pérola: "(...) "desde do advento da Medida Provisória 198/2004". Senti frio na medula. Ou esqueci o que aprendi na escola, ou a preposição de está embutida no desde. Em português escorreito, seria (...) desde o advento da Medida Provisória 198/2004. Há como evitar que o Diário da Justiça do STF cometa o erro? Ou eu é que estou errado? (João Celso)

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Você tem razão, João Celso. O desde é preposição. Não precisa de outra: Desde o lançamento do livro, o assunto chama a atenção. Desde a chegada da chuva, o verde de Brasília renasceu. Abandonou o convívio social desde a morte do parceiro.

Ir e voltar
Outro dia, O Globo publicou: "Aécio vai a Bahia e a Sergipe". Falta crase, não? (Marcos Tavares)

*

O problema da crase não é a regência. É o artigo. Nem sempre sabemos se o substantivo vem acompanhado do pequenino. Há um macete infalível para tirar a dúvida com o nome de países, estados, cidades. Basta substituir o verbo ir pelo voltar e aplicar o versinho:

Se, ao voltar, volto da,

Crase no á.

Se, ao voltar, volto de,

Crase pra quê?

Vamos recorrer ao troca-troca? Eis o resultado:

Aécio volta da Bahia. (Se, ao voltar, volta da, crase no á): Aécio vai à Bahia.

Aécio volta de Sergipe. (Se, ao voltar, volta de, crase pra quê?): Aécio vai a Sergipe.

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