Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Vamos combinar?

29/10/2014 16:12

Tudo muda? Sim, graças aos deuses, nenhum rio passa duas vezes sob a mesma ponte. Movimento é a ordem. Exemplos? O dia dá lugar à noite. A primavera, ao verão; o verão, ao outrono; o outono, ao inverno. A estiagem prepara a chegada da chuva. A água corre. Se ficar parada, apodrece. Esperta, a Lua varia de fases e de cara.

Nós, que de poste não temos nada, seguimos a regra. Variamos o cabelo, a roupa, os sapatos, a comida, a cor do batom e do esmalte. Escolhemos roteiros diferentes para viagens. Fazemos novos amigos. E vamos às urnas a cada dois anos. Abrem-se, então, as portas para caras novas. O verbo eleger entra em cartaz. Não é por acaso. Adepto ao troca-troca, ele mascara a aparência. A letra g, como quem não quer nada, vira j.

Por quê? Em todos os tempos e modos, a pronúncia tem de ser gê. Mas, quando o g é seguido de a ou o, a confusão pede passagem. Soa ga, go (elego, elega). O jeito? Vem, j: elejo, elege, elegemos, elegem; que eu eleja, nós elejamos, eles elejam.

Mesmo time
Eleger tem companheiros. Entre eles, agir. O verbo que manda pôr a mão na massa impõe a pronúncia gê. Pra chegar lá, só há um jeito — pedir socorro ao j: ajo, age, agimos, agem; que eu aja, ele aja, nós ajamos, eles ajam.

Aparências enganam
Moçada, generalizar é proibido. Em eleger e agir, o troca-troca se dá por causa da pronúncia. Não é o caso de viajar. Seguido de qualquer vogal, o j mantém o som. Por isso, viajar se conjuga sempre com j: viajo, viaja, viajamos, viajam; que eu viaje, ele viaje, nós viajemos, eles viajem.

Sem violência
Apesar da lógica, a forma viajem sofre agressões impiedosas. Muitos, mas muitos mesmo, escrevem-na com g. Bobeiam. Viagem é substantivo. O nome não tem nada a ver com o verbo. Um pertence a uma classe. O outro, a outra: agência de viagem, viagem a Miami, preparativos para a viagem.

Superdica
Bateu a dúvida? Recorra a macete pra lá de vira-lata. Ponha a palavra no plural. Se ela joga no time de homens e jovens, não duvide. Você está às voltas com o substantivo. Veja: Eles querem pôr os pés na estrada? Que ponham. Viajem e façam boa viagem. (Viajem e façam boas viagens.) Amém.

Na Pindorama
Os moradores desta alegre Pindorama foram às urnas no domingo. Mudança ou continuidade? Decidiram apostar no pássaro na mão do que em dois voando. Vitoriosa, Dilma falou à nação. Vestia branco, símbolo da paz. Pregou o diálogo. A palavra provocou reação. Só dois falarão? Cadê os outros?

Ops! Trata-se de velha confusão. Muitos entendem que di, que aparece em diálogo, signifique dois. Enganam-se. A composição da palavra é outra. Diá, em grego, quer dizer através de. Lógos, palavra, estudo, tratado. Diálogo é, pois, através da palavra. Não importa quantas pessoas estejam envolvidas. Diálogo é palavras se cruzando. Em bom português: entendimento por meio da palavra.

Leitor pergunta

Li no G1: "Eleita governadora de Roraima, Suely Campos (PP) foi a única candidata do sexo feminino a vencer as eleições em 2014". Será que eles pensam que existe candidata do sexo masculino?
Roberto Barreto, Ipatinga

Tem razão, Roberto. Há desperdício na frase. Que tal aliar economia e clareza? Assim: Eleita governadora de Roraima, Suely Campos (PP) foi a única mulher a vencer as eleições em 2014.

***

No domingo, o jornal publicou: "Os candidatos melhores colocados na eleição para presidente do Paraguai são..." Está correto?
Cícero Xavier do Nascimento, BH

Ops! Antes de particípio, melhor e pior não têm vez. Só mais bem e mais mal ganham aplausos, banda de música, tapete vermelho: Os candidatos mais bem colocados ganham prestígio no Congresso. Os candidatos mais mal colocados não têm vez na formação do governo. Ele foi mais bem classificado no concurso da USP que no da Unicamp. Quem foi o mais mal classificado no Enem? As francesas são as mulheres mais bem vestidas da Europa. As mais mal vestidas? Sei lá.

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