Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Que tal mudar o enredo?

03/12/2014 10:15

Os parênteses são as grandes vítimas da escola. "Errou e não pode apagar?", perguntam os professores. "Ponha entre parênteses." Os pobres alunos aprendem a lição. E repetem-na ao longo da vida. Resultado: dão informações falsas, matam promoções, perdem pontos em concurso. Mas não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe. Vale mudar o enredo. Ao usar os parênteses, você dá um recado: a palavra, expressão ou oração neles contida é secundária, acessória. Entrou ali de carona. Não faz falta.

Trata-se, em geral, de uma explicação, uma circunstância incidental, uma reflexão, um comentário ou uma observação. Veja: O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defende a educação com qualidade. A maioria dos estudantes (quem diria!) sai da escola sem a habilidade de ler e escrever. As últimas eleições (2014) deixaram de fora nomes tradicionais da política — Eduardo Suplicy e Pedro Simon. Recife (ou o Recife) é palco de um dos melhores carnavais do país.

Olho na pontuação
O ponto vai fora quando a expressão encerrada nos parênteses for um pedaço da oração: Nomes tradicionais da política (Eduardo Suplicy e Pedro Simon) se despedem do Senado. Ameaça o abastecimento de água a morte criminosa de rios (muitos transformados em lixeiras).

O ponto vai dentro quando os parênteses englobam toda a oração: As jovens do século 21 perseguem os namorados até concretizar o romance. (Vão em cima com tudo sem se importar se ele quer ou não.) As pessoas obsessivas fazem qualquer coisa para obter o que desejam. (Elas não sabem perder.)

Falou e disse
"Sabendo interpretar o que lê, o estudante organiza as ideias e produz bom texto. O resto é conversa, falsa teoria." (Lygia Fagundes Telles)

Etc. e tal
Com e ou sem e? Ops! Depende. Compare:

Comprei laranja, pera, maçã, abacate, uva. (A ausência do e significa etc. Comprei outras frutas além das citadas.)

Comprei laranja, pera, maçã, abacate e uva. (O e põe ponto final na enumeração. Só comprei as referidas.)

Mais exemplos? Ei-los: Gosto de cinema, teatro e literatura (só aprecio as três diversões). Gosto de cinema, teatro, literatura (aprecio outras, outras e outras).

Por falar em...
Etc. tem ponto no final? Tem. Coincide com o ponto no fim da frase? Sem problema. Fique com um só: Comprei sapatos, bolsas, cintos, colares etc. (A vírgula antes do etc. é facultativa.)

Leitor pergunta

Apesar de? Apesar do? Nunca sei. Pode me dar uma luz?

Jane Gouveia, Canoas

A locução apesar de dá ideia de concessão. Abre uma brecha na declaração principal, mas não adianta nada. As coisas ficam na mesma. Quer ver?

Apesar de estudar muito, não passou no concurso.

Viu? Ele estudou (é a concessão). Não conseguiu passar (declaração principal).

*

Na vida do apesar de há um problema. É a fraqueza da carne. A preposição de não resiste aos encantos do artigo. Basta haver um por perto e pronto. Ela se amiga com ele: Apesar do feriado, o comércio abriu. Estamos todos salvos apesar dos pesares. O Atlético ganhou a partida apesar da bravura do Cruzeiro.

Só num caso eles não se juntam. É quando o artigo faz parte do sujeito. Aí vai um pra lá, outro pra cá. Os dois nem se olham. Por quê? O sujeito tem alergia à preposição: Apesar de o governo (sujeito) negar, corremos risco de enfrentar uma senhora recessão. Apesar de a TV anunciar, o programa não foi ao ar.

*

Reparou na vírgula? Se a oração concessiva (iniciada pelo apesar de) estiver na frente da outra, a principal, vem separada por vírgula. Caso contrário, não: Apesar de vir de ônibus, chegou cedo ao encontro. Chegou cedo ao encontro apesar de vir de ônibus.

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