Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Bem-vindo a Cuba

22/12/2014 10:18

Surpresa! Depois de 53 anos, Cuba e Estados Unidos fizeram as pazes. Milagre? Nem pensar. Foram 18 meses de negociações. Os diplomatas se encontravam no Canadá. Na surdina. A imprensa ficou de fora. Ao noticiar o fato, jornais trouxeram às manchetes palavra pra lá de traiçoeira. É discrição. Não faltou quem trocasse as bolas. Em vez de i, muitos escreveram e. Deu descrição. Os dois vocábulos existem. Mas não se conhecem nem de elevador.

Discrição joga em time pra lá de elitista. Trata-se de clube fechado, em que se cultiva a reserva. Quem tem discrição é discreto. Descrição pertence à patota da língua. Descrever é mostrar algo ou alguém com palavras. O texto descritivo responde à pergunta "como ele é?" ou "como ela é?"

Milagre papal
Os psicólogos frisam sem se cansar: o acaso não existe. Se estão certos, não se deve ao destino a data do anúncio da aproximação Havana — Washington. Barack Obama e Raúl Castro fizeram o comunicado em 18 de dezembro. É o dia de aniversário do papa Francisco. A homenagem se explica. O pontífice mediou o acordo.

Não foi fácil. Como não é fácil a conjugação do verbo que junta cacos ou evita que cristais se quebrem. Mediar se flexiona como odiar. Assim: eu odeio (medeio), ele odeia (medeia), nós odiamos (mediamos), eles odeiam (medeiam).

É assim
Ilhéu é uma ilha pequena. Pode, também, designar quem nasce ou mora em uma ilha. O feminino? É ilhoa sim, senhores: Será Fidel Castro o ilhéu mais conhecido na América?

Caprichos

Os Estados Unidos reataram relações com Cuba.

O Palmeiras joga em São Paulo.

Minas Gerais fica no Sudeste.

Viu? Estados Unidos, Palmeiras e Minas Gerais são nomes próprios escritos no plural. Mas o verbo não se comporta do mesmo jeito com eles. Ora está no singular, ora no plural. A razão: ele fica de olho no artigo. Se o monossílabo estiver no singular, o verbo vai atrás. Se no plural, idem. Se ausente, o singular pede passagem: Os Andes ficam na América. O Santos joga amanhã. Minas é berço de imortais das artes.

Vamos lá?

"Agora, os americanos podem ir a Cuba." Ou seria "à Cuba"? A dúvida bateu nas redações de jornais de Europa, França e Bahia. Muitos chutaram. Ao dar chance ao azar, estenderam tapete vermelho para a Lei de Murphy. O que pode dar errado dá. E deu. Valha-nos, Deus!

Que tal acertar sempre? Crase antes de nome de países, cidades e estados dá nó nos miolos. A culpa é do artigo. Alguns se usam com o pequenino, outros não. Como saber? Basta seguir o conselho deste versinho manhoso: Se, ao voltar, volto da,/ Crase no á./ Se, ao voltar, volto de,/ Crase pra quê?

Vou a Cuba? Vou à Cuba?

Vem, versinho: Volto de Cuba. (Se, ao voltar, volto de, crase pra quê?)

Vou a Cuba.

Leitor pergunta

"Ele saiu quando o irmão chegou." A pontuação está correta? Ou se deve usar vírgula antes de quando?

Aquiles Moisés dos Santos, BH

O período tem duas orações. A primeira é a principal (ele saiu). A segunda, subordinada adverbial de tempo (quando o irmão chegou). O período está na ordem direta. A oração adverbial vem na rabeira, depois da principal.

Se invertemos a ordem delas, a novela muda o enredo. A vírgula se impõe. Ela denuncia o deslocamento da subordinada irrequieta. Compare: Ele saiu quando o irmão chegou. Quando o irmão chegou, ele saiu. Tocou a campainha quando viu luz nos aposentos. Quando viu luz nos aposentos, tocou a campainha. Chora quando chega à cidade natal. Quando chega à cidade natal, chora.

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