Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Chocolate é elefante sim, senhores

19/01/2015 11:41

Que calorão! As altas temperaturas maltratam. Pessoas se viram -- usam roupas leves, tomam chuveiradas, mergulham na piscina, ligam ventiladores, recorrem ao ar condicionado. E os animais? A bicharada também sofre. Chocolate serve de exemplo. O elefante do Zoológico de Brasília exibe ferimento nas costas. Pra se refrescar, joga lama no corpo. Ops! A coisa se agrava.

Veterinários cuidam do grandão. Ele toma remédio e recebe curativos. Vai melhorar. Enquanto se dá tempo ao tempo, valem duas curiosidades. Uma: o feminino do trombudo. São três formas — elefanta, aliá (herdado do Sri Lanka) e elefoa, que o Aurélio e o Houaiss não abonam. O polissílabo só aparece no Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp).

A outra curiosidade tem a ver com a etimologia. De onde vem o nome elefante? A palavra chegou ao português nosso de todos os dias por meio do latim elephantus. Mas não nasceu na terra dos Césares. Veio ao mundo na Grécia. Lá, eléphas-antos designava dois seres – o bicho e o marfim. Não é por acaso. Cobiçadas, as presas do animal são marfim pra lá de valioso.

Nem e nem
O drama do Chocolate ganhou as manchetes e bombou na internet. Muitos acusaram o zoológico de negligência e maus-tratos. "Eles não dão comida e nem medicam o elefante", escrevem a torto e a direito. Opa! Ao defender o animal, eles maltrataram a língua. Ignoraram a manha da conjunção nem. Conhece?

Nem significa e não. Por isso é redundante dizer e nem em construções como a dos advogados do mamífero. Eles têm seguidores. Eis exemplos: Os candidatos dizem que ainda não acertaram os contratos (e) nem definiram as equipes de vídeo. A atriz nunca esteve tão bela (e) nem tão sensual. Ele não saiu (e) nem participou da reunião.

E nem
nunca tem vez? Tem. A duplinha ganha banda de música e tapete vermelho numa construção — no sentido de nem sequer: Ouviu as acusações e nem se abalou. Por que será?

São Paulo com sede

"De dia falta água, de noite falta luz", cantavam os cariocas em tempos idos e vividos. Os paulistanos nem em pesadelo imaginavam viver a mesma história. Mas o impensável acontece. E aconteceu. Com a crise, entrou em cartaz a palavra que arrepia os governantes dos pés à cabeça. É ela —racionamento.

O vocábulo pertence a família pra lá de conhecida. Filho do substantivo razão, tem irmãozinhos pra dar, vender e emprestar. Eis alguns: raciocínio, raciocinar, racional, razoável. E por aí vai.

Cadê dinheiro?

E a conta da luz, hem? Está pela hora da morte. Pior: vai piorar. O bolso treme. Vem aí aumento de 40%. Com o choque de realidade, o radical eletro- entrou em cartaz. Como ficar de bem com ele? É fácil como tirar chupeta de bebê.

Eletro (ou eletro) pede hífen quando seguido de h e o. No mais, é tudo colado: eletro-óptica, eletro-hidráulico, eletrocardiograma, eletromagnetismo, eletrodoméstico, eletrocardiograma.

Leitor pergunta
O sinalzinho & coça minha curiosidade. Diga alguma coisa sobre ele.

Graça Bial, Recife

O símbolo & tem nome. É e comercial. O criador: Marcus Tulius Tiro, encarregado de transcrever os discursos feitos no Senado de Roma. A criatura, que veio ao mundo 63 anos antes de Cristo, tinha uma função – tornar a escrita mais rápida. O & substituía o et (e em português). Com o tempo, o sinalzinho se especializou. Deixou os políticos pra lá e entrou, triunfal, no universo das empresas.

***

Peço que se pronuncie sobre meu espanto ao ler "devem haver gravações", na coluna do Veríssimo. O verbo deve ficar no singular, não?

José Maria de Souza Andrade, Brasília


Tem razão. A impessoalidade é contagiosa. O verbo haver, no caso, não tem sujeito. Fica na 3ª pessoa do singular. O auxiliar vai atrás: Há gravações. Deve haver gravações. Vai haver gravações. Pode haver gravações.

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