Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Volta às aulas

04/02/2015 15:03

Adeus, férias! Adeus, soninho demorado! Adeus, horário livre. As aulas começaram. É hora de respirar fundo, sorrir para o umbigo e partir rumo a novos saberes. Assuntos não faltam. Um deles: a leitura. Outro: a escrita. A moçada estudiosa recorreu à coluna. Quer dicas para atingir dois objetivos — namorar a nota 10 e, de quebra, ser feliz.

Puro prazer
Que tal falar de livros e leituras? A sugestão veio da Mariana. Ela adora ler. E quer porque quer despertar o gosto da leitura nos filhos. Mas não consegue. Decidida, pergunta: "Como fazer a meninada se apaixonar pelos livros?" Mariana, seja generosa. Leia muitas histórias para as crianças. Dê emoção à voz. Deixe-as tocar as ilustrações. Dê-lhes tempo para sonhar, viver outras vidas, soltar a imaginação. Estimule-as a fazer comentários. É assim que nasce o leitor.

Uma vez fisgada, a criaturinha precisa manter o interesse. Pais e professores têm responsabilidade no processo. Passo importante é respeitar os direitos de gente pequena e gente grande também. Conhece? Daniel Pennac os enumera. São 10: o direito de não ler, o direito de pular páginas, o direito de não terminar um livro, o direito de reler, o direito de ler qualquer coisa, o direito ao bovarismo, o direito de ler em qualquer lugar, o direito de ler uma frase aqui e outra ali, o direito de ler em voz alta, o direito de calar.

De letras e sons
Você confunde esses e zês? Todo mundo confunde? Outro dia, Paula escrevia um bilhete. Na hora do "se Deus quiser", pintou a dúvida. Quiser se grafa com s ou z? O xis da questão é o nome do verbo. No caso, o infinitivo é querer. Nele não aparece o zê. Então o zê não tem vez em nenhuma forma: eu quis, ele quis, nós quisemos, eles quiseram, se eu quiser, se Deus quiser, se nós quisermos, se eles quiserem, se eu quisesse, se ele quisesse, se nós quiséssemos.

Mesmo time
Pôr joga no time de querer. Ele também não tem zê no infinitivo. Assim, quando soar a lanterninha do alfabeto, escreve-se s: pus, puseste, pusemos, puseram, puser, pusesse. E por aí vai.

Equipe adversária

Fazer e dizer matam a cobra e mostram o pau. Têm zê no infinitivo. A filharada vai atrás: faz, fazemos, fazem, fiz, fizemos, fizeram, fizer, fizeres, fizermos, fizerem, fizesse, fizéssemos, fizessem; diz, dizemos, dizem.

Coleção
A garotada adora colecionar coisas. Alguns colecionam figurinhas. Outros, selos. Há os que colecionam carrinhos, tampinhas, latas de cerveja ou miniaturas de avião. Vale tudo. Vale, também, chamar a atenção para o português. Coleção de... singular ou plural? O nome do objeto vai para o plural: coleção de selos (não de selo), coleção livros, coleção de cartões-postais, coleção de fotografias, coleção de copos. Lógico, não? Ninguém coleciona um objeto. Coleção é sempre plural.

Mais plural
Par de sapato ou par de sapatos? Grupo de criança ou grupo de crianças? Buquê de rosa ou buquê de rosas? Antes de responder, pare e pense. O par, seja do que for, tem mais de um, o grupo tem mais de um, o buquê tem mais de um. Logo, o complemento é sempre plural: par de sapatos, grupo de crianças, buquê de rosas.

Soprar as velas
Você gosta de festa de aniversário? Todo mundo adora. A gente encontra os amigos, come salgadinhos, bate papos interessantes, ouve boa música e, depois, canta o parabéns pra você. O aniversariante faz o que deve fazer. Apaga as velinhas. Aí, pinta a questão. Ele sopra ou assopra as velas? Tanto faz. As duas formas estão pra lá de certas. O felizardo pode soprar ou assoprar as velas. O resultado é um só. Um bolo pra lá de saboroso.

Leitor pergunta

Outro dia, minha namoradinha me fez esta proposta: "Que tal acrescentar mais amor à vida?" Senti arrepios. Não pela sugestão, pra lá de bem-vinda. Mas pela redundância. Estou certo?
Carlos Mesquita, BH

Que ouvido, hem Carlos? Você tem razão. O mais sobra. Como não dizemos diminuir menos, não podemos acrescentar mais. Basta acrescentar. O convite "vamos acrescentar amor à vida?" soa como música. Afinal, todos sabemos: O amor é cego. Mas não é surdo.

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