Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Entre confetes e serpentinas

11/02/2015 10:57

Pronto pra entrar na folia? Ao lado da fantasia charmosa, dos confetes e serpentinas, reserve um espacinho pro português nosso de todos os dias. Escreva carnaval assim, com inicial minúscula. Por quê? Por motivo pra lá de prosaico. A festa é pagã. Entra no bloco de ano-novo e réveillon.

Apressadinhos

Vamos combinar, moçada? No duro, no duro, o carnaval começa no sábado. Mas quatro dias é muito pouco pra quem dança como louco. E daí? No país do jeitinho, dá-se um jeito. Espicha-se a festa. O puxadinho traz à passarela prefixo pra lá de produtivo. É pré, que dá à luz pré-carnaval.

O pré tem manhas no emprego. Ora se usa com hífen, ora sem: pré-escola, pré-vestibular, pré-estreia, mas preanunciação, preaquecer, precogitar, precondição, predefinido, predelineado, predeterminado, predisposto, preestabelecido, preexistente, prefigurado, prefixado. As causas do emprego de um e outro são pra lá de obscuras. Na dúvida, consulte o dicionário. Ele tem a resposta na ponta da língua.

Eu sou o poder

Nos dias de folia, o cetro e a coroa mudam de mãos. O gordo e alegre Rei Momo comanda os festejos. Como rei, tem majestade. A palavra, na origem, quer dizer poder. Daí por que Sua Majestade faz exigências. Uma delas: a grafia correta da polissílaba e filhotes. Todos se escrevem com j sim, senhores: majestade, majestoso, majestático & cia. sangue azul.

Cabeça virada
Ops! Só de pensar, o carnaval vira a cabeça de gregos, troianos e baianos. A imaginação voa. No percurso, deixa os cuidados pra lá. É o que se viu no Correio Braziliense de ontem. Eis o título: "Tempestade de granizo amassa bico de avião". No texto, o repórter escreve: "A força da turbulência foi tão grande que amassou o nariz do avião". Alexandre Garcia leu. E comentou: "Avião não tem bico. Tem nariz".

Campanha

Deitar e rolar na avenida? Pra lá de legal. Mas preocupa o Ministério da Saúde. Com razão. A moçada se descuida do sexo seguro. Campanhas invadem jornais, rádios, tevês e a internet. Outdoors exibem o alerta em ruas e avenidas. O HIV é o grande vilão. Trata-se do vírus da imunodeficiência humana. A sigla se escreve com as três letras maiúsculas. Por quê?

As siglas têm manhas. Entre elas, sobressai a grafia. Conhece? Ei-las:

1. Todas as letras grandonas caso a sigla tenha até três letras ou se pronuncie letra a letra. Assim: PM (Polícia Militar), PT (Partido dos Trabalhadores), UTI (unidade de terapia intensiva), ONU (Organização das Nações Humanas), PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), BNDES (Banco Nacional do desenvolvimento Econômico e Social).

2. Só a inicial grandona nos demais casos: Detran (Departamento de Trânsito), Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária), Bacen (Banco Central), Masp (Museu de Arte de São Paulo).

O plural? Um essezinho dá o recado: PMs, UTIs, Detrans, Bacens.

Leitor pergunta
Gosto de notícias. Por isso não ouço música no carro. Aproveito a viagem para saber as novidades. Mas uma fala me machuca os ouvidos. Ao anunciar programas, a CBN repete e repete "a partir de 11 horas, a partir de sete horas, a partir de 20 horas". O que me diz?

José Ricardo, Brasília


As construções linguísticas são como as pessoas. Algumas convivem com a solidão. Outras precisam de companhia. A indicação de horas se enquadra no segundo caso. O número vem sempre — sempre mesmo — acompanhado de artigo (às 20 horas, a partir das 11h, desde as 7h, das 8h às 18h). A CBN não dá bola pra exigência. As horas choram. Os ouvintes também.

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