Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Fim de festa

18/02/2015 11:49

Adeus, carnaval! Adeus, folia! Adeus, liberdades e libertinagens! É hora de guardar a fantasia e esperar 2016. Graciliano Ramos, autor de Vidas secas, nos consola: "Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte, a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano".

Enquanto Momo não volta, vivamos a quarta-feira de cinzas e a quaresma. Vale, em período de luto transitório, investir na linguinha nossa de todos os dias. Quaresma e quarta-feira de cinzas são substantivos comuns. Vira-latas, grafam-se com a inicial pequenina: Na quarta-feira de cinzas, o cristão começa a cumprir as exigências da quaresma.

A origem
Sabia? Quaresma pertence à família do quatro. Entre os membros do clã, há criaturas respeitáveis e outras nem tanto. Eis pequena amostra: quarenta, quadrado, quadra, quadrilátero, quadrilha, quadrilheiro, quadriculado, quarentena, quaresmeira, esquadra, esquadrão, esquadilha.

Com elo ou sem elo?

O verbo do carnaval? É usufruir. Ao usá-lo, prefira a regência direta, sem preposição. Assim: Na festa momesma, usufruiu a companhia dos amigos. Muitos deixaram o samba pra lá e usufruíram as águas mornas do Nordeste.

De Manuel Bandeira

"A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros.
Vinha da boca do povo
Língua certa do povo
Porque ela é que fala gostoso o português do Brasil."


Senhora confusão
O ou u? Em muitas palavras, a pronúncia é a mesma. Mas a grafia não. Arma-se, então, senhora confusão. Uma delas: mudança no significado de vocábulos. É o caso de comprimento (extensão) e cumprimento (saudação, realização). É o caso também de soar (emitir som) e suar (transpirar).

Sem trocar as bolas
Á, é, i, ó, u são as vogais. O ó e o u ficam no fim do quinteto. Nem por isso primam pela modéstia. Ao contrário. Causam estragos sempre que podem. Em muitos vocábulos, soam do mesmo jeitinho. E daí? Se tiver um dicionário por perto, pergunte a ele. Se não, grafe com o — bolacha, bússola, costume, moleque, boteco.

E o u? Tem lugar cativo em nomes pra lá de familiares. A carta do baralho se chama curinga. A fruta pretinha e doce 100% tupiniquim, jabuticaba. O roedor esperto, camundongo. O bichinho que não sobe em árvore, jabuti. De tábua vem tabuada.

Nem mais nem menos
Não escreva nem mais nem menos do necessário pra dar o recado. Daí as duas regras de ouro do estilo contemporâneo. Uma: menor é melhor. A outra: menos é mais. Candidatos à tesoura não faltam. Um deles tem a ver com último — usado na indicação de mês, ano e século. Diga último mês (não último mês de janeiro), último ano (não último ano de 2014), último século (não último século 20).

Olha o sol, gente
Você sabe, não? Exposição ao sol exige cuidados. Um deles: filtro solar. Sem a proteção, os raios ultravioleta fazem estragos. Além do envelhecimento prematuro da pele, abrem as portas para o câncer e a catarata. Valha-nos, Deus!

Por falar em ultravioleta, vale repetir. A polissílaba é invariável. Não tem feminino, masculino, singular ou plural. Com ela, é tudo igual (raio ultravioleta, raios ultravioleta). A camada de ozônio nos protegé dos raios ultravileta.

Sobre-ultra…
Hífen é castigo de Deus. O emprego do tracinho tem tantas regras e tantas exceções que só nos resta uma saída — comer pelas beiradas. Sem um dicionário por perto, guarde a dica: ultra pede hífen quando seguido de h e a. Valem os exemplos de ultra-homérico, ultra-avançado, ultravioleta, ultrarrebelde, ultrassom, ultrapassado.

Leitor pergunta
Li no jornal: "Cada um dos 240 novos congressistas que tomaram posse no Legislativo este ano terão direito a destinar R$ 10 milhões em emendas do Orçamento da União de 2015 para suas bases eleitorais". Que tal?

Roberto Barreto, Ipatinga

Baita tropeço na concordância. Cada um exige o verbo no singular. Assim: Cada um dos 240 novos congressistas que tomaram posse no Legislativo este ano terá direito a destinar R$ 10 milhões em emendas do Orçamento da União de 2015 para suas bases eleitorais.

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