Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Tempos aumentativos

04/03/2015 11:19

O governo promove tarifaço. Caminhoneiros fazem buzinaço. Mascarados se envolvem em badernaço. Brasileiros planejam manifestaço país afora. Eleitores recorrem ao telefonaço pra frear a farra dos deputados. Ufa! São tempos aumentativos. O sufixo -aço dispensa adjetivos. Sozinho, dá ideia de grandeza ou intensidade. O golaço de Neymar tem mais brilho que um simples gol. O ricaço tem conta bancária mais gorda que o humilde rico. A festança em homenagem a Dominguinhos tem tons acima da festa vira-lata.

Cidade refém
Brasília parou. Manifestações fecham ruas e impedem o ir e vir da população. O assunto ganhou manchete do Correio Braziliense. "Cidade refém de protestos", diz o texto. Leitores interessados na notícia e na língua, pararam, pensaram e perguntaram: "Por que reféns tem acento e hifens não? Ambas as palavras terminam em ens.

A resposta tem tudo a ver com um dos caprichos da língua. Desde que o português nasceu, lá pelo século 12, oxítonas e paroxítonas fizeram um acordo. Eis o acerto: o que acontece com umas não acontece com as outras. Ora, se a oxítona reféns exibe o grampinho, a paroxítona hifens o dispensa. No plural não ocorre coincidência. Vem, acento: hífen (hifens), éden (edens).

Lição acriana

O Acre vai morrer afogado? O estado, que sofre a maior cheia em 132 anos, virou notícia. Com as manchetes pintaram duas dúvidas. Uma delas: qual o adjetivo pátrio de Acre? É acriano. Assim mesmo, com i. A outra: por que enchente se grafa com ch? Em português, impera esta regra — a família fica acima de tudo. Daí por que cheio, encher, enchente.

Se a família está fora da parada, cessa tudo o que a musa antiga canta. Entra em cartaz a norma que manda escrever x depois de en: enxada, enxofre, enxugar, enxoval, enxame, enxaqueca.

Porre & cia

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Quem bebe mais? O universitário Humberto Fonseca, de 23 anos, correu atrás do troféu. Bebeu 25 doses de vodca. Ganhou a competição, mas perdeu a vida. Os colegas, atônitos, perguntavam: "Ele estava bêbado ou bêbedo?" Tanto faz. Bêbado e bêbedo dão o mesmo recado: a criatura abusou do copo.

Chile em alerta
Azeitem as canelas e corram. No sul do Chile, o vulcão Villarrica entrou em erupção. Mais de 3 mil pessoas que moravam por perto fugiram da fúria da natureza. Não se trata de novidade. Volta e meia, o país vizinho enfrenta erupções de lavas ferventes. Lembra, por isso, a etimologia da palavra vulcão. Conhece?

Ela vem da mitologia grega. Vulcano era um dos 12 deuses que habitavam o Olimpo. Era feio e mancava de uma perna. Mas tinha senhora habilidade. Metalúrgico pra lá de talentoso, fez o trono e o cetro de Zeus, o deus dos deuses; forjou a armadura de Aquiles, o tridente de Posêidon, as flechas de Apolo. O maçarico que usava na solda soltava faíscas que lembram a barriga em chamas do vulcão.

Sou cega
O radialista Airton Medeiros entrevistava ao vivo na Rádio Nacional a presidente de uma associação de cegos. Dizia que ela era cega. Lá pelo meio do programa, recebeu um papelzinho com a recomendação de que a tratasse de "deficiente visual". Antes de obedecer à ordem, Airton perguntou se deveria continuar tratando-a de cega ou de deficiente visual. Ela aproximou as mãos do rosto dele até tocar os óculos. Então afirmou: "Deficiente visual é você, que usa óculos. Eu sou cega".

Leitor pergunta

Grosso modo ou a grosso modo? Ouço as duas formas. Não sei qual delas é correta. Pode me ajudar?
Júlia Nóbrega, BH

A expressão é pra lá de ardilosa. Muitos a presenteiam com a preposição a. Nada feito. Ela dispensa a muleta. Prefere manter a duplinha — grosso modo. As duas palavras querem dizer de modo grosseiro, impreciso, aproximado: A pesquisa revelou, grosso modo, mais de 1.000 processos secretos.

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A gente chama atenção ou chama a atenção?
Carmem Silva, Niterói

A gente chama a atenção de alguém. Eu chamei a atenção de Maria. Maria chamou a atenção de Paulo. O chefe chama a atenção para o uso das máquinas.

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