Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Dólar no alto? E nós com isso?

25/03/2015 16:11

O dólar está nas alturas? Está. Muitos não estão nem aí pra subida da verdinha. Não planejam viagens ao exterior nem ambicionam produtos importados. Pensam, por isso, que podem ficar despreocupados. Bobeiam. A disparada da moeda americana é democrática. Bate no bolso de ricos e pobres.

Exemplos não faltam. Um deles: o pãozinho nosso de todos os dias. A gostosura que frequenta a mesa acompanhada de manteiguinha jeitosa vai ficar mais cara. Que coisa! É que a farinha de trigo vem de fora. Paga-se com dólar. Com os mesmos reais, compram-se menos unidades. Convém, pois, lembrar-se de manha pra lá de sofisticada da palavra.

O plural de pão é pães. O de pãozinho, pãezinhos. Viu? A flexão do diminutivo obedece a esta caminhada:

1º passo: o plural da palavra primitiva (pães)

2º passo: a retirada do s (pãe)

3º passo: o acréscimo do sufixo -zinhos (pãezinhos)


Mesmo time

Time do eu sozinho? Não existe. Outras criaturas formam a equipe. No caso do plural do diminutivo, entram na jogada as palavras terminadas em ão, r, l e m. Todas obedecem à mesma trajetória de pão.

Veja: cão (cães — cãezinhos), botão (botões — botõezinhos), cartão (cartões — cartõezinhos), cidadão (cidadãos — cidadãozinhos), mulher (mulheres — mulherezinhas), professor (professores — professorezinhos), papel (papéis — papeizinhos), lençol (lençóis — lençoizinhos), plural (plurais — pluraizinhos), homem (homens — homenzinhos), nuvem (nuvens — nuvenzinhas).

Moral da opereta
O diminutivo enriquece a expressão. Deixa a razão pra lá e acrescenta emoção ao anunciado. Fala de amor, ódio, carinho, ironia. Mas não o faz de graça. Ao contrário. Cobra caro. O percurso pra chegar ao plural serve de prova. Ufa!

Sem bobeira

Viu? Papéis e lençóis têm acento. São oxítonas terminadas com os ditongos abertos éi e ói. O diminutivo manda o grampinho bater à porta de outra freguesia. Por quê? Os acentos (agudo e circunflexo) só recaem na sílaba tônica. É o caso. As fortonas de lençoizinhos e papeizinhos é zi. Adeus, agudão!

Quem diz o que quer…
O poeta olha firme para o gato e diz:

— Estou sentindo dificuldade para criar. Preciso criar. Entendeu? Criar! Criar!

O animal responde com todos os miados:

— Que tal periquito? Não dá trabalho algum.

De Deus e de nós
O futuro a Deus pertence? Pode ser. Mas a língua é nossa. Para usá-la, existem regras. A indicação do porvir pode ser feita de duas formas. Uma: o futuro simples (contribuirá). A outra: o futuro composto (vai contribuir). Assim — com o verbo ir no presente. Nunca no futuro como disse o ministro:

— O governo federal, no que puder contribuir, irá contribuir.

Xô, dose dupla! O governo vai contribuir? Contribuirá? Que contribua. Sem enrolação. E sem bombardear o idioma nosso de todos os dias.

Leitor pergunta

Estava na fila do banco do tribunal. Um senhor com pinta de advogado indignou-se com a moça do caixa:

— Minha filha, o que quero é um papel para mim assinar. Você está me entendendo? Ou estou falando grego?

Se ele fala grego, não sei. Mas "pra mim assinar" não é português. Ou é?

Sérgio Sampaio, Porto Alegre

Mim não faz nem acontece. Eu é que faço e aconteço. O sujeito só pode ser eu: Papel para eu assinar. Trabalho para eu fazer. Livro para eu ler.

Não é sujeito? O mim pede passagem: Quero um papel para mim. Fez o trabalho para mim. Para mim não é bom comer agora.

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