Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Desta pra outra

06/04/2015 12:43

Páscoa é palavra hebraica. Quer dizer passagem. Bem antes de Moséis vir ao mundo, os pastores nômades comemoravam a data. Cantavam e dançavam pela despedida do inverno e a chegada da primavera. Na nova estação, a neve se ia. Os campos se cobriam de pastagens. Os alimentos abundavam.


Mais tarde, os judeus adotaram a Páscoa. Lembravam, com sacrifícios, a saída do povo de Israel do Egito — a passagem da escravidão para a liberdade. No livro Êxodo, a Bíblia conta a história. Em 325, os cristãos instituíram a Páscoa. Com ela, exaltam a ressurreição de Cristo — a passagem da morte para a vida. Para católicos e protestantes, a Páscoa simboliza a morte vicária. Jesus morreu em nosso lugar. Para salvar-nos.

Vem pro meu lugar, vem
A religião fala em morte vicária. A língua, em termo vicário. Ambas têm dois pontos comuns. O primeiro: a substituição. A morte de Cristo substituiu a dos homens. O termo vicário toma o lugar de outro citado. O segundo: o objetivo nobre. Jesus salvou as pessoas. O termo vicário evita repetição.
Oba! O português tem alergia ao mais do mesmo. Para evitar a monotonia, convocou pronomes e verbos. É o caso do pronome pessoal da 3ª pessoa (ele, ela, lhe, o, a) e do verbo fazer. Compare:

Maria tem triplo expediente. Maria trabalha das 8h às 18h. Depois, estuda.

Maria em dose dupla? Ninguém merece tanta monotonia. Vem, vicarinho:

Maria tem triplo expediente. Ela trabalha das 8h às 18h. Depois, estuda.

***
Telefonei pra Paulo. Na ocasião, dei a Paulo instruções para a prova.

Xô, repetição! Vem, variedade:

Telefonei pra Paulo. Na ocasião, dei-lhe instruções para a prova.

***
Viu Luís de longe. Mesmo assim, cumprimentou Luís.

Melhor variar:
Viu Luís de longe. Mesmo assim, cumprimentou-o.

Fazer substitui

Há pessoas sem caráter. E verbos também. O campeão da gangue é fazer. Num piscar de olhos, lá está ele no lugar de outro. Quer ver?

Os sem-terra ameaçaram invadir a fazenda. Num piscar de olhos, invadiram a fazenda.

Pobreza de estruturas, não? Melhor apelar para o vicário:

Os sem-terra ameaçaram invadir a fazenda. Num piscar de olhos, fizeram-no.

Vicário no folclore
A frase jocosa atribuída a Jânio Quadros entrou no folclore político. Nela, o bigodudo abusou do vicário:
— Por que o senhor renunciou?, perguntaram os repórteres.
— Fi-lo (renunciei) porque qui-lo (quis renunciar), respondeu o homem da vassourinha.

Achei!
“Você sempre quis que alguém morresse de amor por você. Jesus morreu.” (Tainha Ferreira)

Viva
"A Páscoa chegou e os chocolates devem estar morrendo de inveja de você. Sabe por quê? Porque você tem Talento, Pretígio, vale mais que Ouro Branco e brilha mais que Diamante Negro. Merece receber uma Serenata de Amor e viver um lindo Sonho de Valsa. Quem tem a sua amizade pede BIS. (Therezamaria Luciola)

Roldão Dimas Filho escreve

“A mídia, não se sabe bem a razão, adotou de forma descabida a expressão por conta de em vez de por causa de ou devido a. É praga como empregar gênero em vez de sexo. Gênero se aplica a categoria gramatical. E sexo aos animais. Por exemplo: Mulherão é uma palavra do gênero masculino, aplicada a uma pessoa do sexo feminino.”

Leitor pergunta
Repetir de novo é pleonasmo?
Tereza Costa, Recife

Pode ou não ser pleonasmo. Repetir é dizer outra vez. Você repetiu só uma vez? Não use de novo. Mais de uma vez? Ufa! É de novo.


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