Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Tudo de bom e algo mais

08/04/2015 10:57

A leitura de jornal só traz vantagens. De um lado, informa, analisa e apresenta diferentes pontos de vista. De outro, permite que avaliemos os conhecimentos de língua. Manchetes, chamadas e matérias provocam. De repente, não mais que de repente, uma passagem levanta questionamentos. É isso mesmo?", perguntamos. Pintam, então, dúvidas que exigem solução.

Foi o caso da manchete do Correio Braziliense de ontem: "Homem em fúria leva pânico a escola do DF". Leitores entupiram e-mails e congestionaram as linhas telefônicas. A questão: falta crase? A resposta: não. O porquê: não ocorre casamento de dois aa. Solteirinho da silva, o "a" é preposição pura.

Como saber?

Existe um truque pra lá de efetivo. Trata-se do troca-troca. Conhece? Basta substituir a palavra feminina por uma masculina (não precisa ser sinônima, mas precisa ter o mesmo número — singular ou plural). Se na mudança der a ou o, o acentinho não tem vez. Se der ao ou aos, o grampinho tem lugar cativo. Vamos à frase que deu nó nos miolos de goianos e baianos:

Homem em fúria leva pânico a escola do DF.

Vem, machinho:

Homem em fúria leva pânico a colégio do DF.

Viu? O truque deu a resposta. Sem ao, nada de crase.

Fixação
Com crase ou sem crase? Faça a sua aposta:

1. No domingo, fomos a praia e, depois, a livraria Cultura e a galerias conhecidas na cidade.

2. Dirigiu-se a turma que o esperava desde as 8h da manhã.

3. Produto sujeito a avaliação de qualidade.

Vamos ao troca-troca?
No domingo, fomos ao clube e, depois, ao parque e a espaços conhecidos na cidade. (No domingo, fomos à praia e, depois, à livraria Cultura e a galerias conhecidas na cidade.)

Dirigiu-se ao grupo que o esperava desde o meio-dia. (Dirigiu-se à turma que o esperava desde as 8h da manhã.)

Produto sujeito a exame de qualidade. (Produto sujeito a avaliação de qualidade.)

Moral da opereta

"A crase", escreveu Ferreira Gullar, "não foi feita pra humilhar ninguém." Foi feita pra indicar o casamento de dois aa. Na dúvida se a dupla juntou os trapinhos, há o truque do troca-troca. Com ele, adeus, indecisão! Bem-vinda, certeza.

Outra questão

Ontem o jornal foi pródigo em provocações. Além da manchete, esta chamada no alto da capa despertou dúvidas: "Billie Holiday, que faria hoje 100 anos, morreu em 1959, mais ainda é cultuada como a maior intérprete do jazz".

Ops! Viu o tropeço? O redator trocou mas por mais. Pra não cair na esparrela, vale a dica:

A conjunção mas dá ideia adversa. Pode ser substituída por porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto: Billie Holiday, que faria hoje 100 anos, morreu em 1959, porém ainda é cultuada como a maior intérprete do jazz.

O advérbio mais aceita ser trocado pelo sinalzinho +: Bia comeu mais do que eu. (Bia comeu + do que eu.) Maria é mais bonita que Paula. (Maria é + bonita que Paula.)

Leitor pergunta

As palavras menas e membra existem? Fiz uma consulta no site da Academia Brasileira de Letras e lá estavam elas. E aí?

Geraldo Adriano Nogueira de Souza, Andrelândia


O Aurélio e o Houaiss ignoram as duas palavras. O Vocabulário ortográfico da língua portuguesa (Volp) as registra. Menas aparece como substantivo feminino. Usa-se em frases como esta: "O menas não é forma aceita pela norma culta". Jamais pode ser empregada como advérbio (menas bonita, menas inteligentes). Membra também figura como substantivo feminino. Empregue-a em contexto como este: "As feministas querem impor a palavra membra em vez de membro para dar mais visibilidade ao sexo da pessoa". Valha-nos, Deus! Xô! A língua joga no time da mulher de César. A primeira-dama de Roma não só tinha de ser honesta. Tinha de parecer honesta. A língua não só tem de ser correta. Tem de parecer correta.

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