Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Sua Excelência o receptor

13/04/2015 11:41 | Atualização: 13/04/2015 11:43

Escrever e falar são verbos transitivos. Escreve-se para alguém. Quem? O leitor. Fala-se para alguém. Quem? O ouvinte. Uns e outros são pessoas atentas. Ligam-se na notícia e no jeito de apresentá-la. São também críticas. Aplaudem o bom texto e censuram a redação torturada. Nada lhes escapa. Além dos erros de grafia, concordância, regência, pontuação, apontam pleonasmos, repetições e impropriedades vocabulares. Quer ver?

Sugestão
Rômulo Resende leu a coluna de quarta-feira. Deparou-se com esta passagem: "A língua joga no time da mulher de César. A primeira-dama de Roma não só tinha de ser honesta. Tinha de parecer honesta. A língua não só tem de ser correta. Tem de parecer correta". Não gostou. Como quem fica parado é poste, pôs mãos à obra. Escreveu texto que lhe pareceu melhor e o encaminhou para o jornal. Ei-lo: "A segunda parte de sua citação ficaria mais charmosa assim: `Tem, outrossim, de parecer correta`." Que tal?

Sem acordo
Ainda sobre a coluna de quarta, Dario B. Leite questionou esta afirmação: "A leitura de jornal só traz vantagens. De um lado, informa, analisa e apresenta diferentes pontos de vista. De outro, permite que avaliemos os conhecimentos de língua". Eis o que escreveu: "Quanto à vantajosa leitura de jornal, Mark Twain tinha opinião bem diversa. Ele escreveu que, se alguém não lê os jornais, fica desinformado, mas, se os lê, fica mal-informado. Thoreau foi mais incisivo: `Blessed are they who never read a newspaper`. Eça, ou pelo menos Fradique Mendes, achava que o jornal é o pai da mentira".

Ratos e ratos

Soltaram ratos na CPI da Petrobras. Correriiiiiiiiiiiiiiiiiiiia. Apanhados os bichos, João José Forni ironizou: "Caçados os ratos verdadeiros, ficaram na CPI os humanos que, por vezes, agem como os roedores, roendo o patrimônio público".

Coerência

Roberto Barreto escreve: "A primeira matéria do Bom Dia, Brasil de quinta foi sobre a pesquisa da Unesco a respeito da educação. Cumprimos apenas duas das seis metas por falta de planejamento, gestão, verba, capacitação de professores, salário, prioridade, vontade. E o comentário final da apresentadora foi bom exemplo de como estamos: `O Brasil ainda não conseguiu atingir as metas estabelecidas há 15 anos atrás´. Senhor pleonasmo, não? Há indica tempo passado. Atrás também. Melhor separar a dupla redundante: O Brasil ainda não conseguiu atingir as metas estabelecidas há 15 anos. O Brasil ainda não conseguiu atingir as metas estabelecidas 15 anos atrás".

Mais do mesmo

"O Bom-dia, Brasil de quinta estava como a macaca", brincou a Bia Sampaio. "Abusou dos pleonasmos. Além do `há…atrás´, soltou esta ao falar da alimentação saudável: `O índice de quem come arroz e feijão se manteve praticamente o mesmo´. Vamos combinar? Só se pode manter o mesmo. Se não é o mesmo, mude-se o verbo. Quer dar ritmo à frase? Vamos lá: O índice de quem come arroz e feijão se manteve praticamente sem mudanças."

Obesidade

Carmita Serena conta: "Estava assistindo ao telejornal Edição das 10, da GloboNews. Prestei atenção à matéria sobre a missa de sétimo dia celebrada pela alma do filho do governador Geraldo Alkmin, morto em queda de helicóptero. Ao ouvir esta passagem, fiquei com os cabelos em pé: `Além de Thomaz Alkmin, outras quatro pessoas morreram no acidente´. Pergunto: qual o papel do pronome outras? Desnecessário, ele engorda a frase e irrita o ouvinte. Fora!"

Leitor pergunta

É correta a expressão grande maioria? Os nossos jornalistas usam e abusam da duplinha. Eles estão certos e eu equivocado?

Frederico Augusto Tavares de Melo, Recife

No caso, Frederico, a resposta é sim. Maioria é metade mais um. Às vezes, a maioria é pra lá de expressiva. Vale um exemplo: se de 100 parlamentares 98 voltaram não, a grande maioria recusou o projeto. Xô!

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