Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Petrobras, pra que te quero?

27/04/2015 19:04

Ufa! Finalmente a Petrobras entregou o balanço. Duas palavras chamaram a atenção. Uma: atraso. A estatal deveria ter divulgado o documento cinco meses atrás. Não o fez. A segunda: prejuízo. Nada menos de R$ 22 bilhões escorreram pelo ralo. É dinheiro pra dar, vender, emprestar e… sobrar.

Enquanto a Operação Lava-Jato vai atrás das perdas e dos responsáveis, valem as dicas de grafia dos vocábulos que despertaram a curiosidade de leitores interessados em entender os porquês de letras e acentos. A história tem lógica.

Pai e mãe

As palavras têm pai e mãe. Se a original se grafa com determinada letra, ela vira sobrenome dos descendentes. Vale o exemplo de casa. O s do radical aparece nos derivados (casinha, casona, casarão, casebre, casar, casamento). Vale, também, o exemplo de gorjeio. O j se repete filharada afora: gorjear, gorjeante & cia.

Atraso pertence a time pra lá de familiar. A origem é a preposição trás. O s da mãezona se repete na filharada: atrás, detrás, atrasar (pôr para trás), atraso, atrasado, retrasar, traseiro, traseira.

Xô, parceria
Casamento é bom? Muita gente gosta. Junta os trapinhos e compartilha alegrias, tristezas, sucessos, fracassos. Mas, como repetia Nelson Rodrigues, a unanimidade é burra. Há os que rejeitam a união desde sempre. E há os que se arrependem no caminho. O jeito? Um vai pra lá; o outro, pra cá.

É o caso de prejuízo. A duplinha ui forma ditongo. Inseparáveis, as duas letras se pronunciam numa só emissão de voz. Rui, fui, fluido, cuidar, distribui, conclui servem de exemplo. Pra separá-las, só há uma saída. Convocar o acento. O agudo faz a mágica. Quebra o ditongo. Transforma-o em hiato: flu-í-do, dis-tri-bu-í, con-clu-í, pre-ju-í-zo.

História de meninos
É hora do recreio. A meninada conversa, corre, pula, grita. Sem mais nem menos, dois garotos se afastam do grupo e se dirigem ao consultório médico da escola. A enfermeira os recebe intrigada. Pergunta:

-- O que houve?

-- Eu engoli uma bola de gude.

-- E você?

-- A bola é minha. Estou esperando por ela.

Sem elo
Brasília completou 55 anos. Sobraram homenagens. A capital dos brasileiros mereceu reportagens nas rádios, nas tevês e nos jornais. Aos leitores atentos uma grafia chamou a atenção. Trata-se do ordinal de 55. Alguns juravam que o hífen deveria ser convocado na escrita da duplinha. Outros diziam que o traço não tinha vez. E daí? Consultada, a gramática deu a resposta. Numerais ordinais dispensam elos. As partes ficam livres e soltas: décimo primeiro, vigésimo oitavo, vigésimo terceiro e, claro, quinquagésimo quinto.

Por que escrevo?
"Se escrevo é primeiro porque amo os homens. Tudo vem disso pra mim. Amo e por isso é que sinto esta vontade de escrever, me importo com os casos dos homens, me importo com os problemas e necessidades deles. Depois escrevo por necessidade pessoal. (Isso é pro caso dos versos.) Mas, mesmo isso, psicologicamente pode ser reduzido a fenômeno de amor porque ninguém escreve para si mesmo a não ser um monstro de orgulho. A gente escreve pra ser amado, pra atrair, pra encantar." (Mário de Andrade)

Leitor pergunta


Vigir? Viger? Nunca sei. Na dúvida, troco seis por meia dúzia. Uso entrar em vigor. Viva! Mas a dúvida permanece. Pode me ajudar?
Rafael Castanho, Anápolis

Olho vivo! Vigir não existe. A forma é viger. Intolerante, o verbo odeia o a e o o. Por isso só se conjuga nas formas em que essas vogais não aparecem depois do g. A 1ª pessoa do presente do indicativo (eu vigo) não tem vez. Nem o presente do subjuntivo. Que eu viga? Uhhhhhhhh! Nas demais, é regular. Conjuga-se como viver: vives (viges), vive (vige), vivemos (vigemos), vivem (vigem), vivi (vigi), vivia (vigia). Etc. e tal.

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