Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Luau ou lual, eis a questão

04/05/2015 14:38

Luau ou lual? A discussão vem de longe. Há décadas os brasileiros se dividem. Uns grafam a palavra com u porque dizem ser o vocábulo importado do Havaí. A população de lá costuma promover festas ao ar livre, em geral na praia em noites enluaradas. Na ocasião, serve um prato típico chamado luau.

Outros apostam na escrita com l. Seria derivada de lua com a convocação do sufixo al. Jogaria no time de musical (música), visual (visão) e anual (ano). O dicionário acabou com o bate-boca. Nele só aparece o verbete luau. Mas nem todos se conformaram. Há quem queira fazer homenagem à rainha da noite.

É o caso de empresários de Brasília. Inspirados na segunda maior festa familiar da China (Festa da Lua), eles sonham homenagear o luão que navega num dos mais belos céus do mundo. Como chamar o evento? Aí, não há saída. É lual sim, senhores.

Com e sem pedigree
Lua ou lua? Sol ou sol? Nome próprio ou comum? Depende. O astro tem pedigree (eclipse do Sol, eclipse da Lua, chegada à Lua). A luz do Sol e a claridade da Lua pertencem ao time dos vira-latas: É bom tomar sol até as 11h. O sol do meio-dia é prejudicial à pele. A claridade da lua entrava pelas frestas da janela.

Lua de mel
Casamento está na moda. Depois da tal união estável, tornou-se mais seguro juntar os trapinhos com papel passado. A razão é simples: as regras são claras e objetivas. Não dependem da interpretação do juiz. A indústria dos casórios entra em cartaz. Roupas, festa, presentes, cabelo, maquiagem, cerimonial, álbuns, filmagens… ufa! A lua de mel faz parte do pacote. Além da escolha do local, uma questão quebra a cabeça dos apaixonados. Trata-se da grafia do trio. Com hífen ou sem hífen? Antes era com o tracinho. Depois da reforma ortográfica, afrouxaram-se os laços. Ficou tudo livre e solto. Assim: Lua de mel, pé de moleque, mão de obra, testa de ferro, dor de cotovelo.

Grife
A Revista do Correio publicou esta frase: "A caneta não é uma Mont Blanc estrelada, tão comum nos bolsos de médicos renomados. É uma sem marca de grife". O leitor Roldão Simas Filho leu. Levou um baiiiiiiiiiiiiiiiiiita susto. Passado o espanto, comentou: "Marca de grife é redundância. Grife já significa marca, rótulo, logotipo. Lembro que grifar é sublinhar; marcar palavra ou número com sublinha a fim de chamar a atenção".

Show da política
Você ouve discursos de políticos? Se a resposta for sim, deve levar sucessivos sustos. Suas Excelências pisam a pronúncia sem cerimônia. Uma das vítimas é rubrica. Por alguma razão que até Deus ignora, eles a brindam com vistoso acento no u. Uiiiiiiiiiiiiii! Os ouvidos reclamam. Com razão. Rubrica e fabrica são irmãzinhas inseparáveis. A força delas mora na casa do meio — a paroxítona (bri). A dupla tem vizinhos legais. À direita, a senhora oxítona. À esquerda, a dona proparoxítona. Confundir endereços? Valha-nos, Deus. Papai Noel entregará os presentes para quem não pediu. Convenhamos: ninguém merece pagar tal mico.

Leitor pergunta

Acho curioso o nome da energia que vem do vento. Por que se chama eólica?
Carlos Sampaio, BH

A história vem de longe. Nasceu na mitologia grega. Éolo é o senhor dos ventos. Prende todos eles nas ilhas Eólias. Dois irmãos se destacam entre os prisioneiros. Um deles: Bóreas. Deus do vento norte, ele só ganha a liberdade no inverno. Ao soprar, o mundo vira freezer. O outro: Zéfiro, o deus do vento oeste. Solta-se na primavera. Alado, o belo jovem voa mundo afora. Espalha flores e calores. O poderoso Éolo dá nome à energia do vento — energia eólica. Com ela, movimentam-se cataventos para extrair água do subsolo, acionam-se moinhos para triturar grãos, etc. e tal.

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