Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Sangue azul e os outros sangues

06/05/2015 10:21 | Atualização: 06/05/2015 10:23

Todos são iguais? Qual o quê! Existem os mais iguais. É o caso dos nobres. Nas veias de tão especiais criaturas, circula sangue azul. O vermelho fica pros outros mortais. Até no nome os aristocratas sobressaem. É o caso da Charlotte Elizabeth Diana.

A princesa recém-nascida carrega o peso da tradição milenar da realeza britânica. Daí por que, logo que veio ao mundo, a menininha excitou curiosidades e levantou questões. Uma se relaciona com o português nosso de todos os dias e de todos nós: bebê tem feminino?

Antes, bebê era como os anjos. Não tinha costas nem sexo. O bebê dava conta dos dois gêneros. Veio o movimento feminista. As mulheres quiseram dar visibilidade ao feminino. Conseguiram. Bebê agora joga no time de nobre e estudante. O artigo diz se nos referimos a ele ou a ela: o nobre, a nobre, o estudante, a estudante, o bebê, a bebê.

Realeza inglesa
Realeza se grafa com z. Inglesa, com s. Por quê? A resposta não está na pronúncia. Nos dois vocábulos, o som é o mesmo. A diferença tem a ver com a origem da palavra:

1. Os sufixos -eza e -ez formam substantivos abstratos derivados de adjetivo: limpo (limpeza) grande (grandeza), rico (riqueza), safado (safadeza), sutil (sutileza), macio (maciez), honrado (honradez), altivo (altivez), lúcido (lucidez), mudo (mudez), sensato (sensatez), surdo (surdez).

2. Os sufixos -es e -esa formam adjetivos derivados de substantivo: Inglaterra (inglês, inglesa), Portugal (português, portuguesa), Escócia (escocês, escocesa), França (francês, francesa), freguesia (freguês, freguesa), burgo (burguês, burguesa).

Superdica
Na dúvida, seja esperto. Respire fundo, pare e pense. A palavra deriva de substantivo? Dê passagem ao s. De adjetivo? Dê a vez ao z. A origem é a chave do enigma.

Bem aberto
A dengue se espalha. Virou epidemia. Sobram enfermos e faltam hospitais. No país do jeitinho, improvisam-se tendas para os atendimentos inadiáveis. Ao expor o quadro dramático de São Paulo, repórter se referiu aos prontos-socorros. Ops! Duvidou da pronúncia. Socôrros ou socórros? Socorro joga no time de corpo. O ó é aberto como se tivesse baita acento agudo sobre a letra: corpos (córpos), prontos-socorros (prontos-socórros).

Duas mortes
Que tal mandar o transmissor da dengue pro quinto dos infernos? São duas mortes. Uma: real. Sem água limpa parada, o bandido morre de inanição. A outra: metafórica. Grafar o nome do vilão como manda o dicionário, mata-o de raiva. São dois passos. Escreva-o em itálico. Aedes tem inicial maiúscula; aegypti, minúscula. Xô, Aedes aegypti.

Menos, mais, mais ainda
É epidemia? Não é epidemia? O ministro da Saúde esperneou. Mas não teve saída. Precisou reconhecer que o número de casos registrados caracterizam epidemia. Nove estados têm mais de 300 casos por 100 mil habitantes. Até 18 de abril, somaram-se 745,9 mil infectados. Valha-nos, Deus! Reconhecido o drama, vale jogar luz sobre três parentes que provocam senhora confusão — endemia, epidemia e pandemia.

O trio se refere a doença contagiosa. Mas não é qualquer doença. É doença que atinge grande número de pessoas. A endemia incide em dada população ou região (a malária é endemia na Amazônia). A epidemia infecta mais de uma cidade, mais de uma região, mais de um estado (dengue). A pandemia se espalha por continentes ou pelo mundo (peste).

Leitor pergunta

Está correta a afirmação: "o melhor pós-venda"? Ou seria "a melhor pós-venda"?

Itanair Guilherme, Ponte Nova


O prefixo, Itanair, não altera o gênero da palavra primitiva. Venda é feminino. Pós-venda também: a melhor pós-venda.

***

Em conversa com uma colega, surgiu dúvida relacionada com o pronome possessivo. Eis a frase: Preciso de alguns minutos seus. Preciso de alguns minutos seu. Qual a flexão correta?

Iana Almeida, lugar incerto

O possessivo concorda com o substantivo a que se refere: meu livro, meus livros; minha casa, minhas casas; amigo meu, amigos meus; minuto seu, minutos seus.

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