Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Vexame nota mil

01/06/2015 16:19

Ninguém acreditava. Mas aconteceu. Formulário de inscrição do Enem exibiu esta frase: "Será exigido seus dados de acesso". Maria Cecília Guatimosim, de BH, leu o texto. Não acreditou. Leu de novo. Leu outra vez. A dúvida criou asas e voou. A leitora escreveu, então, este comentário: "Como pode o Ministério da Educação patrocinar um formulário em que há erro de concordância? A incorreção gritou aos meus olhos.

O MEC se nivelou por baixo. Caiu na cilada pra lá de conhecida dos estudantes. Trata-se do risco que representa o sujeito posposto ao verbo. A moçada se distrai e se esquece do mandachuva da concordância. Na ordem direta, o enredo seria outro: Seus dados de acesso serão exigidos. Serão exigidos seus dados de acesso.

Na boca do povo
Os provérbios não têm pai nem mãe. Aparecem ninguém sabe como. Os mais velhos os transmitem para os mais jovens que se encarregam de empurrá-los pra frente. Assim, passam-se os anos, as décadas, os séculos. O tempo os transforma. Sem certidão de nascimento, eles se adaptam à nova forma. É o que aconteceu com dito pra lá de conhecido.

"É a cara do pai cuspido e escarrado", repetem goianos, baianos & cia. brasileira. Com a frase, dizem que a pessoa é muito parecida com a outra. Esquisito, não? Pois, na origem, a história tinha outro enredo. Este: É a cara do pai esculpido em carrara. Carrara? É o melhor mármore do mundo.

Isto ou aquilo?
A maior qualidade do estilo? Montaigne respondeu há 450 anos. "O estilo", escreveu o pensador francês, "tem três virtudes — clareza, clareza e clareza." Mário Quintana disse o mesmo com outras palavras: "A gente pensa uma coisa. Escreve outra. O leitor entende outra. E a coisa propriamente dita desconfia que não foi dita".

Título de matéria publicada no jornal de quarta-feira serve de exemplo. É este: "BNDES fornecerá dados de empréstimos ao TCU". Reparou na ambiguidade? A frase dá a impressão de que os empréstimos foram feitos ao TCU. Falso. Os dados é que serão fornecidos ao TCU. Melhor fazer as pazes com a clareza: BNDES fornecerá ao TCU dados de empréstimos.

Em outra língua
"Regra de ouro de toda tradução: dizer tudo o que diz o original, não dizer nada que o original não diga, e dizer tudo com a correção e a naturalidade que permita a língua para a qual se traduz." (Valentín García Yebra)

Cartão vermelho

O escândalo da vez estourou na Suíça. Mas atinge Europa, França e Bahia. Sete cartolas caíram nas malhas da polícia. São chefões da Federação Internacional de Futebol, a popular Fifa. Com a operação, dois assuntos ganharam manchete. Um: a roubalheira que gira em torno do esporte mais popular do planeta. O outro: a grafia das siglas. Há regras para escrever a redução de nomes grandões que ocupam tempo e espaço? Há. Guarde isto:

1. Escreva todas as letras maiúsculas em duas ocasiões. Uma: se a sigla tiver até três palavras (PM, UTI, MEC, CBF, ONU). A outra: se as letras forem pronunciadas uma a uma (BNDES, INSS, IPVA, IPTU).

2. Escreva só a inicial maiúscula se a sigla tiver mais de três letras que não se pronunciam uma a uma: Detran, Fifa, Embrapa.

Sigla tem plural? Tem. Basta acrescentar um essezinho depois da última letra: PMs, UTIs, Detrans.

Leitor pergunta
Existem coisas que ditas ou escritas doem nos ouvidos. Li no Estado de Minas frase do senador Cristovam Buarque: "Não estamos ajustando o desajuste de forma ajustada". Não está um tanto confusa? Seria mais prático dizer "Não estamos ajustando o desajuste de forma adequada". Estou certo?

Itibere Jose G. Pereira, Cláudio

O jogo de palavras do senador exige que paremos e pensemos. A alternativa que você apresenta facilita a vida do leitor. Vá em frente.

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