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De passado e futuro

12/08/2015 11:32

Dad Squarisi

Cilene Maria é velha redatora. Escreve relatórios, cartas, e-mails, artigos. Tem conta no Twitter e seguidores à beça no Facebook. Mas, apesar da experiência, acontece com ela o que acontece a muitos de nós. Pintam dúvidas. Uma das mais teimosas é o emprego da preposição a e do verbo há. Sempre que precisa falar de contagem de tempo, para, respira, pensa e... consulta gramáticas ou manuais.

“Há alguma superdica que possa me tirar da enrascada rapidinho?”, pergunta ela. Claro que sim. Guarde isto: há indica passado; a exprime futuro. O passado, convenhamos, pesa. Daí por que tem carga maior — duas letras e acento. O futuro se caracteriza pela leveza. Basta um azinho pra indicá-lo. Compare: Cheguei há pouco. Daqui a pouco, chegarei. Partiu há cerca de 20 minutos. Partirá daqui a 20 minutos. A cerca de 20 minutos da partida, despediu-se dos amigos.

Bê-á-bá

“Não é que eu queira o bê-a-bá”, escreveu a GloboNews na telinha. Bobeou. O nome do conjunto de letras do abecedário não goza de privilégios. Precisa respeitar o vocabulário ortográfico. Tônica, a primeirona do alfabeto se escreve com acento. Que tal fazer as pazes com a grafia? Há duas saídas. Uma: bê-á-bá. A outra: beabá.

A helicóptera

Numa manhã, na rua, ouviu-se nos ares um ruído característico. Um passante simplório viu a aeronave voando baixo e exclamou:

— Olha lá, uma helicóptera!
Uma senhora, professora de português, não se conteve e corrigiu:
— Não é uma helicóptera, é um helicóptero!
— Puxa! A senhora tem um olho!


Duas caras
Jorge Donato gosta de textos cuidados. Escreve e reescreve a redação. Torna a escrevê-la e reescrevê-la. Não satisfeito, recomeça o processo. O resultado vale a pena. O leitor sente prazer imenso ao ler a obra aparentemente despretensiosa.

Na luta com as palavras, uma classe o desafia. Trata-se do advérbio. O ouvido reclama quando escuta a repetição do sufixo -mente. Outro dia, Jorge leu no jornal esta passagem: “Falou lentamente e ilimitadamente”.

“Há jeito de administrar os grandões que rimam?”, pergunta. Claro que sim. Só deixe o sufixo no último advérbio. Os demais, casse-os sem compaixão. Assim: Falou lenta e ilimitadamente. Entrou na sala serena, cautelosa e decididamente.

Não gosto
“Assim como existem palavras e expressões bonitas, que soam bem e agradam aos olhos e ouvidos, há as feias, que deixam sensação desagradável. Cito duas. Claro que o julgamento é meu. Mas que elas são estranhas, não tenho dúvida. São. Uma delas: `Imagina´, responde a pessoa quando alguém agradece ou pede desculpas. A outra: trazer à baila.” (Vera Godoi)

Ignorância total
“Há anos sou leitor sistemático da coluna Dicas de Português. Tenho aprendido muito com ela. Faço aqui breve comentário sobre a do último domingo, que faz referência ao amplo sentido da palavra pai. Não concordo com as pessoas que se referem ao dicionário como o “pai dos burros”. Para mim, o dicionário é o “auxiliar dos inteligentes”. Quem é burro acha que sabe tudo e nunca tem dúvidas. Nunca me esqueço do bordão de um velho professor: “A dúvida é a ignorância pela metade”. E concluía: “A certeza é a ignorância completa”. (Dárcio Calais)

Leitor pergunta
Eta linguinha difícil! Há palavras que soam do mesmo jeitinho. Mas têm grafia e sentido diferentes. Lembro arrear (pôr arreios) e arriar (abaixar). Pode citar outros exemplos?

Cida Campos, Porto Alegre

Cida, você se refere aos parônimos. Eis alguns:

destratar (insultar) e distratar (desfazer contrato), emigrante (quem sai do próprio país) e imigrante (quem entra em país estranho), eminência (excelência) e iminência (prestes a acontecer), deferir (conceder) e diferir (adiar), recrear (divertir) e recriar (criar de novo), peão (quem anda a pé) e pião (brinquedo).

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