Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Bem na foto

20/08/2015 11:22

Dad Squarisi

Ficar bem na foto? A expressão joga no time do pegar bem e do fazer bonito. Com ela, ninguém paga mico nem deixa a peteca cair. Fica legal no Instagram. Volta e meia, arrasa. A receita é simples — fazer o que deve ser feito. O quê?

Pega bem dar bom-dia ao entrar no elevador. Pega bem pedir licença ou desculpas ao perturbar alguém. Pega bem usar o cinto de segurança. Pega bem respeitar a faixa de pedestres e a velocidade da via. Pega bem, sobretudo, reverenciar a língua. Há jeitos.

Respeite os ouvidos
Quem fala quer ser ouvido, entendido e apreciado. Tem, por isso, de pronunciar as palavras como manda o dicionário. Descuidos cobram preço. Roubam vagas, adiam promoções, matam amores. Olho vivo pra não cair nas velhas e teimosas armadilhas.

Dizer récord? Nem pensar. Recorde rima com concorde. Referir-se ao Prêmio Nóbel? Valha-nos, Deus. Nobel soa como anel, painel e papel. E ruim? Ruim joga no time de Serafim e Joaquim. A sílaba tônica é -im (ru-ím). Rubrica é paroxítona como fabrica, lubrifica e sacrifica. Subsídio pertence à equipe de subsolo. Com a duplinha, o z não tem vez. Xô!

Ops! Você é aficionado por rock? Se a resposta for positiva ou negativa, guarde isto: aficionado tem só um c.

Cuide do alfabeto
Que patota, hein? As 26 letras do abecedário são pra lá de solidárias. Elas se combinam e formam nossas mensagens. Vale, pois, tratá-las com galhardia . O á é a primeirona. Escreve-se assim — com acento. O plural tem duas formas: ás e aa. As companheiras também usufruem da dose dupla: bês, bb; cê, cc; dês, dd; ês, ee; is, ii. E por aí vai.

Pingue colírio nos olhos
Azuis, verdes, castanhos ou pretos? Não importa. Qualquer que seja a cor das janelinhas do rosto, o tratamento se mantém. Há que tratá-las com a gentileza da correção. Enrascadas desafiam. Mas a consulta a gramáticas e dicionários iluminam as respostas. Abaixo ou a baixo? A pronúncia é a mesma. Mas a grafia não.

A baixo se usa em frases como: Olhou-a de alto a baixo. A cortina rasgou-se de alto a baixo. O policial a observou de cima a baixo.

Abaixo é o contrário de acima: A casa veio abaixo. A correnteza levava o barco rio abaixo. A temperatura está abaixo de zero.

Economize o artigo
Não bobeie. Expressões construídas com pronome possessivo se usam sem artigo: a meu ver, a meu lado, a seu pedido, a nosso bel-prazer (não: ao meu ver, ao meu lado, ao meu pedido).

Olho vivíssimo, gente fina. A ponto de, no sentido de prestes a, segue o mesmo princípio: Esteve a ponto de disputar a eleição. Chegou a ponto de morrer. Mas escapou.

Não se precipie. Você quer aquela carninha medianamente assada, que dá água na boca? Peça sem medo de errar um bife… ao ponto.

Anexe com esmero

Anexo, sozinho, é adjetivo como bonito, feio, rico. Concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere: carta anexa, cartas anexas, documenro anexo, documentos anexos, criança bonita, objetos bonitos, imagens feias, foto feia, livros feios.

Em anexo pertence a outra estirpe. É advérbio e, portanto, invariável. Não tem feminino, masculino, singular e plural. Com ele é tudo igual: Encaminho os documentos em anexo. Em anexo, encaminho as cartas.

Afirme, não ache

Acho que? Eu, particularmente, acho que? Com o tal achar, o enunciado fica fraco, inconvincente. Em vez de “Acho que a inflação vai baixar”, basta “A inflação vai baixar”. Mais: o particularmente, que costuma acompanhar o verbo molengão, também sobra. (Eu, particularmente, acho que) a inflação vai baixar.

Agradeça com classe

Seja grato. Agradeça. Mas agradeça com elegância. O verbo pede objeto direto de coisa e indireto de pessoa. Assim: Agradeceu o presente. Agradeceu ao pai. Agradeceu o presente ao pai. Agradeço ao diretor pela promoção.

Na substituição do alguém pelo pronome, é a vez do lhe: Agradeço-lhe pela colaboração. Agradeço-lhe a atenção. Agradeci-lhe os cuidados com as crianças.

Poupe os esses

Familiares têm caras diferentes. Mas conservam alguma coisa que as identifica. É o caso das classes de palavras. Conjunções, por exemplo, não têm plural. Locuções conjuntivas também não. Por isso, não dê a vez a de formas que ou de maneiras que. Por causa do clã, o s fica fora: Não saiu, de forma que economizou dinheiro.

Você sabe identificar uma locução conjuntiva? Se não, guarde esta superdica: ela acaba com a conjunção que.

Distinga alhos de bugalhos

A ver? Haver? Como não confundir as formas que soam do mesmo jeitinho? Seja esperto. Faça o jogo do troca-troca. Se o a for substituível por que, abra alas para o ver. Caso contrário, o haver pede passagem: Este caso não tem nada a (que) ver com aquele. Minha experiência tem tudo a (que) ver com a de Maria. Vai haver festa por aqui?

Leitor pergunta

Ouvi dizer que pequeno detalhe é pleonasmo? Achei estranho. Será?

Marcela Boutros, Porto Alegre

Há pleonasmos e pleonasmos. Alguns estão na cara. É o caso de subir pra cima, descer pra baixo, entrar pra dentro, sair pra fora. Outros não parecem, mas são. Um deles: panorama geral. Todo panorama é geral. Basta panorama. Outro: pequeno detalhe. Todo detalhe é pequeno. Basta detalhe. Mais um: planos para o futuro. Todo plano é para o futuro. Basta planos. Outros: elo de ligação, país do mundo, ainda continua, manter a mesma. Elo, país, continua e manter dão o recado no tamanho certo — sem mais nem menos.

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