Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Acertar é divino

26/08/2015 16:16

Acertam-se as contas. Acertam-se os ponteiros. Acertam-se as questões. Acertar é bom. Se errar é humano, acertar é divino. Ao acertar, ficamos mais perto de Deus. Eis dicas que põem no caminho certo.

Apesar do? Apesar de o?

*

Apesar de antecede verbos, adjetivos ou substantivos sem artigo: Apesar de estudar muito, não se classificou no concurso. Apesar de tímida, saiu-se bem na entrevista. Apesar de professor competente, tem dificuldade de manter a atenção dos alunos.

Apesar do (da) vem antes de substantivo acompanhado de artigo: Apesar do feriado, o comércio abriu. Apesar das férias longas, sente-se cansado. Apesar dos contratempos, conservou o bom humor.

Apesar de o (a) se usa quando o artigo faz parte do sujeito. Aí, como dois bicudos, a preposição fica de um lado; o artigo, de outro: Apesar de o governo negar, há risco de aumento da carga tributária. O programa não foi ao ar apesar de a TV o ter anunciado.

Após? Depois?
“Seja natural”, aconselham os manuais de estilo. Escreva do jeito que você fala. Frases curtas, perguntas diretas, palavras simples conquistam o leitor. Dão a impressão de um bate-papo entre amigos que se encontram para tomar um cafezinho ou comer um sanduíche. Mas nem todos estão atentos às manhas da língua. Um dos tropeços é o uso do após e depois. Por alguma razão que até Deus desconhece, falamos uma, mas escrevemos outra. Que coisa!

Guarde isto: após é artificial. Use-o em expressões consagradas (ano após ano, dia após dia). No mais, dê preferência ao depois: Depois do sinal, deixe o recado. Depois de consultar o ministro, o presidente soltou a nota. Arrependeu-se depois de falar mal do chefe. Mas o mal estava feito.

Apreender? Aprender?
Um ezinho faz a diferença. E quanta! É o caso de apreender e aprender. Quer ver?

Apreender
é fazer apreensão: A polícia apreendeu a mercadoria. Não consegui apreender o sentido da manobra. Menores de idade não são presos. São apreendidos.

Aprender é adquirir conhecimento, aptidão ou experiência: Paulo aprendeu as manhas da política com rapidez. Treinou, mas não aprendeu as regras do jogo. Passou a vida e não aprendeu nada.

Ar-condicionado? Ar condicionado?
Oba! No calor, nada mais bem-vindo. Mas, para sentir o bem-estar que todos merecem, guarde isto: Com hífen, é o aparelho. Sem hífen, o ar fresquinho.

Azul-marinho? Azuis marinhos?
Sabia? Há uma gangue especializada em roubar pontos e reputações. São três criaturas com uma característica -- escrevem-se com azul. Diante delas, abra os olhos, limpe os ouvidos e vá em frente.

Azul-marinho (marinho), azul-celeste e azul-ferrete são invariáveis: blusa azul-celeste, blusas azul-celeste, calça azul-celeste, calças azul-celeste; vestidos azul-ferrete, camisas azul-ferrete; sapato azul-marinho, sapatos azul-marinho, blusa azul-marinho, blusas azul-marinho, sapatos marinho, blusas marinho.

Apelar de? Apelar para?
No sentido de interpor recurso, o verbo rege a preposição de: Os advogados vão apelar da sentença. Os candidatos apelaram dos critérios adotados na prova.

Na acepção de recorrer, a preposição é para: O senador apelou para o presidente. O médico apelou para o bom senso do paciente. Para quem apelar nessas condições?

Superdica: não use apelou que, construção inexistente em português.

Onde? Aonde?
Em geral, o onde quebra o galho. Só se usa aonde com verbo de movimento que exige a preposição a: Aonde ele foi? Não sei aonde ele foi. Aonde o presidente quer chegar com essas manobras? Sei bem aonde o presidente quer chegar. Você sabe aonde esta estrada vai levar? Talvez ele saiba aonde conduziremos os hóspedes.

arguir – Modo indicativo: presente (eu arguo, tu arguis, ele argui, nós arguímos, vós aguís, eles arguem); pretérito perfeito (arguí, arguíste, arguiu, arguimos, arguístes, arguíram); pretérito imperfeito (arguía, arguías, arguía, arguíamos, arguíeis, arguíam); mais que perfeito (arguíra, arguíras, arguíra, etc.); futuro do presente (arguirei, arguirás, arguirá, arguiremos, arguireis, arguirão). Futuro do pretérito (arguiria, arguirias, arguiria, etc.). Modo subjuntivo: presente (argua, arguas, argua, arguamos, arguais, arguam); imperfeito (arguísse, arguísses, arguísse, etc.).

arqui – Usa-se hífen antes de h e i. Nos demais casos, é tudo junto: arqui-histórico, arqui-inimigo, arquirresistente, arquissecular, arquimilionário, arquidiocese.

arquiepiscopal – Adjetivo relativo a arcebispo.

arrear/arriar
– Arrear é pôr arreios (arrear o cavalo). Arriar é baixar, pôr no chão (arriar a bandeira, arriar a mala).

artesão – Plural: artesãos. Feminino: artesã, artesãs.

ascendência – É o contrário de descendência. Trata-se do vínculo de uma pessoa com os parentes que lhe deram origem (pai, mãe, avós, bisavós). Também é a origem (ascendência árabe, ascendência russa, ascendência alemã).

ascensão – Ato de ascender, subir, elevar-se: ascensão do balão, ascensão política, ascensão de Cristo.

Leitor pergunta

Tenho dúvida na conjugação do verbo arruinar. Pode me ajudar?
Tereza Raquel, Rio

Arruinar, Tereza, arruína reputações. Olho nele. O presente do indicativo e do subjuntivo têm formas com acento no i. Ei-las: arruíno, arruínas, arruína, arruinamos, arruinais, arruínam; arruíne, arruínes, arruíne, arruinemos, arruineis, arruínem.

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