Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Senhoras e senhores, eis a questão

31/08/2015 15:12

Dad Squarisi

Há leitores e leitores. Alguns são críticos. Leem a coluna com lupa. Se descobrem qualquer falha, não deixam por menos. Reclamam. Outros não levam as coisas tão a sério. Sabem que tudo passa e, dias depois, vêm outro texto, outras propostas, outros desafios. Há também os que jogam nos dois times. Além de observadores implacáveis, são generosos. Dão sugestões pra lá de úteis.

Os palpites variam. Ortografia, concordância, regência, colocação de pronomes, flexão de verbos e nomes. E por aí vai. Um pedido veio com a marca da urgência. “Trate do eis, pelo amor de Deus. O monossílabo me tira o sono. Cada vez que ensaio usá-lo, pintam questões e mais questões. O que exatamente significa? Posso dar-lhe a companhia do advérbio aqui? E do pronome átono? Dúvidas. Dúvidas. Dúvidas. E daí?”

Perguntas sem respostas

Mistérios cercam as três letrinhas. Pra início de conversa, ninguém sabe ao certo de onde elas vêm. Palpiteiros afirmam que talvez provenham de heis ou haveis. Talvez. Certeza não há.

Além da curiosidade sobre o pai e a mãe da criatura, fica outra questão. A que classe gramatical ela pertence? Ninguém sabe. Sem se enquadrar na turma dos advérbios nem em nenhuma outra, classifica-se como palavra que denota designação. Acompanham-na outras desamparadas. As que denotam exclusão (só, somente, unicamente), inclusão (outrossim), situação (quase, casualmente), retificação (aliás).

Significado
O que as três letrinhas significam? Eis o significado: aqui está. A presença delas reforça a posição: Eis aqui o livro que você pediu.

Emprego
Ao empregar o eis, a pessoa que fala indica ao ouvinte o que está perto no tempo, no espaço ou simplesmente o que vai dizer. Jesus disse à mãe:”Mulher, eis o teu filho”.

Eis, senhores, a resposta tão esperada.

Eis que
A locução dá ideia de surpresa ou imprevisto: Quando menos se esperava, eis que Paul McCartney voltou ao palco. Eis que surge finalmente um ator à altura do papel. Quando menos se esperava, eis que pintou confusão.

Olho vivo
Não use eis que na acepção de causa. Em vez da duplinha, prefira uma vez que ou porque. Assim: Ele deve passar no vestibular uma vez que estuda muito (não eis que). O candidato deve ser selecionado porque sobressaiu no teste (não eis que). O recurso vai ser rejeitado porque não tem fundamento jurídico. Eles merecem melhores salários eis que trabalham com dedicação. O imóvel não pode ser vendido eis que está hipotecado. O Corinthians será o campeão nacional eis que o segundo colocado está com quatro pontos perdidos.

Pronome
Unem-se a ele os pronomes pessoais átonos me, te, se, o, a, nos, vos: Eis-me aqui, senhor. Ei-lo, com saúde pra dar, vender e emprestar. Ei-nos prontos pra encarar o que der e vier.

Ufa!

Leitor pergunta

Chego em Brasília? Chego a Brasília? Aprendi que o verbo chegar pede a preposição a. Mas, de tanto ouvir em, a dúvida bateu. Pode me ajudar?

Carmen Lúcia Andrade, BH


Carmem, a gente chega a algum lugar: Chega a Brasília. Chega a São Paulo. Chega ao estádio. Chega ao clube. Chega ao cinema.

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