Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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A terra balançou lá e cá

23/09/2015 14:47 | Atualização: 30/09/2015 12:59

Ops! A terra tremeu. A luz se apagou, o telefone emudeceu, o lustre ficou no cai não cai. As pessoas demoraram a entender o que estava na cara. Mais uma vez senhor terremoto abalou o Chile. Foi tão forte que até o Brasil sentiu. Mas ninguém morreu nesta Pindorama abençoada por Deus e bonita por natureza. Lá, porém, o vaivém ceifou vidas, feriu gente e desabrigou famílias. Desconhece-se o número exato de vítimas. Contudo, uma coisa é certa. Os mortos são vítimas. Mas não são vítimas fatais. Por quê? Fatal é o que mata. O terremoto é fatal. O morto, coitado, não matou. Foi-se.

Gênero
Há terremotos e terremotos. Quando o epicentro é no mar, ondas gigantescas se levantam. O horror se chama tsunami. Ao se referir a ele, um cuidado se impõe: respeitar o gênero da palavra. Ela é masculina sim, senhores.

Olhinhos puxados
Nem só de sushi e saquê vive o japonês. Exportações também fazem a festa. Entre elas, vocábulos. A língua do povo amarelo de cabelos lisos e olhinhos puxados enriqueceu o léxico português. Uma das contribuições: tsunami. A palavra tem duas partes. Uma: tsu. As três letrinhas querem dizer mar. A outra: nami, que significa ondas. Em bom português: tsunami são ondas marítimas gigantes.

Que tal?
As aparências enganam. E como! Vale o exemplo de tal. As três letrinhas parecem inofensivas. Mas não são. Roubam pontos em concursos, adiam promoções, destroem amores. A razão: muitos ignoram que as danadinhas se flexionam. Concordam em número com o substantivo a que se referem: Que tal o filme? Que tais os filmes? Que tais as férias? Foi difícil escolher os novos óculos tais as ofertas de modelos e preços. Não vemos as coisas tais como as vimos da primeira vez.

Mistura exótica
A ordem é o vale tudo. Ou quase tudo. Misturas exóticas se exibem sem constrangimentos nas passarelas da moda primavera-verão. Flores, listras, laços, superposições aparecem nos modelos expostos em vitrines pra lá de tentadoras. O conjunto tem um quê sensual e romântico.

Acostumados às palavras francesas e inglesas que imperam no mundo da moda, comentaristas não vacilam na pronúncia de top models, glamour, high-tech, charme, grife, look, frisson, out e in. Mas, ao se depararem com as pobres listas, pinta a dúvida. Listado ou listrado? Na pressa, uns chutam uma forma. Outros, outra. Ambos acertam. As duas convivem muito bem no dicionário e na língua afiada do povo.

Fim da mamata
Com as listas (ou listras) a alternativa é acertar ou acertar. O mesmo privilégio não atinge o tecido de que as roupas são feitas. “Blusa em seda”, “calça em veludo”, “xale em tricô”, infomam elegantes especialistas no assunto. Nada feito. Eles trocam a preposição. A blusa (é feita) de seda. A calça, de veludo. O xale, de tricô.

Mesmo time
Não só o tecido exige a preposição de. Construções semelhantes jogam na mesma equipe: Cadeira de couro, aliança de prata, mesa de madeira, escultura de cerâmica, boneca de louça, brinquedo de plástico, panela de alumínio, soldadinho de ferro, sapato de couro, pasta de plástico. E por aí vai.

Ops!
“O português é uma língua muito difícil. Tanto é que calça é uma coisa que a gente bota e bota é uma coisa que a gente calça”, ensinou o Barão de Itararé.

Tendências

Tendências vão e vêm. Roupas, cores, acessórios revivem anos idos e vividos. Ao falar nelas, abra os olhos e aguce os ouvidos. Diga anos trinta, anos oitenta, anos noventa. Etc. e tal. O singular do numeral se explica. Escondidinha, está a expressão “da década de”: anos (da década de) sessenta, anos (da década de) cinquenta, anos (da década de) vinte.

Onomatopeia
Au-au. É o cão que late. Miau-miau. É o gato que mia. Glu-glu. É o peru que gluglujeia. Có-có. É a galinha que cacareja. Chuá-chuá. É a água que cai. Tique-taque. É o relógio que marca as horas.

As palavras que reproduzem o som de vozes ou ruídos recebem nome pra lá de pomposo. É onomatopeia. O adjetivo dela derivado tem duas formas – onomatopeico, onomatopaico. Ambas têm o mesmo significado. Escolha a que lhe soar melhor.

Antes da reforma ortográfica, as onomatopeias eram cheias de caprichos. Ora se grafavam com hífen, ora sem. Agora todas pedem o tracinho: bangue-bangue, blá-blá-blá, có-có, pisca-pisca, tique-taque, toque-toque, glu-glu, quem-quem, tim-tim.

Atenção: os derivados dispensam o hífen: gluglujear, cocorocó.

Leitor pergunta

Acabei de ouvir: "Os Estados Unidos recebe o papa". Não deveriam ter dito "recebem"?
Luiz Paulo, lugar incerto

Claro que sim. Nomes próprios no plural constituem verdadeira armadilha. Acompanhados de artigo, concordam com o artigo. Sem o pequenino, ficam no singular: Os Estados Unidos recebem o papa. O Palmeiras está firme no Brasileirão. Minas Gerais fica na Região Sudeste.

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