Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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O porquê da Veja

14/10/2015 10:37

Dad Squarisi

“Por que caem os presidentes” é o título da capa da Veja que está nas bancas. Leitores param e leem. Estranham. Releem. Prestam atenção ao fim da frase. Ali não há nenhum ponto de interrogação. Pinta, então, a dúvida. Eles aprenderam na escola dois empregos do porquê. Um: separado nas perguntas. O outro: coladinho nas respostas. Não é caso que aparece na revista.

E daí?
Das duas, uma. Ou os professores ensinaram a lição pela metade e, com a correria, deixaram pra lá a outra metade. Ou os mestres completaram o conteúdo. Mas a meninada, com a cabeça bem longe do corpo, perdeu a explicação. Seja lá por que for, há tempo de recuperar o tempo perdido.

Vale a pena. Um tropeço e lá se vai a vaga na universidade, a promoção no trabalho, a chance do bom emprego. Melhor não correr riscos. Afinal, desvendar o segredo da duplinha é fácil como tirar chupeta de bebê.

A aula perdida
O porquê tem quatro empregos. Dois deles: por que, por quê. Os outros dois: porque, porquê. Quando dar vez a um e a outro?

Por que

Por que, separado e sem acento, tem dois empregos:

1. nas perguntas diretas, as que acabam com ponto de interrogação: Por que a leitura facilita a redação? Por que se lê tão pouco no Brasil? Por que há poucas livrarias em nosso país?

2. nos enunciados em que é substituível por "a razão pela qual": É bom saber por que (a razão pela qual) a leitura facilita a redação. Explique por que (a razão pela qual) se lê tão pouco no Brasil. Eis por que (a razão pela qual) há poucas livrarias no país — há poucos leitores. Por que ( a razão pela qual) caem os presidentes.

Por quê
O quezinho separado com circunflexo só tem vez quando for a última — a última mesmo — palavra da frase. Sabe por quê? Ele é átono. No fim do enunciado, torna-se tônico. O acento lhe dá a força: A leitura facilita a redação por quê? Lê-se tão pouco no Brasil por quê? Há poucas livrarias em nosso país e todos sabem por quê (a razão pela qual há poucas livrarias). Os presidentes caem. Eis por quê (a razão pela qual caem).

Porque
Juntinho como unha e carne, a dissílaba é conjunção causal ou explicativa: Os professores estimulam a leitura porque bons textos enriquecem o vocabulário. Há poucas livrarias no Brasil porque há poucos leitores. Leio muito porque quero escrever melhor.

Porquê
O porquê assim, com chapéu, deixa de ser conjunção. Torna-se substantivo. Para mudar de classe, precisa da companhia de artigo, numeral ou de pronome. Tem plural: Explicou o porquê da importância da leitura. Certos porquês quebram a cabeça da gente. Não sei responder a este porquê. Dois porquês me quebram a cabeça.

Teste
Por que, por quê, porque, porquê. São quatro caras. Preencha os espaços com uma das feições do camaleão:

Não sei ………… tanta gente tropeça nos ……………Professores explicam …………… a palavra provoca tantos …………... Apresentam macetes capazes de facilitar a vida dos que perguntam: "…………será? Será …………?" Por mais que se empenhem, porém, não conseguem convencer. Não sei ………….. No fundo, não há ………….. temer os ……….. Quem domina o assunto sabe ………..

DIAGRAMADOR, DÁ PRA POR A RESPOSTA DE CABEÇA PRA BAIXO? OBRIGADA.

Acertou?
Não sei por que tanta gente tropeça nos porquês. Professores explicam por que a palavra provoca tantos porquês. Apresentam macetes capazes de facilitar a vida dos que perguntam: "Por que será? Será por quê?" Por mais que se empenhem, porém, não conseguem convencer. Não sei por quê. No fundo, não há por que temer os porquês. Quem domina o assunto sabe por quê.

Leitor pergunta
Como separar os números das datas — com barras ou pontos?

Clóvis Sena, Viamão

Você escolhe. Usam-se barras ou pontos: 14.10.13 ou 14/10/13. Evite o zero à esquerda (03.08.15). O sem-função desperdiça tempo e espaço. Xô! Melhor — 3.8.15.

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