Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Dois duros, mau muro

03/11/2015 11:17

Dad Squarisi

De um lado, os professores. De outro, o governo de Brasília. Os mestres exigem cumprimento do acordo firmado com o GDF. O GDF diz que não tem dinheiro pra pagar. Escolas fecharam as portas. A Justiça julgou a paralisação ilegal. Os grevistas recorreram. Enquanto o Judiciário não dá a última palavra, eles não voltam ao trabalho. Na concentração, fecharam via importante da capital. A polícia chegou. Bateu, atirou spray de pimenta e prendeu.

O confronto trouxe um verbo ao cartaz. É prender. Com ele, os particípios preso e prendido. Quando empregar um e outro? É fácil. Olho no auxiliar. Com ser e estar, preso pede passagem. Com ter e haver, prendido: Professores foram presos. Professores estão presos. A polícia tem prendido professores. A polícia havia prendido professores.

Vamos combinar? Prender professor é pra lá de triste. Lugar de professor não é cadeia. É sala de aula. Ali está o aluno — o grande perdedor do embate governo e sindicato. Que tal conjugar o verbo flexibilizar? Como diz o outro, dois duros não fazem bom muro.

A parte e o todo

Compare:

Professores estão em greve.
Os professores estão em greve.


Os dois enunciados parecem iguais. Mas não são. O primeiro não tem artigo. O segundo tem. Você sabe a diferença entre um e outro? É esta: sem artigo, dizemos que nem todos os professores cruzaram os braços. Com artigo, afirmamos que todos os mestres paralisaram as atividades.

Por falar em professor

Atenção à abreviatura. Muitos escrevem a forma reduzida de professor com um ozinho (profº). Bobeiam. A preguiçosa dispensa acréscimos. É prof., como de doutor é dr. Só a feminina ganha o índice de gênero — professora (profª), doutora (drª).

Leitor pergunta
Pelo amor de Deus, avise aos editores do jornal que nudez se escreve com z, não com s.

Alexandre Rodrigues, Brasília


Modismos, Alexandre, proliferam na língua. De repente, não mais que de repente, palavras surgem meio tímidas. Com o tempo, ganham confiança. É o caso de nude, cujo plural é nudes. A dissílaba nomeia foto de pessoas nuas. As redes sociais popularizaram a exibição do corpo peladão. Num dia e noutro também, celebridades ou criaturas obscuras aparecem nas telinhas tais quais chegaram ao mundo.

*

Tudo bem? Tudo bom? As duas saudações correm soltas por aí. Há diferença entre elas?

Edilson Zafira de Sousa, lugar incerto

Bem é advérbio. Bom, adjetivo. No contexto de cumprimento rápido, uma e outra forma dão o mesmo recado. Nota 10 pra ambas

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