Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Novembro Azul

09/11/2015 10:19

Dad Squarisi

Menina se veste de rosa. Menino, de azul. A discriminação imperava nos tempos da vovó. Como não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe, os anos passaram, os costumes mudaram e as cores se libertaram do sexo. Garotas e garotos deitam e rolam em azuis, rosas, roxos, vermelhos, brancos e pretos.

Mas a tradição se impôs em dois momentos. O outubro é rosa. O novembro, azul. São dois meses dedicados a campanhas educativas. Chamam a atenção de mulheres e homens para a importância de prevenir o câncer. Elas, de mama. Eles, de próstata. A cruzada vale a pena. Ensina que, muitas vezes, a saúde e a vida estão nas mãos de cada um. Xô, bobeira!

A deixa
Na natureza nada se perde, tudo se aproveita. Na língua também. Vale explorar a deixa do evento. É o azul. Nem as pessoas nem as cores são iguais. O azul tem variações — azul-bebê, azul-celeste, azul-ferrete, azul-marinho, azul-turquesa, azul-violeta. Elas podem funcionar como adjetivos (blusa azul-celeste) ou substantivos (o azul-celeste). A classe gramatical faz a diferença. E arma ciladas.

Lição 1

O adjetivo é invariável. Masculino ou feminino, singular ou plural, é tudo igual. O capricho se explica. Oculta, encontra-se a locução da cor: lençol (da cor) azul-bebê, lençóis (da cor) azul-bebê, toalha (da cor) azul-bebê, toalhas (da cor) azul-bebê; blusa (da cor) azul-celeste, blusas (da cor) azul-celeste; calção (da cor) azul-celeste, calções (da cor) azul-celeste; sapato (da cor) azul-marinho, sapatos (da cor) azul-marinho; blusa (da cor) azul-marinho, blusas (da cor) azul-marinho; blusas (da cor) marinho, blusas (da cor) marinho.

Lição 2

O substantivo joga em outro time. De cara lavada, sem nada oculto, não tem saída. Varia: o azul-bebê, os azuis-bebês (ou azuis-bebê); o azul-celeste, os azuis-celestes; o azul-marinho, os azuis-marinhos, o azul-turquesa, os azuis-turquesas (ou os azuis-turquesa), o azul-violeta, os azuis-violetas (ou azuis-violeta).

Senhor caranguejo

Você sabe por que câncer se chama câncer? Câncer se chama câncer porque vem do latim cancri. Na língua dos Césares, a dissílaba significa caranguejo. O que uma coisa tem a ver com a outra? A aparência. Os tumores de mama têm veias que apresentam semelhança com as patas do crustáceo. Com o tempo, o termo se generalizou. Bateu asas e voou. Até o signo do zodíaco exibe a imagem do bichinho.

Ora veja

A língua tem expressões pra dar e vender. Nós as usamos sem cerimônia. Nem nos passa pela cabeça a origem de uma e outra. Ficar no ora veja é uma delas. De origem portuguesa, significa ser esquecido.

Para lembrar, vale a dica. A especialidade que trata do câncer? É oncologia. Também vale cancerologia. A palavra vem do grego ógkos. Em bom português, a dissílaba quer dizer tumor, massa, inchação.

Conselho

Os árabes, notáveis pela hospitalidade, ensinam este provérbio aos filhos: “Se você tem um pão, coma a metade. Guarde a outra metade na geladeira para dá-la a quem bater à sua porta”.

Leitor pergunta
Estava assistindo ao Jornal das 10, da GloboNews. Era quarta-feira. Noticiário monótono, meio que cochilei. Um susto me fez saltar do sofá. “A doação de sangue será permitida a quem se abster da prática", disse a apresentadora. O espanto foi tal que nem peguei o resto da informação. A moça pisou a conjugação do verbo, não?

Liana Bitencourt, BH


Ops! Doeu. Abster deriva de ter. Um e outro se conjugam do mesmo jeitinho: se eu tiver (abster), se ele tiver (abstiver), se nós tivermos (abstivermos), se eles tiverem (abstiverem).

Moral da insônia: a apresentadora teria mantido o telespectador nos braços de Morfeu se tivesse dito: A doação de sangue será permitida a quem se abstiver da prática.

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