Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Caminhoneiros e bloqueios

11/11/2015 10:15

Dad Squarisi

Ufa! Caminhoneiros em greve causam transtornos. Bloqueiam estradas e impedem o ir e vir de veículos e pessoas. Ninguém merece. Ninguém merece também maus-tratos decorrentes da paralisação. Um deles tem a ver com os ouvidos. Repórteres, radialistas e apresentadores de telejornais esquecem o i do ditongo ei. Dizem caminhonero e bloqueo. Aiiiiiiiiiiiii! Que dor! A otite bate à porta. É protesto da magrela. A letra i não passa de tracinho na vertical, mas conta como as demais irmãs. Melhor abrir a boca e convocar as cordas vocais para pronunciá-la com o charme e o luxo que merece: caminhoneiro, bloqueio, gorjeio.

Fora do time

Você pertence à equipe dos engolidores de letras? Fique frio. O vício tem cura. Leia, em voz alta, palavras escritas com ditongo. Leia de novo. Outra vez. Depois, sem ler, pronuncie os vocábulos. Perceba as duplinhas inseparáveis. Eis algumas: caminhoneiro, bloqueio, goleiro, artilheiro, sineiro, passeio, meio, anseio, medeio, odeiam, ideia, assembleia, apoio, gorjeio.

Por falar em ditongo...
Sabia? O ditongo não tem nada com a história. Mas embarcou na lei da Igreja. Ao celebrar um casamento, o padre anuncia alto e bom som: “O que Deus uniu os homens não separam”. A duplinha linguística também fica coladinha como unha e carne: ca-mi-nho-nei-ro, blo-quei-o, pas-sei-o, mei-o, an-sei-o, me-dei-o, o-dei-am, i-dei-a, as-sem-blei-a, a-poi-o, gor-jei-o.

Pontos nos ii

Vamos pôr os pontos nos ii? A expressão não deixa dúvida. Refere-se ao esclarecimento rigoroso de determinada situação. Ela nasceu há muito tempo — na época em que só se escrevia à mão. Pra evitar que dois ii fossem confundidos com u, passou-se a acentuar o i. No século 16, pontos substituíam os grampinhos. Daí os pontos nos ii.

Plural e jeitinho
O plural de i? Você escolhe: is ou ii.

Cilada verbal

Olho vivo, moçada. Os caminhoneiros trouxeram às manchetes o verbo bloquear. Ele pertence à gangue do -ear. É o caso de passear, cear e frear. A turma arma ciladas no presente do indicativo e presente do subjuntivo. É esta: em todas as pessoas, aparece o i. Só o nós e o vós dispensam a letrinha.

Veja: eu bloqueio (passeio, ceio, freio), tu bloqueias (passeias, ceias, freias), ele bloqueia (passeia, ceia, freia), nós bloqueamos (passeamos, ceamos, freamos), vós bloqueais (passeais, ceais, freais), eles bloqueiam (passeiam, ceiam, freiam); que eu bloqueie (passeie, ceie, freie), ele bloqueie (passeie, ceie, freie), nós bloqueamos (passeemos, ceemos, freemos), vós bloqueeis (passeeis, ceeis, freeis), eles bloqueiem (passeiem, ceiem freiem).

Leitor pergunta
Sempre soube que decano é filho de dez. Se estou certo, como explicar o decano da universidade? Não me parece que tenha relação com a dezena.

Jaime Costa, Guará

Nos tempos do latim antigo, decano significava chefe de 10. A palavra surgiu no exército romano e depois foi adotada pela Igreja. Nos monastérios, designa o chefe de um grupo de 10 monges. Hoje, usa-se decano para a pessoa mais velha de qualquer grupo. Na universidade, é o ocupante do cargo inferior ao de reitor, com atribuição específica (decano de extensão, decano de graduação, decano de administração).

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