Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Os ismos da vida

18/11/2015 13:41

Dad Squarisi

É terrorismo pra lá, terrorismo pra cá. Valha-nos, Deus! Protegei-nos! Nestes tempos de medos e incertezas, outros -ismos ganham destaque. É o caso de jihadismo, radicalismo, cristianismo e judaísmo. As quatro letrinhas são pra lá de criativas. Versáteis, acrescentam sentidos diferentes aos substantivos por elas formados.

Umas remetem a doutrinas religiosas, artísticas, políticas, filosóficas, econômicas. Valem os exemplos de catolicismo, judaísmo, islamismo, budismo, comunismo, terrorismo, jihadismo, capitalismo, petismo, getulismo, modernismo, simbolismo. Outras, a modo de proceder, maneira de pensar ou sentir (mineirismo, caboclismo, sensacionalismo). Há, ainda, as de cunho irônico (pão-durismo, puxa-saquismo).

Etc. Etc. Etc.

Os istas

Outras quatro letrinhas fazem companhia ao -ismo. Trata-se de -ista. Elas se referem a pessoas que seguem este ou aquele -ismo: terrorismo (terrorista), jihadismo (jihadista), capitalismo (capitalista), petismo (petista), getulismo (getulista) sensacionalismo (sensacionalista). E por aí vai.

O livro e o livro
O livro sagrado dos cristãos é a Bíblia. O dos muçulmanos, o Corão. Eles têm origem diferente. O primeiro nasceu do latim. O segundo, do árabe. Mas, apesar da diferença de berço, ambos têm o mesmo significado. Querem dizer o livro.

2 = 1
Corão ou Alcorão? Tanto faz. O al, de Alcorão, é o artigo definido árabe. Corresponde aos nossos a, o, as, os.

Senhoritas árabes
Além do Corão, o árabe nos presenteou com montões de vocábulos. Muitos têm uma marca — começam com al. As duas letrinhas são o artigo da língua das Arábias. As senhoritas árabes frequentam nosso vocabulário com desenvoltura. Eis algumas: álcool, alface, alcachofra, alfafa, almeirão, almirante, almofada, alfaiate, alfinete, algarismo, álgebra, algazarra.

Ops! Não generalize. Nem todas as palavras árabes começam com al. Se assim fosse, seria muito chato, não? Muitas fogem à regra. É o caso de oxalá. A trissílaba quer dizer tomara, Deus queira: Oxalá faça sol no fim de semana.

Pra dar e vender
Nem só o árabe contribuiu pra enriquecer nosso léxico. Outras línguas entraram na jogada. A maior parte dos quase 500 mil vocábulos que figuram no dicionário veio do latim, paizão do português. Do francês herdamos garagem, abajur, conhaque, maionese, patê, musse. Do italiano, fiasco, mortadela, pitoresco, risoto, terracota. Do japonês, biombo, samurai, judô, caratê, caraoquê. Do chinês, chá, nanquim, pequinês. Do inglês, xampu, gangue, estresse.

Lição de mestre
“O historiador e o poeta não se distinguem um do outro pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso (se a obra de Heródoto houvesse sido composta em verso, nem por isso deixaria de ser obra de história, figurando ou não o metro nela). Diferem entre si porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.” (Aristóteles)

Pela metade
X ou ch? A coluna de quarta disse que, depois de en-, o xis pede passagem (enxada, enxoval, enxaqueca, enxofre, enxada). Nota 10, mas ficou no meio do caminho. Esqueceu-se de lembrar a regra mais respeitada do português. É esta: a família fica acima de tudo. Se a palavra tem ch no radical, a duplinha permanece mesmo depois do en-. É o caso de cheio, encher, enchente.

Leitor pergunta

Li esta frase no Estado de Minas: "Agora, porém, não haverá falhas". O número do verbo está correto? Ou deveria ser haverão?


João Cunha, BH

No caso, João, o verbo haver significa ocorrer. É impessoal. Também é impessoal na acepção de existir e na contagem de tempo. Sem sujeito, só se conjuga na 3ª pessoa do singular: Agora, porém, não haverá falhas. Houve distúrbios durante as manifestações. Há 30 pessoas na sala. Moro em Brasília há 10 anos. João chegou há pouco.


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