Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Caças e caçadores

23/11/2015 11:41

Dad Squarisi

Valha-nos, Deus! Bomba explodiu avião que deixava o Egito. Fez 224 vítimas. Outra jogou nos ares a vida de 40 libaneses de Beirute. Tiros e explosivos mataram 129 franceses. Feitos os estragos, dois verbos entraram em cartaz. Um deles: perseguir. A polícia caça os terroristas. O outro: foragir-se. Os terroristas se escondem da polícia. Ambos, irregulares, dão trabalho. Exigem perícia e domínio da arte de conjugar.

Correr atrás

Perseguir tem sinônimos. Um deles: seguir de perto. Outro: ir ao encalço. Mais um: acossar. Tem, também, manhas. Conjuga-se como seguir, que se flexiona como preferir: eu sigo (prefiro, persigo), ele segue (prefere, persegue), nós seguimos (preferimos, perseguimos), eles seguem (preferem, perseguem). E por aí vai.

Asas nos pés
Desrespeitou a lei? A polícia vai atrás. Aí, das duas, uma — ou o atrevido se entrega, ou se esconde. Quem se oculta vira foragido. Põe em ação o verbo foragir-se. Como conjugá-lo? É aí que a porca torce o rabo. Uns o consideram regular. Flexionam-no como dirigir: eu dirijo (eu me forajo), ele dirige (ele se forage), nós dirigimos (nós nos foragimos), eles dirigem (eles se foragem).

Outros o põem na lista dos defectivos. Incluem-no, então, no time dos preguiçosos. Aí, ele só se conjuga nas formas em que aparece o i depois do g: nós nos foragimos, vós vos foragis; eu me foragi, ele se foragiu, nós nos foragimos, eles se foragiram; eu me foragia, ele se foragia, nós nos foragíamos, eles se foragiam. Eles têm se foragido. Eles vão se foragindo.

Vem, preguiça

Preguiçoso, o verbo defectivo não se conjuga em todas as pessoas, tempos e modos. Por quê? Alguns por eufonia. Soam mal. “Eu coloro”, de colorir, está nesse grupo. “Eu abolo”, de abolir, também. Outros armam confusão. É o caso de falir. Há formas que coincidem com as do verbo falar — eu falo, ele fale. Amante da clareza, falir cede. Dá a vez ao falar. Sem problema. Substitutos entram em cartaz. Vale quebrar. Ou abrir falência.

Tudo igual

Nestes tempos de medo com atentados a torto e a direito, um trio entrou no dia a dia dos policiais. Trata-se de fora da lei. Olho pra lá de vivo. Invariável, ele não tem feminino, masculino, singular ou plural: o fora da lei, os fora da lei, a fora da lei, as fora da lei.

Mundo afora

Os líderes de Europa, França e Bahia não deixam por menos. Com os olhos nas câmeras, voz firme e discurso pronto, juram de pés juntos: “Vamos exterminar o terror”. Alguns acreditam. Muitos duvidam. Os céticos sorriem. Com ironia, dizem como quem não quer nada: “A vitória fica pras calendas gregas.”

Conhece a expressão? Ela se aplica aos que nunca pagam dívidas ou cumprem promessas. Os romanos festejavam as calendas — primeiro dia do mês. De todos os meses. Os gregos não estavam nem aí pra virada do calendário. Assim como nós não temos o Dia de São Nunca, eles não tinham calendas.

É diferente
Furto ou roubo? A gente usa as palavras como sinônimas. Mas não são. Elas têm um ponto em comum. Surrupiam algo de alguém. E têm uma diferença. O furto é sem violência. A pessoa entrou na loja. Pôs um celular no bolso. E saiu sem pagar. Ela furtou. O roubo pressupõe violência. Pode ser contra coisas ou pessoas. Ladrão arrombou o apartamento e levou joias e relógios. Arrombar é violência. Ele roubou os objetos. Outro ladrão viu um carro parado, deu uma pancada no motorista e pegou a carteira. A pancada é violência. Ele roubou o dinheiro. Como se proteger de furtos e roubos? O Evangelho manda orar e vigiar. Inverta a ordem. Vigie primeiro. Ore depois. Em bom português: não dê chance ao azar.

Leitor pergunta

Verbos impessoais podem virar pessoais?

Luiz Marcos, Bela Vista

Podem. Chover, amanhecer, ventar & cia. são impessoais. Só se conjugam na 3ª pessoa do singular: Choveu todos os dias em Belém. Amanhece cedo em João Pessoa. Choveu muito ontem. Chovia no inverno.

Mas, como as pessoas, verbos também podem jogar no time dos vira-casacas. Eles deixam de ser impessoais. Com sujeito, tornam-se pessoais e se flexionam normalmente: Amanhece cedo em João Pessoa. (impessoal) Amanheci com dor de cabeça (pessoal). Chove todos os dias. (impessoal) Choveram elogios na sala de reunião. (pessoal).

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