Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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O nome de Deus

13/01/2016 09:33

Dad Squarisi

Dizem que baiano não nasce. Estreia. Nem todos concordam. Muitos acham que, em vez de caracterizar os nascidos na terra de Gil, Caetano e Bethânia, o dito deveria mirar um pouco mais longe. Logo ali, na fronteira verde-amarela. Lá estão os argentinos. Eles fazem jus à piada que circula por aí. Conhece? Trata-se da resposta à pergunta “qual o melhor negócio do mundo”? É comprar um argentino pelo preço que vale e vendê-lo pelo preço que ele pensa que vale.

A observação vem a propósito do papa Francisco. Ele conjuga o verbo surpreender. Surpreendeu ao ser eleito o sumo pontífice. Surpreendeu ao escolher o nome. Surpreendeu pela simplicidade, pela alegria, pelo bom humor. Surpreendeu também pela contemporaneidade. Jorge Mario Bergoglio sabe ler o tempo presente. E dá respostas a questões do aqui e do agora. É o caso dos homossexuais e dos divorciados.

Nova surpresa
Ops! Sua Santidade acaba de lançar o livro O nome de Deus é misericórdia. As más línguas dizem que baterá o recorde da Bíblia — a obra mais vendida em todos os tempos. “Afinal”, insistem os malévolos, “o homem é argentino.” Pelo sim, pelo não, vale a pena bancar o São Tomé. Ver para crer. Enquanto o tempo passa, duas questões se impõem. O que significa misericórdia? Qual a origem da palavra?

Coração divino

Misericórdia vem do latim. Na língua dos Césares, tem duas partes. Uma: miser, que quer dizer miséria, aflição. A outra: cordis, que significa coração. O misericordioso é, pois, a pessoa que tem espaço no coração para acolher a dor do outro. Na prática: lutar, não poupar esforços para resgatar o aflito da miséria em que se encontra.

Sete mandamentos

O misericordioso tem obrigações. Segundo os católicos, precisa praticar sete ações concretas. Todas têm a ver com a compaixão. O que é isso? É pôr-se no lugar do outro:

1. dar de comer a quem tem fome

2. dar de beber a quem tem sede

3. vestir os nus

4. dar pousada aos peregrinos

5. assistir os enfermos

6. vestir os presos

7. enterrar os mortos


Socorro!
Não se deve ao acaso a interjeição que ouvimos cá e lá. “Misericórdia!”, exclama a pessoa desesperada. “Misericórdia!”, suplica quem pede compaixão.

Misericórdia
Palavra pra lá de usada? É misericórdia. Ela aparece na oração Salve rainha (Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida doçura, esperança nossa, salve). Aparece no nome de hospitais beneficentes — as santas casas de misericórdia. Aparece no perdão dado pelos poderosos aos condenados à pena de morte. Aparece na expressão golpe de misericórdia. Sabe por quê? Chamava-se misericórdia o punhal que os cavaleiros usavam na cintura pra matar o adversário. O infeliz, vencido, deveria pedir misericórdia. Quem se recusasse a fazê-lo, levava a facada fatal. Era o golpe de misericórdia.

Leitor pergunta
“Pimenta que arde” é pleonasmo?

João Marcos, Brasília

Seria pleonasmo se todas as pimentas ardessem. Não é o caso. Pimenta-do-reino, por exemplo, dá toque à comida. Mas não arde.

***

Minha pergunta é sobre o prefixo co. Sei que não se escreve mais com o hífen — coirmão, coautor, coerdeiro. Entrei numa enrascada. Como devo escrever quando o pequenino é seguido de nome próprio? Por exemplo: irmão, na instituição em que trabalho, se escreve com inicial maiúscula. Antes escrevíamos co-Irmão. E agora? CoIrmão? Fica esquisito. Coirmão, talvez? Mas a palavra Irmão tem que ser com I grande. Todas as letras maiúsculas?

Blásio Hillebrand, Canoas


Em português, Blásio, não há letra maiúscula no meio da palavra. O co- não foge aos demais prefixos. Seguidos de nome próprio, cessa tudo o que a musa antiga canta. Vem, hífen: anti-Dilma, super-Messi, co-Irmão.

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