Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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A cobertura da discórdia

02/02/2016 13:49

Dad Squarisi

De quem é? O apartamento de três andares fica no Guarujá. A polícia diz que o imóvel pertence à família Lula da Silva. “Nem em delírio”, contesta o advogado do ex-presidente. E daí? Enquanto a investigação avança, pintou uma questão pra lá de prosaica. Ela não tem nada a ver com propinas e negociatas. Mas com a língua nossa de todos os dias.

Trata-se da grafia de palavra que entrou no noticiário com força total. Triplex ou tríplex? O Houaiss registra as duas formas. O Aurélio, só a acentuada. Com grampinho ou sem grampinho, a pronúncia coincide. A sílaba tônica é a última. Estranho? É. A irregularidade merece observação no dicionário.

Mesmo time
Duplex ou dúplex? O humilde duplo joga no time do suntuoso triplo. Com eles, os dicionários se comportam do mesmo jeitinho. O Houaiss admite as duas formas. O Aurélio, só uma. A pronúncia? Como diz o outro, a voz do povo é a voz de Deus. Se todo mundo diz duplex (oxítona), vale duplex.

Reação

A história do tríplex (ou triplex) rendeu. Além de notícias em jornais, rádios, tevês e internet, mereceu resposta da presidente. Mas... ela mirou a acusação e acertou a língua. “Se levanta insinuações, se levanta acusações. Sem prova”, disse Sua Excelência. “Cadê a concordância?”, perguntaram goianos, baianos e pernambucanos. “O gato comeu”, respondeu a moçada da Pátria Educadora.

A voz passiva sintética é eterna cilada. Pega o bobo na casca do ovo. Pra escapar, há uma saída simples como andar pra frente. Basta construir a frase com o verbo ser. Se ele se flexionar no singular, o verbo da passiva vai para o singular. Se no plural, idem. Compare:

Se levanta insinuação. Insinuação é levantada.
Se levantam insinuações. Insinuações são levantadas.
Se levanta acusação. Acusação é levantada.
Se levantam acusações. Acusações são levantadas.

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A passiva sintética deita e rola nos anúncios. Ela obedece à regra da concordância. Sujeito no singular, verbo no singular. Sujeito no plural, verbo no plural: Vende-se esta casa. (Esta casa é vendida.) Alugam-se apartamentos em Maceió. (Apartamentos são alugados em Maceió.) Compram-se carros usados. (Carros usados são comprados.) Oferece-se curso de português. (Curso de português é oferecido.) Reformam-se roupas. (Roupas são reformadas.) Simples assim.

Água parada apodrece
“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.” (Martin Luther King)

Coisa de rico

O Distrito Federal vive tempos de vacas magras. Falta dinheiro até pra remédios. Pegou mal, por isso, a compra de motos BMW para o Detran. Cada uma custa quase R$ 50 mil. A notícia indignou a população. Desgastado, o governador mandou suspender a gastança. Mas a questão não morreu. Leitores levantaram a dúvida. Quando usar motoqueiro, motoboy ou motociclista? As três formas têm um ponto comum. São pessoas que pilotam moto. Mas há diferenças no uso.

Motoqueiro é meio pejorativo. Dá ideia de certa malandragem, de quem não tem coisa séria a fazer. Motoboy é quem usa a moto pra fazer entregas. Entrega pizza, remédio, encomendas. Motociclista é quem pega a moto pra dar uma voltinha, viajar ou trabalhar — sem ser pra entrega. Os agentes do Detran são motociclistas.

Leitor pergunta
Na quinta, acordei cedo. Liguei a tevê. Estava no ar notícia de apreensão de aves silvestres. O repórter, depois de mostrar gaiolas e gaiolas cheias de passarinhos, informou sobre a ação policial. “A apreensão foi feita perto de 6h”, informou. Ops! Fiquei assustada. Será que roubaram o artigo das horas?

Mari Cardoso, Brasília

Não, Mari. O artigo continua firme e forte: A aula começou às 8h. Vou à missa das 10h. Trabalho das 14h às 18h. Almoçamos ao meio-dia. A apreensão foi feita perto das 6h.

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