Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Líder gazeteiro

22/02/2016 11:12

Dad Squarisi

Foi um pega pra capar. O PMDB ia eleger o líder do partido na Câmara. Dois candidatos disputavam a preferência dos deputados. De um lado, Leonardo Picciani, o queridinho da presidente da República. De outro, Hugo Motta, o bem-amado do presidente da Câmara. A corrida estava pra lá de disputada. Até o ministro da Saúde deixou o Aedes aegypti fazer a festa. Abandonou a luta, licenciou-se do cargo e foi voltar.

Resultado: 37 a 30. Picciani ganhou. Feliz, deu entrevista. No esforço de provar que a turma da Dilma não teve nada a ver com a vitória, ele, diante de mil microfones e mil câmeras, disse sem corar: “O Palácio do Planalto não interviu na eleição”. Ops! Caiu a ficha. Descobriu-se por que o homem sofreu tão grande oposição da própria legenda. Ele faltou à aula de português.

Lição perdida

Picciani perdeu a lição de conjugação verbal. Naquele dia, o professor ensinou as manhas do verbo intervir. O trissílabo deriva de vir. Pai e filho se flexionam do mesmo jeitinho: eu venho (intervenho), ele vem (intervém), nós vimos (intervimos), eles vêm (intervêm); eu vim (intervim), ele veio (interveio), nós viemos (interviemos), eles vieram (intervieram); se eu intervier, se ele intervier, se nós interviermos, se eles intervierem. E por aí vai.

Moral da história: “A consequência”, como frisa o conselheiro Acácio, “vem depois.” O personagem de Eça de Queirós teria feito bonito: O Palácio do Planalto não interveio na eleição.

Tradutor traidor

Argentino, o papa fala espanhol. Nós traduzimos a mensagem para o português. Confirma-se, então, a velha e repetida rima — tradutor é traidor. Vale este exemplo: “Peço-vos para não cairdes na estagnação de dar velhas respostas às novas questões”. O profissional que passou o texto de uma língua para outra tropeçou no jeitinho de pedir. Pedir que ou pedir para? Depende.

Pedir para esconde a palavra licença: O empregado pediu ao chefe (licença) para sair mais cedo. O filho pediu ao pai (licença) para sair com o carro da família.

Pedir que exclui licença: O professor pediu aos alunos que chegassem mais cedo. Eu peço aos amigos que combinem o encontro em sigilo.

Ora, como no caso o papa não pede licença, a tradução nota 10 seria esta: Peço-vos que não caiais na estagnação de dar velhas respostas às novas questões.

#ZIKAZERO
Folheto anda rolando por aí. Nele, o governo dá uma série de dicas para combater o mosquito que faz estragos de norte a sul do país. Entre elas, está esta: “Lonas usadas para cobrir objetos ou entulhos devem ser bem esticadas para evitar poças-d´água”. Viu o desperdício? O texto deixa escorrer pelo ralo palavras e sinal gráfico. Olho vivo! Poças d´água se escreve assim — sem hífen. Toda poça é de água. Xô, pleonasmo! Enxutinha, a frase fica deste jeitinho: Lonas usadas para cobrir objetos ou entulhos devem ser bem esticadas para evitar poças.

Leitor pergunta
Tenho velha curiosidade. Chamam a língua portuguesa de última flor do Lácio. Por quê?Lorena Sereno, Macaé

O apelido nasceu do poema “Língua portuguesa”, de Olavo Bilac. Eis a primeira estrofe: “Última flor do Lácio, inculta e bela, / És, a um tempo, esplendor e sepultura: / Ouro nativo, que na ganga impura / A bruta mina entre os cascalhos vela”.

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