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Abram alas, os guerreiros vão passar

02/03/2016 15:10

Dad Squarisi

Março chegou. Com ele, um dos 12 deuses que moram no Olimpo. É Marte. Senhor da guerra, o filho de Zeus e Hera deixou respeitável herança para o vocabulário português. São palavras que nasceram do nome dele. Todas têm a ver com luta, valentia e destemor.

Em homenagem a Marte, o planeta Marte se chama Marte. O homem verdinho que lá nasce, marciano. O terceiro mês do ano, março. Judô, caratê e aiquidô, lutas marciais. Mulheres e homens guerreiros, Márcia e Márcio.

Sabia?
Por que luta marcial? Há muiiiiiitos anos, os guerreiros japoneses e chineses não tinham armas. Pra atacar ou defender, usavam o próprio corpo. Aprendiam, então, as lutas da guerra. São as lutas marciais.

Um a mais
De quatro em quatro anos, fevereiro ganha um dia a mais. Recebe, então, o nome de bissexto. Foi o caso de 2016. Sempre que o fenômeno ocorre, pintam duas dúvidas relacionadas à língua. Uma: a grafia de palavras escritas com o prefixo bi — com hífen ou sem hífen? A outra: a razão da presença dos ss.

Bi- joga no time dos prefixos que obedecem às três regras de ouro. Pede tracinho quando seguido de h ou de letras iguais (no caso, i). No mais, é tudo colado: bi-herói, bi-ilíaco, tri-histórico, tri-iodado, anti-higiênico, anti-imigração, contra-história, contra-ataque, super-habitação, super-região, bicampeão, tridimensão, antiemigração, superativo.

***

A dose dupla tem a ver com a pronúncia. O s entre duas vogais soa z. Pra manter o jeito de dizer, dobra-se o s. A regra vale para o r: bissexual, trissílaba, birregional, microssistema, minissaia, minirreforma.

Curiosidade

Aquiles tem muitas qualidades. Uma delas: a curiosidade. Ele olha com a certeza de que encontrará algo novo. E encontra. Outro dia, depois de ler a coluna sobre os 100 anos da vírgula, descobriu uma frase sem pontuação. E, claro, sem sentido. O desafio era dar-lhe lógica com o uso do sinal de pontuação. Eis o período:

*Um fazendeiro tinha um bezerro e a mãe do fazendeiro era também o pai do bezerro.

Viu? O enunciado parece samba do texto doido — sem pé nem cabeça. Aquiles pôs mãos à obra. Deu sentido ao sem-sentido. Assim:

*Um fazendeiro tinha um bezerro e a mãe; do fazendeiro era também o pai do bezerro.

Palmas pra ele.
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Sem flexão

José Ricardo é brasiliense. Assinante do Correio Braziliense, no sábado levou um baita susto. Em matéria sobre Erenice Guerra, o repórter se referiu a ela como “ex-toda-poderosa ministra da Casa Civil do Planalto”. O xis do espanto: toda-poderosa. Não seria todo-poderosa? Sem certeza, ele recorreu à coluna. E daí?

Todo, no caso, é advérbio. Significa totalmente. Invariável, não tem feminino nem plural. Com ele é tudo igual: Erenice era todo-poderosa do Planalto. As todo-poderosas do Oscar brilharam nas telas e no tapete vermelho. Os todo-poderosos da década passada estão dando a vez a novos líderes.

É isso.

Sem comentário?
Roldão Simas Filho leu este trecho no jornal: "Apesar de ainda não ter sido condenado por nenhum dos crimes atribuídos a ele — processos estão em andamento ou foram instintos por falta de testemunhas”. Achou-o tão absurdo que se negou a fazer comentários. Deixou a explicação para a coluna. Vamos lá?

Parecido não é igual. Mas confunde. Com sons semelhantes, ouvidos sem a devida atenção podem ouvir recados diferentes. No tropeço em pauta, muda a primeira sílaba. Extintos virou instintos. Talvez seja essa a explicação. Mas não a desculpa. Simples e elementar releitura teria acendido a luz vermelha.

Leitor pergunta
Mea-culpa tem plural?

Samantha Castro, Bh

Não. O artigo dá o recado: o mea-culpa, os mea-culpa.

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