Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Eu e você

15/03/2016 09:41

Dad Squarisi

O calendário marca 13 de março. Brasileiros vão às ruas protestar. De um lado, quem apoia a presidente Dilma. De outro, quem a quer fora do Palácio do Planalto. Ambos os grupos têm suas razões. Nada mais justo, pois, que conjugar o verbo tolerar. Duas pessoas sobressaem — a primeira e a segunda. Eis a forma: Eu tenho o direito de me manifestar. Você também tem o direito de se manifestar.

Dois times
Olho vivo! A turma do vermelho e a do verde-amarelo protestam. Mas a preposição faz a diferença. De tão poderosa, muda o sentido da ação. A primeira protesta contra o impeachment. A segunda, pelo impeachment. Contra dá ideia de insurgência, oposição. Por (pelo), de clamor, brado.

Nós e a língua

Quer exemplo de tolerância? Inspire-se na língua. Ela dá um boi pra não entrar na briga e uma boiada pra ficar fora. Por isso conjuga o verbo negociar. Vale o exemplo da secretária a quem o chefe pediu que preenchesse um cheque de R$ 600. “Como se escreve seiscentos?”, pergunta ela. “Faça dois cheques de R$ 300”, responde o patrão. “Seiscentos com s ou z?”, questiona a moça. “Pague com dinheiro mesmo”, decide ele.

Solitário

Os verbos tolerar e protestar vão ocupar o pódio das ações de domingo. Em outras palavras: vão sobressair. Sobressair é verbo pra lá de especial. Adora a solidão. “Eu sou mais eu”, diz ele. Por isso, não aceita companhia. Dizer “se sobressair”? Nãoooooooooooo! Basta sobressair: Faixas sobressairão nas manifestações.

Fica. Sai
Duas frases desfilam em cidades de norte a sul do país. Estão nas ruas, nos carros, nas sacadas de prédios. Uma: Fora, Dilma. A outra: Fica, Dilma. Reparou? Em ambas, Dilma vem separada por vírgula. Trata-se do vocativo, o termo mais elitista da oração. Ora ele aparece no começo da oração. Ora, no meio. Ora, no fim. Apareça onde aparecer, o chamamento mantém a marca — como água e azeite, não se mistura: Dilma, fica. Fica, Dilma. Dilma, fora. Fora, Dilma. Dilma, ouça o clamor das ruas. Ouça, Dilma, o clamor das ruas. Ouça o clamor das ruas, Dilma.

Hífen

Nome próprio é majestoso. Antecedido de prefixo, exige hífen. A razão é simples como andar pra frente. A língua portuguesa não tem letra maiúscula no meio da palavra: anti-Dilma, pró-Dilma, super-Dilma, sub-Dilma.

Ser e parecer
“Quem se sabe profundo se esforça por ser claro. Quem gosta de parecer profundo à multidão se esforça por ser obscuro.” (Friedrich Nietzsche).

Leitor pergunta

Sei que hífen é castigo de Deus. Ninguém, nem Ele, jura que domina as regras referentes ao tracinho. Estou, pois, em boa companhia. Minha questão: por que corresponsável se escreve com rr?

Sandro Bezerra, Recife


Corresponsável se escreve com rr pela mesma razão que minissaia se grafa com ss. É pra manter a pronúncia da palavra. O r entre duas vogais soa diferente de rr (caro, carro). Daí a dose dupla: minirreforma, corréu, videorrevista.

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