Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Cortes e particularidades

16/03/2016 11:48

Dad Squarisi

Valha-nos, Deus! Cadê o dinheiro? A inflação comeu. O mês ficou compriiiiiiiiiiiido e o salário, curtinho. Sem juízo, o estômago mantém o hábito. Quer as três refeições. O jeito? É dar um jeito. Um deles: trocar produtos mais caros por outros mais baratos. É o caso da carne. “A vermelhinha está pela hora da morte", reclamou a freguesa do supermercado. Atento, o vendedor lhe apresentou alternativa: "Compre frango. Está mais barato". Ela agradeceu a sugestão. Em casa, não deixou a peteca cair. Caprichou no tempero e na apresentação. Ao servir a delícia, perguntou ao marido:

— Você pode destrinchar o frango?

Ele engoliu em seco. Tossiu levemente. Olhou pros filhos sem pressa. Por fim, delicado, fez a correção:

— Não posso destrinchar. Mas posso trinchar.


E pôs mãos à obra. Sem pressa, cortou a carne em pedaços. Arrumou-os na travessa. Depois serviu. Quem ganhou a primeira porção? Ela, claro. A cozinheira nota 10.

A diferença
Trinchar é cortar em pedaços a carne servida na mesa. Destrinchar (ou destrinçar) não tem nada a ver com gulas, fomes e sedes. Quer dizer esmiuçar, particularizar, resolver em detalhes: Depois do debate, o comentarista destrinchou o assunto tim-tim por tim-tim . Quem consegue destrinchar a consequência das históricas manifestações? Técnicos tentam destrinçar as causas que levaram à calamidade da economia.

Troca-troca
Não gosta de frango? Parta pra outra. Que tal uma pizza jeitosa? Seja qual for o sabor, um ingrediente é obrigatório. Trata-se do queijo que derrete no forno e acaricia o paladar. A delícia se chama muçarela — assim mesmo, com ç.

Por falar em dinheiro

Cinquenta, filhote do latim quinquaginta, não tem nenhum parentesco com cinco. Daí só ter a forma com q.

Cada um na sua
Olho vivo, moçada! As palavras adoram pregar peças nos falantes. É o caso de caro e barato. Os dois adjetivos estão embutidos na palavra preço. Quem diz preço caro ou preço barato cai na cilada das matreiras. O preço é alto ou baixo. O bem ou serviço sim, são caros ou baratos: Os preços no Brasil foram mais baixos. Agora, com a inflação, estão pra lá de altos. A carne está cara. Comer fora custa caro. Comer em casa é mais barato.

Eta confusão
“O Corpo de Bombeiros atendeu 27 ocorrências de mau súbito”, escreveu o jornal de segunda, pós-manifestações. Ops! Pisamos a grafia. O contrário de mau é bom; de mal, bem. Melhor: O Corpo de Bombeiros atendeu 27 ocorrências de mal súbito.

Mais confusão

Vamos combinar? O u e o l causam estragos. Em fim de sílaba, eles soam do mesmo jeitinho. Resultado: o troca-troca faz a festa. Cauda e calda servem de prova. Olho vivo. O piano, o vestido, certos bichos têm cauda. Todos têm um alongamento traseiro. Calda? Ah, é o sumo gostosinho fervido com açúcar e água. Quem resiste a uma calda de chocolate quentinha sobre o sorvete? Só louco. Ou quem acredita que o bom engorda, faz mal ou é pecado. Xô!

Leitor pergunta
Eu fiz. Eu quis. O som é o mesmo. Mas a grafia não. Por quê?

Jaime Sereno, BH

A resposta está no nome do verbo. No infinito aparece z? Então, não duvide. Sempre que o fonema z soar, dê a vez à lanterninha do alfabeto. Sem o z, o s pede passagem. Compare:

Fazer — faz, fazemos, fazem, fiz, fez, fizemos, fizeram, fizer, fizermos, fizerem, fizesse, fizéssemos, fizessem

Dizer
— diz, dizemos, dizem, dizendo

Querer — quis, quisemos, quiseram, quiser, quisermos, quiserem, quisesse, quiséssemos, quisessem

Pôr — pus, pôs, pusemos, puseram, puser, pusermos, puserem, pusesse, puséssemos, pusessem.

Atenção, muita atenção, Jaime. O derivado é maria vai com as outras. Segue o primitivo sem tirar nem pôr: fez, refez, desfez, desdiz, desdizendo, compuser, compusesse.

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