Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Palavrão, qual é a tua?

21/03/2016 14:41

Dad Squarisi

O personagem da semana? Ele mesmo, Lula. Primeiro, pintou a suspeita. O ex-presidente seria nomeado ministro? Depois, a certeza. Foi nomeado. Por fim, a divulgação de diálogos gravados com autorização da Justiça. Foi aí que a porca torceu o rabo. Na transcrição das conversas, emissoras de rádio e tevê censuraram os palavrões. Ouvintes e telespectadores protestaram. Queriam ouvir as frases na totalidade — tim-tim por tim-tim.

E daí? Os meios de comunicação se orientam por regras próprias. Manual de redação apresenta as regras que os profissionais devem seguir. O dos Diários Associados, por exemplo, diz o seguinte: “Os leitores são sensíveis. Indignam-se com palavrões, obscenidades e expressões chulas. Acolha-as só em situações excepcionais. É o caso de manifestação de alguém quando a palavra tiver indiscutível valor informativo ou reflita a personalidade de quem a profere”. O Correio decidiu transcrever as falas na íntegra.

Extra! Extra! Extra!

Em dia excepcional, uma palavra ganha destaque. Trata-se de extra. A dissílaba confunde os redadores. Ela tem flexão? Grafa-se com hífen ou sem hífen? Eis as respostas:

1. Como adjetivo, flexiona-se em número: hora extra, horas extras, trabalho extra, trabalhos extras.

2. Na escrita, só pede hífen quando seguido de a e h: extra-abdominal, extra-alcance, extra-humano, extra-hospital, extraclasse, extraordinário.


Às avessas
Conhece a história do extra? No começo da vida, a dissílaba era polissílaba — extraordinário. Pronunciar palavra tão compriiiiiiiiiiiiiida? Dá preguiça. Vem, lei do menor esforço. A grandona foi encurtada. Mas manteve o sentido e a flexão.

Veneninho
Com um corpo de violino
e escrúpulos precários
Dadá, a mulher do Lino,
se tornou extra de vários.

Gangue do MARIO
“Lulagate incendeia o país” foi a manchete do Correio de quinta. Antes de escrevê-la, pintou a dúvida. Como se conjuga incendiar? A resposta lembrou a gangue do MARIO. A sigla se formou com a primeira letra dos cinco verbos que compõem a patota: M de mediar, A de ansiar, R de remediar, I de incendiar e O de odiar. Todos obedecem ao chefe. Odiar manda. Os outros vão atrás: odeio (medeio, anseio, remedeio, incendeio), odeia (medeia, anseia, remedeia, incendeia), odiamos (mediamos, ansiamos, remediamos, incendiamos), odeiam (medeiam, anseiam, remedeiam, incendeiam). E por aí vai.

Troca-troca

Uns saem. Outros entram. Dilma preencheu as vagas no ministério. Flexionou o verbo nomear. Terminado em -ear, ele obedece à manha da família. No presente, todas as pessoas têm i. Todas? Quase todas. O nós e o vós dispensam a letrinha mais magrela do alfabeto: eu nomeio, tu nomeias, ele nomeia, nós nomeamos, vós nomeais, eles nomeiam; que eu nomeie, tu nomeies, ele nomeie, nós nomeemos, vós nomeeis, eles nomeiem.

Leitor pergunta
“Preciso que leia o texto antes de ele ser passado pra diretora.” “Preciso que leia o texto antes dele ser passado pra diretora.” Qual a forma correta?

Célia Hamburgo, Porto Alegre


A língua se parece com os falantes. Cheia de caprichos, tem preferências. Tem, também, amigos e inimigos. O sujeito serve de exemplo. Mandão, ele é pra lá de elitista. Não se mistura nunca com a preposição. Por isso, antes dele, a combinação da preposição com o artigo ou o pronome não tem vez. Fica uma lá e outro cá: Preciso que leia o texto antes de ele (sujeito) ser passado pra diretora. Os manifestantes descartam a possibilidade de o governo (sujeito) assinar a medida provisória. A fim de eu (sujeito) continuar no páreo, preciso treinar mais. Apesar de o ministro (sujeito) negar, é certo o pedido de demissão.

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