Eu pago, nós pagamos - Concursos

Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Eu pago, nós pagamos

31/03/2016 11:33

Dad Squarisi

Brasília está em chamas. O fogaréu se espalha Brasil afora. De norte a sul do país, só se fala naquilo — o futuro do governo Dilma. A presidente cai ou fica? Há pressão dos dois lados. Uma é pra lá de divertida. Trata-se dos patos da Fiesp. A Federação das Indústrias de São Paulo povoou o gramado do Congresso de simpáticas aves amarelinhas. Uma frase resume a ideia da campanha: “Chega de pagar o pato”.

A questão
O período desperta curiosidades. Perguntas pululam aqui e ali. A que mais se ouve é esta: “Qual a origem da expressão pagar o pato”? Dizem que a história é contemporânea do rascunho da Bíblia. Uma bela mulher queria comprar um pato. Mas, sem dinheiro pra pagar a mercadoria, aceitou trocar a ave por um namorico com o vendedor.

Assim fez. Quando saía da loja, o maridão apareceu. O comerciante quis tirar vantagem. Apresentou a conta. O homem desembolsou a graninha e se foi feliz da vida. Daí por que pagar o pato passou a significar fazer papel de tolo, pagar para que os outros aproveitem, arcar com as responsabilidades alheias. Cá entre nós: você já pagou o pato? Eu já.

Bummmmmmm

Um doido ameaçou explodir avião egípcio que sobrevoava o Mediterrâneo. O Bom Dia, Brasil noticiou: “Homem obrigou a aeronave a pousar no Chipre”. Ops! Maltratou a língua. Chipre dispensa a companhia do artigo: Chipre é ilha. Sou de Chipre. Visitei Chipre no ano passado. Homem obrigou avião a pousar em Chipre.

Mesmo time

Viu? Chipre joga no time de Goiás, Sergipe, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul & cia. Eles agradecem a generosidade, mas dão cartão vermelho ao artigo: Goiás fica pertinho de Brasília. Sou de Goiás. Nasceu em Goiás. Chegou de Sergipe. Nasceu em Mato Grosso, mas mora em Mato Grosso do Sul.

É assim
Quem nasce em Chipre é cipriota.

Superdica

Como convencer alguém apenas com palavras? Izidoro Blikstein responde: “Não desconsidere uma pergunta indevida ou descabida. Não humilhe o outro. Evite o `eu acho´. Achismos não são nada. O contato visual também é importante, exceto em alguns países orientais, como o Japão, onde ele é considerado invasivo. No Brasil, passa empatia”.

Delícia gaúcha
Brasília ganhou uma loja especializada em croissants. Chama-se Croasonho. O nome vem do casamento da delícia com o sonho dos idealizadores do produto. Liana Sabo, que, além de comes e bebes entende de português, estranhou a grafia. A razão: um s entre duas vogais soa z. É o caso de mesa, camisa, surpresa. E, claro, croasonho. Pra manter a pronúncia, o s deveria ser dobrado?

Deveria. O mesmo procedimento se observa em minissaia, videorreportagem, maxirreforma. Mas... trata-se de nome fantasia. Como na literatura, o autor tem licença poética. Resta saber se os fregueses vão adivinhar a etimologia ou pronunciar prozonho. Em bom português: faltou combinar com os russos.

Leitor pergunta

"Ler e falar", crônica do admirado Ferreira Gullar, começa assim: "O fato de que, nas provas do Enem, é cada vez menor as referências à literatura brasileira". Eu escreveria assim: "Nas provas do Enem, são cada vez mais escassas as referências à literatura brasileira". Como justificar a concordância usada pelo mestre?

José Maria de Souza Andrade, Brasília

Artista tem licença poética. Pode pisar a gramática sem medo de punição. Drummond, que sabia das coisas, escreveu “Cacilda Becker morreram”. Ninguém reclamou. Hoje a frase é referência obrigatória nas lições de estilística.

Ferreira Gullar desrespeitou a concordância — não sei se por descuido ou escolha. Ao pôr a oração na ordem direta, fica claro o desvio: O fato de que, nas provas do Enem, as referências à literatura brasileira são cada vez menores.(O sujeito, referências, está no plural. O verbo vai atrás.)

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