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De olho na eleição americana

16/11/2016 13:13

Dad Squarisi

Recado
“As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade.”
Victor Hugo

De olho na eleição americana
De um lado, Hillary Clinton. De outro, Donald Trump. Ela, advogada de sucesso e política tarimbada. Ele, empresário pra lá de rico que atua em vários negócios. O mais rentável: exploração de cassinos.
A campanha foi um sobe e desce sem fim. Ora as pesquisas apontam a candidata como vencedora. Ora, o candidato. Terça o vaivém chegará ao fim. O eleitor dirá se quer um ocupante da casa Branca de terno e gravata ou de vestido, salto alto e batom.
Eles e nós
Até lá, vale a pena ver o que acontece por aqui. Ao tratar do tema, pegadinhas entram em cena. Uma delas, o emprego de norte e sul. Outra, o significado de palavras. Mais uma: a grafia de vocábulos com s ou z. Outra ainda: concordâncias traiçoeiras.

Só um
Hillary ou Trump? Só um se sentará na cadeira presidencial. Por isso, olho na conjunção ou. Ela é bivalente. Ora indica exclusão; ora, inclusão. No primeiro caso, o verbo vai para o singular. No segundo, para o plural: Hillary ou Trump será presidente dos Estados Unidos (só há uma vaga). Um ou outro eleitor votarão em branco (há margem para mais de um).

Temperamental sim, senhor
Quando entrou na disputa, Donald Trump parecia menino mimado que queria um brinquedo. O objeto de desejo dele no momento era a Casa Branca. Ser presidente dos Estados Unidos não é coisa pra principiante. Caprichoso, saiu prometendo loucuras preconceituosas. Entre elas, expulsar os muçulmanos do país e construir um muro para separar a maior potência do planeta do vizinho México. Também falou mal das mulheres e ofendeu as gordinhas.
A oposição aproveitou a deixa. Explorou as sandices o quanto pôde. A imprensa deitou e rolou. Chamou o milionário de “intempestivo”. Bobeou. Tempestivo e intempestivo não têm nada a ver com temperamento. Têm a ver com o calendário. Tempestivo é o que está no prazo. Intempestivo, fora do prazo: O advogado apresentou o recurso tempestivamente. Manifestou-se intempestivamente (fora de hora).

Norte e sul
Norte-americano, norteamericano ou norte americano? Entre no cassino de Donald Trump e faça sua aposta. Escolheu a primeira opção? Acertou. Norte e sul pedem hífen na formação de adjetivos pátrios: norte-americano, norte-coreano, norte-rio-grandense, sul-americano, sul-coreano, sul-vietnamita, sul-asiático, sul-africano.

Centro
Entre os extremos, fica o meio. Como lidar com ele? Do mesmo jeitinho. Centro exige tracinho na formação de adjetivos: centro-americano, centro-asiático, centro-africano, centro-direita, centro-esquerda.

Olho na família
Pesquisa se escreve com s. Pesquisar também. Análise se grafa com s. Analisar vai atrás. Mas catequese se escreve com s e catequizar com z. Por quê? As palavras têm família. A primitiva funciona como sobrenome. Todos os membros do clã a seguem.
O sufixo formador de verbos é –ar. Ele se cola ao radical do vocábulo. Como no jogo do bicho, respeita o que está escrito: martelo (martelar), cochicho (cochichar), análise (analisar), pesquisa (pesquisar), camisa (encamisar).

Outro caso
Catequizar joga em outro time. Lembre-se: o prefixo formador de verbos é –ar. Se ele se colasse a catequese, teríamos catequesar. E daí? Entra em cartaz o –izar: canal (canalizar), civil (civilizar), autorização (autorizar). E catequese, catequizar, claro.

Leitor pergunta
Eleito ou elegido? Sei que o verbo eleger é abundante. Tem os dois particípios. Mas sempre tenho dúvida quando usar um ou outro.
Cleber Portanova, Goiânia
O emprego do particípio regular (elegido) ou irregular (eleito) depende da companhia. Com ter e haver, é a vez do polissílabo. Com ser e estar, do trissílabo: Trump será eleito. Hillary está eleita? Na eleição passada, Obama foi eleito. Os americanos têm elegido candidatos previsíveis.


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