Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Xô, privilégio

18/11/2016 09:00 | Atualização: 16/11/2016 13:19

Dad Squarisi

Recado
“Arte é a expressão dos mais profundos pensamentos da maneira mais simples.”
Albert Einstein

Xô, privilégio
Todos são iguais perante a lei? A Constituição diz que sim. Mas a realidade prova que existem os mais iguais. É o caso dos políticos. Deputados e senadores, por exemplo, não são julgados como os demais mortais. Só o Supremo Tribunal Federal pode fazê-lo.

Campanhas ganham corpo contra a discriminação. “Xô, privilégio”, gritou o Correio Braziliense. O grito virou coro e ganhou a hastag #XôPrivilégio. Atenção, muita atenção! Além de aderir ao movimento, abra os dois olhos e afine os dois ouvidos. Privilégio se escreve com i.

De lá pra cá
Muitos brasileiros têm conta no exterior. São dólares que fazem falta ao país, que precisa das verdinhas pra investir e pagar dívidas. O jeito? Abrir brechas para incentivar a volta dos milhões. Os titulares pagam os impostos e legalizam a grana. Deu certo. O governo anunciou arrecadação acima de R$ 50 milhões.

Mas, ao fazer as contas direitinho, descobriu que não tinha chegado a tanto. A repatriação ficou abaixo do esperado. Abaixo? Ou a baixo? As duas formas existem. Mas têm empregos diferentes:

Abaixo indica posição menos elevada. É o contrário de acima: A casa veio abaixo. A correnteza levava o barco rio abaixo. A temperatura está abaixo de 30º.

A baixo dá ideia de movimento – da posição superior à inferior: Olhou-a de alto a baixo. A cortina rasgou-se de alto a baixo. O policial observou o suspeito de alto a baixo.


Enem
Eta barra pesada! O Enem se desvia de uma pedra e pintam outras no caminho. Primeiro, a ocupação de escolas. Depois, a suspeita de vazamento do tema da redação. Movimentos pintam aqui e ali. O verbo adiar entrou em cartaz. Nada menos de 250 mil estudantes farão a prova em dezembro. Por que não anular a redação suspeita e incluir todos os alunos no mesmo barco?

Ao falar no assunto, os apressados dizem “adiar pra depois”. Bobeiam. É baita pleonasmo. Não se adia para antes. Só para depois. Há jeitos de safar-se. Um: basta dizer adiar a prova. Outro: delimitar o tempo – adiar para dezembro, adiar para o ano que vem.

Quem é quem

O quem é um pronome pra lá de elitista. Adora gente. E só gente. Sempre que aparece, fala de pessoas: Quem chegou? Não sei quem chegou. Foi Maria quem chegou?

Simples, não? Mas o mundo é cheio de maldades. Ou de descuidados. Com frequência, as pessoas sem coração agridem o quem. Uma das violências contra o pobrezinho é empregá-lo em frases como estas:

Foi o Ministério da Fazenda quem recebeu a atribuição.

É a UnB quem divulga o número de vagas adicionais do próximo semestre.

Tropeço

Entidades não são pessoas. Por isso construções como essas pegam mal como bater em mulher. Comprometem a reputação até de Deus. A boa forma recorre ao pronome que:

Foi o Ministério da Fazenda que recebeu a atribuição.

É a UnB que divulga o número de vagas adicionais do próximo semestre.

Mais
Há outra violência muito comum. Volta e meia o quem aparece em textos acompanhado da preposição a. Disfarçado. Como quem não quer nada:

O Senado Federal, a quem compete autorizar empréstimos externos, é composto de 81membros.

Cruz credo! Benza-nos Deus. O Senado Federal não é pessoa. O quem fica longe dele. Xô! Dê a vez do pronome o qual:

O Senado Federal, ao qual compete autorizar empréstimos externos, é composto de 81membros.

Guarde isto
O pronome quem só gosta de gente.

Leitor pergunta
A abreviatura de palavras acentuadas mantêm o acento?
Soraia Bonfim, Sorocaba


As abreviaturas formadas pela redução de palavras mantêm o acento e o s do plural: séc., sécs., pág., págs.

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