Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Sua Majestade a superlua

29/11/2016 09:00

Dad Squarisi

Recado
“Não dava para pagar as compras da mercearia com o dinheiro que eu ganhava como poeta.”
Leonard Cohen

Sua Majestade a superlua
Cantada em prosa e verso, a Lua mexe com o amor, o humor e a cabeça. Os namorados ficam mais apaixonados; os alegres, mais alegres; os tristes, mais tristes; os loucos, mais desvairados. Até o gado endoida.
Se a luazinha nossa de todos os dias tem tanto poder, que se dirá da superlua? A majestosa é maior e mais brilhante que a Lua cheia comum. Além disso, é rara. A última desse tamanhão apareceu em 1948. A próxima, em 2034. Que privilegiados somos!
Gratidão
Para agradecer a oportunidade de assistir a tão sedutor espetáculo, ajoelhemo-nos, levantemos as mão ao céu e demos graças. De quebra, lembremo-nos de requintes da língua. Um deles: a grafia dos anos. Ela dispensa o ponto. Compare: A última superlua com as proporções da atual ocorreu em 26 de janeiro de 1948. A próxima está prevista para 25 de novembro de 2034. O aluguel do carro ficou em R$ 1.200.
Percentagem
Não só o numeral tem manhas. A percentagem também. Por questão de clareza, o signo % deve aparecer em todos os números. Assim: A Superlua ficará 14% maior e 30% mais brilhante que a Lua cheia comum no apogeu. A variação pode oscilar entre 12% e 14%.

Sabia?
Na superlua, a Lua cheia chega mais perto do centro da Terra. O fenômeno se chama perigeu. O contrário rima. É apogeu.

Grandonas
Terra e Lua são nomes de planetas. Como os irmãozinhos, são nomes próprios. Escrevem-se com a inicial grandona: Marte, Mercúrio, Saturno, Júpiter, Plutão.
Super
O prefixo super- indica dimensões superiores. Nem por isso é melhor que os irmãos. Um e outros dão trabalho no emprego do hífen. Mas o dissílabo, apesar da superioridade, obedece à regra da maioria. Pede o tracinho quando seguido de h ou quando duas letras iguais se encontram (no caso o r). No mais, é tudo colado: super-herói, super-região, superativo, supermercado.
Distributivo
“Ao mirar a superlua, crianças coçaram os narizes”, escreveu o jornal. Certo? Não. O plural, aí, joga no time de “nossos corações vibravam de felicidade”, “a universidade divulgou os nomes dos aprovados”, “o mestre de cerimônia agradeceu as presenças de todos”. Olho vivo!
No caso, o singular é distributivo. Vale pra todos. Ninguém tem mais de um nariz, mais de um coração, mais de um nome, mais de uma presença: As crianças coçaram o nariz. Nosso coração vibrava de alegria. A universidade divulgou o nome dos aprovados. O mestre de cerimônia agradeceu a presença de todos. A tragédia marcou a vida de várias gerações.

Por falar em plural...
A pergunta passa de boca em boca. Substantivo próprio tem plural? Tem. Ele não goza de privilégios. Flexiona-se como os substantivos comuns. Eça de Queirós deu o exemplo. Escreveu Os Maias. Nós vamos atrás: os Silvas, os Castros, os Câmaras, as Antônias.
Há exceção? Há. Quando a flexão descaracteriza o nome, cessa tudo o que a musa antiga canta. É o caso de Queiroz. Queirozes? Nãooooooooooo! Singular e plural ficam iguais: os Queiroz.

Estrangeiros
As línguas adoram conversar. Nos bate-papos, umas contagiam as outras. Apoderam-se de vocábulos que enriquecem o léxico e melhoram a comunicação. São, pois, pra lá de bem-vindos. Nós os tratamos como gente de casa. Sem discriminação: shows, shoppings, gangues, garagens, abajures.
Leitor pergunta

As mulheres são o alvo da campanha? Ou são os alvos da campanha? Filmes nacionais tornaram-se o destaque do festival? Ou os destaques do festival? Atenção, muita atenção. Deixe no singular o substantivo abstrato que, depois do verbo de ligação (ser, estar, tornar-se, virar, constituir) caracterize genericamente o sujeito plural: As mulheres são o alvo da campanha. Filmes nacionais tornaram-se o destaque do festival. Os voluntários constituem exemplo de eficiência. Animais em extinção viraram objeto de desejo dos colecionadores. Substantivos e verbos são o essencial da oração.

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