Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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A internet trouxe o mundo pra dentro da nossa casa

19/12/2016 16:36

Dad Squarisi

Recado
“A leitura eu conheci / E novas palavras aprendi / Textos incomparáveis li.”
Hudson Mateus Araújo Ribeiro
 
Sem dilema
O vermelho desbotou. Culpa do Internacional. O time gaúcho caiu pra segunda divisão. Com a queda, velho dilema deixou de existir. Papai Noel se vestirá de azul, cor do Grêmio, velho rival do Colorado.

Ao descrever a partida, narradores repetiam minuto após minuto o adjetivo ruim. Deram o recado, mas tropeçaram na pronúncia. Ruim rima com arlequim. Ou gergelim. Ou Joaquim. A sílaba forte é im.

Eles trataram a palavra como monossílaba. Mas ela é dissílaba – ru-im. A sílaba mais forte é a última. Trocar dois por um? Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Dói como soco no ouvido. Xô!
 
Acordar
Você sabe o que significa acordar? Vamos começar separando as sílabas da palavra: a-cor-dar. Viu? Significa dar a cor, colorir, colocar o coração em tudo o que faz. Dê a você a chance de a-cor-dar todos os dias, principalmente nos mais cinzentos.
 
Alto risco
Circula na internet imagem de uma idosa gordinha com a abertura de pernas igual à das bailarinas. Com ela, o texto: “Se o Temer ver isso, acabará de vez com a aposentadoria”. O esbarrão na língua reduziu a graça da piada.

O futuro do subjuntivo do verbo ver se forma do pretérito-perfeito do indicativo. A 1ª pessoa da sofisticada forma sai prontinha da 3ª pessoa do plural menos o –am. Assim:

Pretérito-perfeito: vi, viu, vimos, vir(am)
Futuro do subjuntivo: se eu vir, ele vir, nós virmos, eles virem

Moral da opereta: A frase provocaria gargalhadas se tivesse sido escrita assim: “Se Temer vir isso, acabará de vez com a aposentadoria”.  
 
Hora da Leitura

O Centro Educacional de Arapoanga, em Planaltina, dá exemplo à rede de ensino. Promove, durante o ano, a Hora da Leitura. A meninada vai à biblioteca e lê, lê muito. Transforma o livro em amigo. No fim do ano, trabalhos são expostos. Talentos vêm à tona. É o caso do Recado que abre esta coluna. Ou destes versos de Maria Danielly: “De todos os livros que li / Jamais me esqueci / Eles me ajudaram / A crescer e evoluir”.

 
Invasão
A internet trouxe o mundo pra dentro da nossa casa. Fatos que acontecem em lugares distantes, que não têm relevância pra nós, ganham destaque. É o caso de explosão no Egito.

Ao dar a notícia, a GloboNews disse que “25 pessoas morreram nos arredores de Cairo, a capital do país”. Nada feito. É verdade que nome de cidade dispensa artigo. Dizemos Paris (não: a Paris), Brasília (não: a Brasília), Belém (não: a Belém).

Mas, como toda regra tem exceção, essa também tem. Cidades terminadas por “o” pedem artigo. É o caso de o Rio, o Porto, o Cairo. Recife? O Recife? Trata-se de regionalismo. Os pernambucanos fazem questão do ozinho. Mas ele é facultativo. Use-o se quiser.
 
Pergunta de Cunha
“Vossa excelência foi comunicada pelo senhor Nestor Cerveró sobre uma suposta proposta financeira feita a ele para sua manutenção no cargo?” A pergunta feita ao presidente Temer por Eduardo Cunha bate na língua como o mar furioso bate nos rochedos. São três pancadas:
1.   Grafia. Pronomes de tratamento se escrevem com letra maiúscula: Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Santidade, Vossa Majestade, Sua Excelência, Sua Senhoria.

2.   Emprego do verbo. Foi comunicada? Não. A voz ativa pede passagem: “O senhor Nestor Cerveró comunicou a Vossa Excelência uma suposta proposta financeira feita a ele para sua manutenção no cargo?”

3.   Clareza. O pronome sua se refere a quem – ao presidente ou ao Nestor Cerveró? O texto não diz. A batata quente fica na mão do leitor. Xô!

Leitor pergunta

Li esta propaganda da Coca-Cola: “Se ter opções é importante pra você, é importante pra gente”. Minha dúvida reside no emprego do pra. Não deveria ser para?

Hudson Resende, João Pessoa

 O dicionário, Hudson, registra as duas formas. Para é mais formal; pra, informal. Mas ambas estão corretas. Num texto de bermudas e camiseta, o pra pede passagem. Num de terno e gravata, dê a vez ao para.

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