Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Mudou o Natal ou mudei eu?

25/12/2016 09:00

Dad Squarisi

Recado
“De esperança em esperança, o mundo se desdobra aos poucos.”
Dom Paulo Evaristo Arns

A hora e a vez da senhora cor
As datas têm símbolos. A cor é um deles. Branco representa a paz. Amarelo, a Páscoa. Verde, a esperança. Vermelho, o Natal. Não por acaso, Papai Noel contrasta o rubro com a barba branca. Não por acaso, também, as vitrines exibem roupas e acessórios que lembram o dia do nascimento de Jesus.
Já que as cores deixam de ser simplesmente cores e ganham novos significados, impõe-se tratá-las com a reverência que merecem. Primeiro passo: respeitar-lhes a concordância. A regra é fácil como andar pra frente. Quando for adjetivo, a palavra concorda em gênero e número com o substantivo: toalha branca, folhas verdes, vestidos azuis, radiação infravermelha. 

Xô, regra
Há exceções? Há. Marinho e ultravioleta jogam no time das inflexíveis. Batem pé e se mantêm invariáveis: bolsa marinho, bolsas marinho, sapato marinho, sapatos marinho; raio ultravioleta, raios ultravioleta.
Escondidinha

A língua gosta de brincar de esconde-esconde. De vez em quando, deixa subentendida a expressão cor de. A concordância dá as mãos à escondidinha: calças (cor de) cinza, uniforme (cor de) oliva, toalhas (cor de) pérola, blusas (cor de) vinho, colares (cor de) marfim, embalagens (cor de) carmim.

Às claras

A reforma ortográfica cassou o hífen de palavras compostas. Entre elas, as formadas de dois ou mais vocábulos ligados por preposição, conjunção, pronome. Pé de moleque, mão de obra, tomara que caia, mula sem cabeça, dor de cotovelo & cia. se escreviam com tracinho. Agora estão soltinhas da silva. (Nome de bichos e plantas mantêm o hífen – joão-de-barro, castanha-do-pará.)
As cores entraram na faxina. Antes, cor de laranja, cor de carne, cor de vinho, cor de abóbora e tantas outras se grafavam com o tracinho de ligação. Agora, mandaram-no plantar batata no asfalto. Mas cor-de-rosa manteve o hífen. É exceção que confirma a regra.
 
Mais de um

Como lidar com o adjetivo composto? Ele tem manhas. Pra não cair na cilada, preste atenção à classe gramatical das palavras que o compõe. São dois casos:
1. Adjetivo + adjetivo ou palavra invariável adjetivo: só o segundo se flexiona (olho castanho-escuro, olhos castanho-escuros, símbolo verde-amarelo, símbolos verde-amarelos, camiseta verde-amarela, camisetas verde-amarelas).
Exceção: azul-marinho e azul-celeste, que são invariáveis – sapato azul-marinho, sapatos azul-marinho; blusa azul-celeste, blusas azul-celeste.
2. Adjetivo substantivo ou substantivo adjetivo: ambos permanecem invariáveis (saia azul-turquesa, saias azul-turquesa, papel verde-mar, papéis verde-mar, uniforme verde-oliva, uniformes verde-oliva, bandeira amarelo-canário, bandeiras amarelo-canário, vestido rosa-claro, vestidos rosa-claro, bolsa castor-escuro, bolsas castor-escuro).
Pegadinha
Qual a cor do cavalo branco de Napoleão? Respondeu branco? Errou. A pergunta se referia à cor – branca.
Que tal?
“Sugestões de presentes para o Natal: 
Para seu inimigo, perdão. 
Para um oponente, tolerância. 
Para um amigo, seu coração. 
Para um cliente, serviço. 
Para tudo, caridade. 
Para toda criança, um exemplo bom. 
Para você, respeito.” (Oren Arnold)
Eles disseram
“Perdão é quando o Natal acontece em outra época do ano.” (Adriana Falcão) 
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“Mudou o Natal ou mudei eu?” (Machado de Assis)
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“O Natal não é um acontecimento. É uma parte do lar que a gente sempre leva no coração.” (Freya Stark)
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“O Natal não é uma data. É um estado de espírito.” (Mary Ellen Chase)
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“Oxalá pudéssemos manter o espírito de Natal em jarros e abrir um jarro a cada mês do ano.” (Harlan Miller)
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“Quando se vê, já são 6 horas.
Quando se vê, já é sexta-feira.
Quando se vê, já é Natal.” (Letícia Correa)
Leitor pergunta
Qual a diferença entre costa e costas?
Larry Cooper, Porto Alegre
Costa é litoral (costa brasileira, costa africana). Costas, parte posterior do corpo: dor nas costas.


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