Concurso, CorreioWeb, Brasília, DF

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Caso ou acaso?

28/12/2016 10:59

Dad Squarisi

Recado
“Só existe uma língua – a falada.”
Millôr Fernandes

Mensagens nota 10

É dezembro. O mês dá passagem à escrita. Escrevemos cartões, e-mails, recadinhos. O importante é passar mensagens claras e sedutoras. Como chegar lá? Mantenha o olho no leitor e siga estes mandamentos. 

Seja adequado
A língua se parece a imenso armário. Nele há todos os tipos de roupas. O desafio: escolher a mais adequada para o momento. A piscina pede biquíni, maiô, sunga. O baile de gala, longo e black-tie. O cineminha, traje esporte. Trocar as vestes tem nome. É inadequação. O mesmo princípio orienta o texto. Não se trata de certo ou errado. Mas de adequado ou inadequado. 

Seja claro
Montaigne, há 400 anos, disse que o estilo tem três virtudes. A primeira: clareza. A segunda: clareza. A terceira: clareza. Graças a ela, o receptor entende a mensagem sem ambiguidades. Como ensina Íñigo Dominguez, “uma frase tem de estar construída de tal forma que não só se entenda bem, mas que não se possa entender de outra forma”. 

Seja preciso
A precisão tem íntima relação com as palavras. Buscar o vocábulo certo para o contexto é trabalho árduo. Exige atenção, paciência e pesquisa. Consultar dicionários deve fazer parte da rotina de quem escreve. 

Seja natural
Imagine que o leitor esteja à sua frente conversando com você. Sinta-se à vontade. Faça pausas e perguntas diretas. Dê ao texto um toque humano. Você se dirige a pessoas de carne e osso.


Seja fácil
No mundo de corre-corre, queremos textos curtos, precisos e prazerosos. Rapidez de leitura fisga. Pra chegar lá, opte por palavras familiares. As longas e pomposas são pragas. Em épocas passadas, quando a língua era instrumento de exibição, elas gozavam de enorme prestígio. Falar difícil dava mostras de erudição. Impressionava. Hoje a realidade mudou. Impõe-se informar — rápido e bem. 

Seja gentil
Comece bem, com uma frase atraente, que desperte o interesse e estimule a vontade de avançar até o fim. Aí, ofereça o prêmio cuidadosamente escolhido: um fecho marcante. Lembre-se: a última impressão é a que fica. 

Seja leve
Não canse. Escreva nem mais, nem menos – o suficiente. Busque a frase elegante, capaz de veicular com clareza e simplicidade a mensagem que você quer transmitir. 

Seja respeitoso
Boa parte das pessoas se indigna com palavrões, obscenidades e expressões chulas. Evite-as. Xô!

Seja surpreendente
Surpresa chama a atenção e desperta a curiosidade. É o gosto pelo inusitado. O chavão vai de encontro à novidade. Soa como coisa velha. Transmite a impressão de pessoa preguiçosa, desatenta ou malformada. Em bom português: incapaz de surpreender.

Seja politicamente correto
As palavras carregam carga ideológica. Algumas mais, outras menos. A sociedade está muito atenta aos vocábulos que reforçam preconceitos. Cor, idade, peso, altura, origem, condição social e preferências sexuais são as principais vítimas. 
Não exagere. A informação exige termos precisos. Deficiente visual não é necessariamente cego. Deficiente auditivo não significa obrigatoriamente surdo. Dizer que alguém é cego, surdo ou surdo-mudo não ofende nem demonstra intolerância. Use-os sempre que necessário.  

Moral da história
Quem respeita os 10 mandamentos do Senhor garante a entrada no paraíso. Quem respeita os 10 mandamentos do texto garante a boa comunicação.

Leitor pergunta
Caso ou acaso? Tenho dúvida quando uso uma ou outra forma. Pode me ajudar?
Clayton Soares, BH
A trissílaba e a dissílaba têm um ponto comum -- indicam condição. E um diferente -- o emprego. Acaso pede a conjunção se; caso dispensa-a: Se acaso você chegasse a tempo, poderia ir à festa. Se acaso você antecipar o trabalho, resolverá o problema. Caso você chegasse a tempo, poderia ir à festa. Caso você antecipe o trabalho, resolverá o problema. 

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